ESTUDO JURÍDICO-TEOLÓGICO DA RENÚNCIA DE BENTO XVI

Renúncia do Papa Bento XVI (2)

“Rezai por mim, para que não fuja por medo diante dos lobos.”

(Papa Bento XVI, Homilia de Entronização, 24/04/2005)

Autor: Juan Suarez Falcó | Tradução do espanhol e Edição: Blog Mater Salutis

Downloads:

Texto Original do Autor em Espanhol

Texto em português do Blog Mater Salutis

RESUMO

Neste estudo, queremos mostrar que a renúncia de Bento XVI não foi uma renúncia do Papado, mas apenas de seu ministério como Bispo de Roma. Ele manteve, portanto, o officium e o múnus petrino, por isso acreditamos que, desde então, ele continua sendo o Papa, o único Papa válido e legítimo da Igreja. Foram circunstâncias especialmente graves que o levaram a realizar esse movimento tático (um golpe de estado orquestrado pela Maçonaria, dentro e fora da Igreja) e que foram divulgados com conta-gotas, em diferentes jornais e por jornalistas bem informados. Vamos tentar expô-los sinteticamente neste documento. Também estudamos do ponto de vista jurídico e teológico o alcance dessa renúncia.

SUMÁRIO

1.     Introdução

2.     Assaltos da Maçonaria eclesiástica e antecedentes

3.     Tentativas de renunciar a João Paulo II

4.     Ensinamentos inquietantes da Novela O Último Papa (Windswept House), de Malachi Martin, sobre como a estratégia da Maçonaria eclesiástica seria forçar a renúncia de um Papa para entronizar o falso profeta

5.     O Conclave de 2005: Cardeal Ratzinger versus Cardeal Martini. O terceiro homem, o Cardeal Bergoglio

6.     A oposição a Bento XVI durante seu pontificado

7.     Alguns encontros do Cardeal Bergoglio com o Vaticano, na época de Bento XVI

8.     A estratégia bem-sucedida da Máfia de São Galo e da “Equipe Bergoglio” no Conclave de 2013

9.     O Cardeal de Palermo, Paolo Romeo, revela um complô para assassinar Bento XVI em novembro de 2012

10.  Uma Carta da Alemanha em setembro de 2012

11.  Últimas informações: pressões do SWIFT e da Administração Obama

12.  Estudo Jurídico-Teológico da Renúncia de Bento XVI

A.     O texto da renúncia

B.     Homilia de Bento de 27 de fevereiro de 2013: deixa cair que segue sendo Papa, pois renunciou apenas ao exercício ativo do Papado

C.     Explosivas declarações de Mons. Gänswein em que ele diz que Bento XVI continua sendo o único Papa

D.     Mais outra prova de que Bento XVI não renunciou ao ofício nem ao múnus petrino: não usou a fórmula da renúncia estabelecida por Bonifácio VIII

Conclusão Final


1. Introdução

A data de 11 de fevereiro de 2013 [1] foi gravada de maneira indelével na mente e no coração dos fiéis da Igreja como uma data de memória muito triste. Nunca poderei esquecer o sentimento de angústia que me invadiu quando recebi o telefonema de uma amiga no mesmo dia, dizendo: “O que estávamos esperando aconteceu. Bento XVI acaba de renunciar”. Por razões que explicarei abaixo, para mim e para um pequeno círculo de amigos católicos, essa renúncia era esperada como a arma de partida do fim dos tempos.

Escrevo este artigo com o direito que me confere o art. 212.2 do Código de Direito Canônico, que expressa que os fiéis têm o direito, às vezes até devido, em razão de seu próprio conhecimento, competência e prestígio, de expressar aos Pastores Sagrados sua opinião sobre o que pertence ao bem da Igreja e manifestar aos outros fiéis, sempre salvando a integridade da fé e dos costumes, reverência pelos Pastores e dada a utilidade e dignidade comuns do povo. No entendimento de que essa reverência é devida aos autênticos pastores da Igreja, não àqueles que são lobos em pele de cordeiro. Aos falsos mestres, aos fariseus que pregam uma coisa e fazem o contrário, para aqueles que excetuam o cumprimento dos mandamentos com mil casuísticas e seguem mais os preceitos humanos do que o divino, o Filho de Deus os chamou de “hipócritas”, “guias cegos”, “sepulturas alvejadas”, “cobras” e “geração de víboras” (Mateus 23,23-34) e filhos do demônio (João 8:44). De acordo com Gálatas 1, 6-10, aqueles que pregam um evangelho que não seja o de Cristo são amaldiçoados. Temos que cuidar disso, porque eles vêm até nós em pele de cordeiro, mas por dentro são lobos arrebatadores (Mateus 7,15). E estes devem ser denunciados.

