Não julgueis (1)

“Não julgueis, para que não sejais julgados.” Mateus 7:1

Texto e Imagem da Página do Facebook: Estudando o Catolicismo | Pequena Adaptação do Blog Mater Salutis

O famoso “não julgueis” é normalmente usado por pessoas fora do convívio cristão, na intenção de calar um cristão quando esse toca em questões morais. Ou seja, quando um fiel fala sobre uma prática ser correta ou errada, ele é acusado de esta julgando, e isto é ir contra os ensinamentos bíblicos.

A verdade é que não é errado julgar a ação do próximo, julgar é expressar uma opinião sobre algo ou alguém, o que não podemos, é condenar uma pessoa ou julgar sua alma, isso cabe somente a Deus. Explicando: em Mateus 7–1, Jesus se refere ao julgamento da alma, a condição e a relação espiritual de uma pessoa com Deus, este apenas Deus pode. Mas se tratando do certo e do errado, do moral e do imoral, devemos sim julgar, e este é um juízo bom e sábio, assim como necessário, “o homem espiritual julga todas as coisas” (1Cor 2, 15).

O católico que se nega a reconhecer e fazer um juízo sobre a maldade e a imoralidade no mundo, está cometendo um pecado e possivelmente se negando a tirar uma alma do caminho do inferno. O padre Paulo Ricardo explica: “posso usar a minha razão para fazer um julgamento sobre as ações de outras pessoas? Se eu vir a minha filhinha correndo em direção à rua, posso julgar assim: “Isso não será bom para ela, porque talvez seja atropelada”? Se eu o fizer, não estarei dizendo que minha filha é uma pessoa horrível, condenada ao fogo do inferno; estarei apenas observando que ela está prestes a fazer algo que lhe pode ser prejudicial.”

O julgamento não é dizer ao pecador, “você vai para o inferno” ou “não haverá perdão para você porque você não segue Deus e o despreza”, mas sim alertar esta pessoa sobre o quanto suas práticas podem ser perigosas à sua amizade com Deus e a dignidade de sua vida, ou seja, é mostrar o melhor caminho, por isso devemos falar com prudência, humildade, mansidão e delicadeza, e diretamente àquela pessoa sem plateia.

“Nos nossos juízos, nunca devemos confundir o pecado que é inaceitável, com o pecador, cujo estado de consciência não podemos julgar e que, em todo o caso, é sempre susceptível de conversão e de perdão” disse o Papa Emérito Bento XVI.

Seguindo também o que disse Santo Inácio de Loyola, podemos compreender a questão dos julgamentos, seus tipos e como devem proceder, ele disse:

“Todo bom cristão deve estar mais pronto a salvar a proposição do próximo que a condená-la; se não a pode salvar, pergunte como ele a entende, e, se a entende mal, corrija-o com amor; e se não basta, busque todos os meios para que, entendendo-a bem, se salve”.

A Sagrada Escritura ainda diz, “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (João 7:24). Todavia, podemos citar outras passagens do Novo Testamento da Bíblia que nos exorta a corrigir os nossos irmãos com reta justiça, fruto da caridade:

“Se o teu irmão pecar, vai corrigi-lo a sós. Se ele te ouvir, ganhaste o teu irmão.” Mateus 18, 15

“Meus irmãos, se alguém dentre vós se desviar da verdade e o outro o reconduzir, saiba que aquele que reconduz um pecador desencaminhado salvará sua alma da morte e cobrirá uma multidão de pecados.” Tiago 5, 19

“Assim, aquele que sabe fazer o bem e não o faz incorre em pecado.” Tiago 4, 17

“Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque as suas obras eram más. Pois quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus.” João 319-21

“Não sejais participantes das obras infrutuosas das trevas, antes denunciai-as, pois o que eles fazem em oculto até o dizê-lo é vergonhoso. mas tudo o que é condenável é manifesto pela luz, pois é luz tudo que é manifesto.” Efésios 5, 11-14

“Filho do homem, eu te constituí atalaia para a casa de Israel; Quando ouvires uma palavra da minha boca, adverti-lo-ás de minha parte. Se digo ao ímpio ‘Tu hás de morrer’ e tu não o advertires, se não lhe falares a fim de desviá-lo do seu caminho mau, para que vive, ele morrerá, mas o seu sangue, requerê-lo-ei da tua mão. Por outro lado, se tu advertires o ímpio, mas ele não se arrepender do seu caminho mau, morrerá na sua iniquidade. mas tu terá salvo a tua vida.” Ezequiel 3, 17-19

Negar o justo julgamento a uma pessoa que anda no pecado e na imoralidade é agir com falta de compaixão.

Fonte: https://www.facebook.com/Estudando.o.Catolicismo