É, pois, um dever para mim, conhecedor dos fatos que descreverei a seguir, em completa comunhão com a doutrina da Igreja, encontrando-me na graça de Deus, mostrar os fatos que a seguir descrevo, para o conhecimento da Igreja e a salvação de suas almas.

2. Assaltos da Maçonaria eclesiástica e antecedentes

A Maçonaria eclesiástica é uma realidade palpável que se infiltra na Igreja desde os princípios do século XIX. A Maçonaria é a Igreja de Satanás. Na sua versão moderna, nasceu em 1717 no pub inglês A árvore do Diabo, unificando várias lojas inglesas. Sua única função é derrubar a ordem cristã na sociedade, pelo que ela precisa destruir a Igreja (a católica, apostólica, romana, única verdadeira, a Igreja de Cristo, fundada na pessoa de Pedro [2]). Nasce no seio do protestantismo, e amparada e inspirada pelo falso judaísmo talmúdico e cabalístico, que é luciferiano. Não me deterei mais sobre este assunto, que conheço bem. Basta ao católico perplexo uma revisão das muitas condenações [3] que a Igreja fez dessa seita infernal, que engana incautos com uma roupagem de humanismo, filantropia e conhecimentos gnósticos e que adora na realidade a Lúcifer, o Anjo Caído, como vão conhecendo finalmente os que, convertidos pouco a pouco às luzes deletérias de Satanás, acabam perdendo a fé (se a teriam) e conhecendo finalmente o segredo maçônico.

A Maçonaria, desde o princípio, tentou se infiltrar na Igreja, perverter sua doutrina e desviá-la para erros doutrinais e pastorais, com a intenção de demoli-la por dentro. Recordemos que já no século XIX, a maçonaria italiana luciferiana dos carbonarianos aprovou o Documento intitulado La Alta Vendita (a Alta Venda, em português), uma série de instruções permanentes ou Código de Regras que apareceram na Itália em 1818[4]. Pela providência divina, este panfleto caiu nas mãos de Gregório XVI. Posteriormente, o Papa Pio IX o deu a Jacques Crétineau-Joly, jornalista e historiador, permissão para publicar em seu livro “A Igreja e a Revolução” as cópias dos documentos e a correspondência da Alta Vendita. Em outubro de 1884, seis meses após o aparecimento da Humanum Genus (a melhor e mais extensa denúncia da Maçonaria feita por um Papa), esses mesmos documentos foram reiterados com comentários reais em uma série de palestras do Monsenhor George F. Dillon em Edimburgo, Escócia. Estas conferências impressionaram de tal maneira a Leão XIII que ele as publicou e distribuiu a seu próprio custo. Na Alta Vendita, foi estabelecido um plano para infiltrar-se na Igreja Católica, colocando maçons nos seminários, para que, com o tempo, os sacerdotes fossem ordenados e subissem ao bispado e ao cardinalato, subvertendo com o modernismo a doutrina católica a partir das altas posições da Igreja. O objetivo final era fazer com que alguns chegassem à Cadeira de Pedro um dia e, a partir daí, demolir a doutrina católica, desviando-a para a apostasia geral e obrigando toda a Igreja a seguir esse falso profeta para o Inferno, sob a bandeira da obediência devido ao “Papa”. Entre outras coisas, esse documento dizia:

“… É dever das sociedades secretas fazer o primeiro ataque à Igreja e ao Papa, a fim de conquistar os dois. O trabalho pelo qual nos apegamos não é um trabalho de um dia, ou de um mês ou de um ano. Pode durar muitos anos, talvez um século … O que devemos pedir, o que devemos buscar e esperar, assim como os judeus esperam pelo Messias, é um papa de acordo com as nossas necessidades. Necessitamos de um papa para nós, se tal papa fosse possível. Com esse papa, marcharemos de forma mais segura ao assalto à Igreja, do que com todos os livrinhos de nossos irmãos franceses e ingleses”.

“Em um prazo de cem anos … os bispos e os sacerdotes acreditarão que estão marchando atrás da bandeira das chaves de Pedro, quando, na realidade, seguirão nossa bandeira … AS REFORMAS DEVERÃO SER INTRODUZIDAS EM NOME DA OBEDIÊNCIA.”

Por certo, essa mesma obediência mal entendida é a que está, nestes momentos, fazendo estragos em tantos católicos pouco formados, que creem que o que diga Francisco diz deve ser acreditado e obedecido na sua totalidade, como um dogma de fé. No entanto, sabemos que quando o que manda ordena algo contrário à moral ou à fé, o que suponha pecado, não deve obedecer-se[5]. Não cabe obediência ao erro. Somente à verdade. E devemos obedecer antes a Deus que aos homens, quando estes erram ou vão contra os ensinamentos de Cristo, como Pedro e os apóstolos disseram diante dos judeus que os perseguiam, caluniaram e silenciaram[6].

Ademais, o dogma da infalibilidade do Papa refere-se apenas às ocasiões excepcionais, nas quais ele promulga a toda a Igreja (não a um grupo dela) um ensino dogmático sobre questões de fé e moral sob o alcance de “solene definição pontifícia” ou declaração ex cathedra[7]. Fora desses casos, tudo o que declara um Papa pode ser magistério, mas não há promessa de infalibilidade nele. E pode até não ser magistério, porque declara uma mera opinião pessoal como um teólogo privado ou porque o faz com uma mera função de instrução ou pastoral, não de definição de doutrina e, portanto, sem a intenção de vincular a Igreja (é o exemplo claro de Amoris Laetitia[8]).

Em 3 de abril de 1844, um líder da Alta Venda que se fazia chamar por Nubius escreveu uma carta para outro maçom de alto escalão. A carta também fala sobre o plano de se infiltrar na Igreja Católica e a tentativa de colocar um “papa” maçônico para promover a religião da Maçonaria:

“Agora, para garantir um Papa nas proporções necessárias, precisamos primeiro preparar uma geração digna do reino em que sonhamos … Deixe o clero avançar sob sua bandeira (a bandeira maçônica) sempre acreditando que eles estão se movendo sob a bandeira das chaves apostólicas. Lança a rede como Simon Bar Jonás; estenda-a até o fundo das sacristias, dos seminários e conventos … Terás realizado uma revolução vestida com a tríplice coroa do Papa e da capa, carregando a cruz e a bandeira, uma revolução que só precisa de um pequeno estímulo para incendiar os quatro cantos da terra”.

O maçom Eliph Levi disse em 1862:

“Chegará o dia em que o papa … declarará que todas as excomunhões estão suprimidas e todos os anátemas retirados. Quando todos os cristãos estão unidos dentro da Igreja, quando os judeus e os muçulmanos são abençoados e chamados de novo a ela … permitirá que todas as seitas se aproximem gradualmente e abranjam toda a humanidade na comunhão de seu amor e orações. Então, os protestantes não existirão mais. Contra o que eles protestarão? O Sumo Pontífice será então verdadeiramente o rei do mundo religioso e fará o que quiser com todas as nações da terra”.

Como podemos ver, data da antiguidade o interesse da Maçonaria eclesiástica (carniceiros, macellai, nas palavras do próprio Cristo, na revelação dada ao Padre Pio, que o crucificas de novo em cada Eucaristia, realizada sacrilegamente[9]), de usurpar a Igreja de dentro para, sob a exigência da obediência, levar muitos fiéis ao erro e à apostasia. Para a maioria dos fiéis seguir um falso Papa em tudo o que ele diz, foi necessário educar os católicos por muitas décadas na falsa crença de que tudo o que o Papa diz era verdadeiro e de obediência obrigatória, e parar de pregar sobre o pecado mortal, escatologia, fim dos tempos, inferno ou a necessidade de arrependimento para salvar a alma. Afinal de contas, a Igreja renunciou à sua missão secular de ensinar, concentrando-se apenas em uma mensagem melífera baseada em uma misericórdia mal entendida, segundo a qual todos os batizados se salvam por mera fé (e até os ateus, se são bons, nós os adicionaríamos).

E isto foi conseguido pela Maçonaria infiltrando os seus elementos como Professores de seminários e Universidades católicas, ou como teólogos ou como sacerdotes, cujas homilias eram discursos em favor da liberdade, igualdade e fraternidade maçônicas. E tem conseguido também deixar de pregar a presença real de Cristo na Eucaristia e criando as circunstâncias necessárias para gradualmente eliminar a fé dos fiéis nela: removendo reclinatórios; deixando de dizer que as pessoas devem se ajoelhar em comunhão; deixando de pregar a necessidade de estar na graça de Deus para comungar; deixando de recordar quais são os pecados mortais que impedem a aproximação da comunhão, começando por faltar à missa deliberadamente; concebendo a missa como um banquete festivo com guitarras e canções dessacralizantes; separando o Sacrário do abside; introduzindo a comunhão na mão; permitindo coroinhas; abusando dos ministros extraordinários da Eucaristia; removendo crucifixos, círios e demais elementos do altar que manifestam publicamente seu caráter sacrificial, transformando-os em mesas de banquete; tocando música durante a Comunhão, evitando que os fiéis reconheçam nela o elemento central da Missa e impedindo que se concentrarem Naquele que recebem; cometendo todo tipo de abuso litúrgico; permitindo uma pastoral contrária à sã doutrina da Igreja; ensinando que a consciência pode ditar a conduta moral de uma pessoa, mesmo que contradiga o magistério da Igreja; promovendo um falso ecumenismo segundo a qual todas as confissões cristãs são igualmente válidas; promovendo um falso diálogo inter-religioso que leva ao indiferentismo; desestimulando a confissão, deixando de entrar no confessionário ou ensinando que todos vão ao Céu, etc., etc., etc…

Com estes desvios litúrgicos, doutrinários e pastorais, promovidos por maçons infiltrados, muitos fiéis caem no inferno todos os dias quando, por erro vencível, por falsos respeitos humanos ou por simples deserção, aderem a erros maçônicos, ou quando, sendo presbíteros, calam diante dessa venenosa ponzoña (maldade insidiosa), sem levantar a voz para defender seu rebanho, por covardia.

Muitos maçons chegaram ao topo e tem sido criados cardeais. Mesmo um deles estava prestes a ser eleito Papa, o que foi impedido in extremis por pura Providência Divina. Foi o Cardeal Mariano Rampolla del Tindaro, afiliado à O.T.O., ordem maçônica luciferiana, perigosa onde existem[10]. Resulta perturbador descobrir que deste Cardeal procede, em linha direta consagratória, ao Cardeal Bergoglio[11]. E, tampouco, não parece casual que muitos membros integrantes da Máfia de São Galo e do “Team Bergoglio” (nome dado pelo Blog Católico “De Roma”[12] ao círculo do círculo íntimo de bispos e cardeais que, segundo o jornalista Austen Ivereigh, tem ajudado na eleição de Cardeal Bergoglio como Papa; nós acrescentamos que, de maneira ilegal e ilegítima) procedam igualmente dessa linha dos colaboradores do Cardeal Rampolla, como o Cardeal Gasparri ou Cardeal Giambattista da Chiesa[13].

Cardeal Mariano Rampolla (1)

Cardeal Mariano Rampolla del Tindaro

Símbolo da OTO (1)

Símbolo da OTO

Logo, no começo do século XX, a essa pressão maçônica se uniu o comunismo, que também infiltrou milhares de candidatos ao sacerdócio nos seminários, como havia descrito fielmente Bella Dodd, que havia sido comunista, e foi convertida à Fé católica pelo Bispo Fulton Sheen, testemunhando publicamente que havia enviado pessoalmente um número superior a mil jovens aos seminários católicos, para que pudessem destruir a Igreja desde o seu interior. E quando ela estava depondo publicamente, disse: “Alguns deles já são bispos”. E estava falando no final da década de 1940 e início dos anos 1950[14]!

Bella Dood (2)

Bella Dodd e o Bispo Fulton Sheen

Alice von Hildebrandt, esposa do famoso teólogo e filósofo católico alemão Dietrich von Hildebrandt, também despertou o alarme sobre a infiltração do marxismo e da Maçonaria na Igreja, ambas nascidas nas profundezas de Satanás[15].

3. Tentativas de renunciar a João Paulo II

A Maçonaria eclesiástica tentou de todos os modos fazer renunciar ao nosso amado João Paulo II. Recordemos como já desde antes do ano 2000 houve uma onda de intervenções de Cardeais, Bispos, sacerdotes, organizações supostamente católicas de base etc. a favor da renúncia de João Paulo II, naquele momento já sofrendo de uma doença de Parkinson avançada.

Papa João Paulo II (2)

Se uniram, assim, a opinião de todos os meios de comunicação social em mãos da maçonaria, isto é, as televisões e periódicos de todo o mundo. Clamaram, iracundos, para que o Santo Padre renunciasse, mas o fizeram com aparência de piedade e bondade, justificando que a sua enfermidade assim o aconselhava. De todos é sabido que a Maçonaria internacional, isto é, o falso judaísmo domina as finanças, junto com as demais seitas satânicas e luciferianas, os coletivos sodomitas, a ideologia de gênero, a esquerda, as direitas pagãs, o mundo, no fim das contas, bramiam de raiva com o pontificado de João Paulo II, caracterizado por uma luta feroz contra o relativismo, o aborto, a sodomia, o comunismo e o liberalismo moral. Seus inimigos naturais, então, dentro e fora da Igreja, levaram a cabo uma desprezível campanha mediática[16], disfarçada em muitos casos de boas intenções, para que o Santo Padre desse um passo para o lado, e poder meter já então a um de seus candidatos que muito possivelmente poderia ter sido o Príncipe do bando maçônico, o jesuíta Cardeal Martini[17].

João Paulo II fez bem em não renunciar, adiando a entrada do falso profeta na Cadeira de Pedro, que, certamente, já estava preparado para governar a Igreja. O próprio Bento XVI fez algumas declarações muito importantes por ocasião da entrevista do livro “Luz do mundo” (2010), com Peter Seewald, em relação à possibilidade de sua abdicação ou renúncia, que foram proféticas e que são bem aplicáveis à tentativa de forçar a renúncia de João Paulo II:

“Se pode renunciar em um momento de serenidade ou quando já não se pode mais”, mas não se pode fugir “precisamente no momento do perigo”[18].

4. Ensinamentos inquietantes da Novela O Último Papa (Windswept House), de Malachi Martin, sobre como a estratégia da Maçonaria eclesiástica seria forçar a renúncia de um Papa para entronizar o falso profeta

O interesse da Maçonaria em colocar um dos seus na Cadeira de Pedro não só foi evidenciado por entrevistas, declarações e documentos da Maçonaria, mas também foi confirmado por um proeminente sacerdote irlandês, conhecedor como poucos da Maçonaria eclesiástica porque ele sofreu em sua carne, em seu trabalho principal Windswept House, traduzido para o espanhol como El último Papa.

Livro Windswept House (1)

Livro Windswept House, do padre Malachi Martin

O sacerdote Malachi Martin, um jesuíta irlandês, um poliglota, professor de paleografia, um intelectual bem treinado, era o secretário pessoal do Cardeal Agostino Bea (possível maçom, como pode ser visto na Lista Pecorelli[19]). Ele teve a oportunidade de ler todo o conteúdo do Terceiro Segredo de Fátima, não apenas a visão do Papa fugindo entre cadáveres de sacerdotes para morrer como mártir sob uma cruz de madeira, mas as palavras da Virgem explicando essa visão (aquelas que começam com “Em Portugal, o dogma da fé será sempre preservado …”[20]), que tratam claramente da apostasia da Igreja do fim dos tempos, na qual já estamos[21]. Nesse livro, que ele descreveu como 85% verdadeiro, o sacerdote Malachi Martin descreveu em detalhes a conspiração maçônica dentro da Igreja, colocando outros nomes inventados em seus verdadeiros protagonistas, cujo objetivo era fazer o Papa renunciar, colocar o falso profeta (um Cardeal maçom) como Papa da Igreja e levá-la à sua destruição interna. O Padre Martin, enojado com o liberalismo que viu no Cardeal Bea e seus superiores, decidiu abandonar a ordem dos jesuítas. Paulo VI concedeu-lhe a possibilidade de se exilar em Nova York, sem incardinação eclesiástica[22]. Foi também exorcista, até um motorista de táxi para viver. Ele escreveu livros excepcionais, que relatam as conjurações maçônicas dentro da Igreja, que ele conheceu em primeira mão. Ele morreu em circunstâncias estranhas, nas quais muitos vêem um assassinato premeditado.

Padre Malachi Martin (1)

Padre Malachi Martin

Resumo algumas das principais conclusões do livro, que todo católico deve ler para entender o que está acontecendo na Igreja. Está completo na Internet[23]. A lista de equivalências entre os nomes ficcionais do romance e os nomes de seus verdadeiros protagonistas pode ser vista aqui[24]. O livro conta o seguinte:

O Cardeal Villot, maçom, foi mentor do Secretário de Estado na época de João Paulo II, o Cardeal Casaroli (até os anos 90). Parece que ele também atraiu seu sucessor, Angelo Sodano, e o instruiu a ganhar a confiança do Papa João Paulo II, para conseguir que, embora parecesse contrário aos seus propósitos, o Papa ajudaria sem saber o advento da desejada NOM. De fato, João Paulo II, sem conhecer sua afiliação maçônica, manteve um bom número de Cardeais e clérigos maçons em suas posições de responsabilidade, não apenas em Roma, mas também nas dioceses… O objetivo era fomentar um catolicismo que não reconhecia nenhum vínculo verdadeiro com o catolicismo anterior. Mas com o Papa reticente em alguns temas, esse progresso em direção a NOM e a transformação da Igreja não se realizaram no ritmo desejado, para poder alcançá-lo na data desejada.

João Paulo II seguiu a linha de colegialidade e do Concílio Vaticano II e não se interferiu nas dioceses dos outros Bispos, quando milhares deles introduziram ensinamentos inovadores em seminários, que permitiram que proliferasse entre os clérigos a praga da homossexualidade ou as diversas “inculturações” com que se adaptaram as cerimônias católicas. Cometeu pecados de omissão, como tolerar heresias e imoralidades, nunca por dolo.

Na novela, aparecem diferentes membros das elites designadas à Maçonaria, não todos na mesma linha, mas, de maneira mais ou menos consciente, todos a serviço de um plano que poucos controlam e conhecem em seu verdadeiro alcance. Esse plano é chamado de “o processo” e é basicamente um projeto de globalização que conduzirá a uma NOM. Dois aspectos importantes desse processo são: assumir a Igreja; e um projeto genocida de redução da população por diferentes meios, sobretudo pelo aborto, em relação ao qual são dadas descrições de práticas aterradoras na Rússia e na China e, em geral, com a promoção do “controle da natalidade”. A Rússia é uma peça fundamental deste programa. O círculo mais alto que dirige “o processo” decidiu simular a queda do bloco soviético, para trazer uma falsa sensação de paz e concórdia, uma falsa paz maçônica. Os 75.000 tipos e agentes duplos da KGB infiltrados em todo o mundo, os gulags, permaneceram os mesmos. Gorbachev recebeu um grande financiamento dos Rockefeller, Morgan e companhia por suas fundações em todo o mundo. Dizem que a KGB manipulava à distância o sindicato polaco Solidariedade, para seus planos de longo prazo.

Quanto à Igreja, um grupo de líderes da NOM, maçons de alto grau, decidem no marco de um tempo favorável (5 a 7 anos) que eles concedem a seu “príncipe”, apoderar-se do Vaticano (“ofício papal”). Cito:

“Para fazer isso, devemos assegurar que o titular do referido ofício seja um homem de cuja adaptabilidade às nossas necessidades possamos confiar” (páginas 145-146) … “O candidato que substitui o atual titular deve ser alguém familiarizado com nossos objetivos [.. .], dispostos a colaborar na consecução dos mesmos” (p. 146).

A Maçonaria eclesiástica propôs três estratégias para se livrar de João Paulo II e colocar o falso Papa que os interessava: persuasão, aniquilação e renúncia (p. 146). Cito e ponho em maiúsculas por sua importância:

“A ELEIÇÃO CATEGÓRICA MEDIANTE A QUAL ALCANÇAREMOS NOSSO OBJETIVO É A RENÚNCIA. EM RESUMO, SE INDUZIRÁ O ATUAL TITULAR A RENUNCIAR DO SEU CARGO […]. A RENÚNCIA VOLUNTÁRIA DO PAPA, NESTA ENCRUZILHADA DE DIVISIONISMO E DESUNIÃO ENTRE OS CATÓLICOS LAICOS E ENTRE OS PRÓPRIOS CLÉRIGOS, SERIA UM SINAL PODEROSO, EQUIVALERIA A UMA ADMISSÃO DE DERROTA POR PARTE DE IMPORTANTES ELEMENTOS OPOSTOS A NÓS” (p. 147).

Note-se que eles tentaram com João Paulo II durante grande parte de seu papado, e também em sua etapa final, quando estava enfermo de Parkinson, como dissemos acima, mas o Santo Padre permaneceu firme, conhecedor dos planos de seus adversários. No entanto, essa estratégia funcionou com Bento XVI, que renunciou em 11 de fevereiro de 2013.

Para realizar esse plano, que é o mesmo que tem a “falange do Vaticano” do “Príncipe”, mantiveram encontros para colaborar e operar. O líder do grupo de clérigos, levando consigo um punhado de cardeais (Silvestrini, Laghi, Noé), é o secretário de Estado prestes a se aposentar e continua a dirigir tudo nos bastidores após sua aposentadoria (Casaroli) e entre seus cardeais “amigos” está o Cardeal Suenens da Bélgica (que é conhecido por ser um maçom, conforme a lista de Pecorelli).

A principal estratégia contra João Paulo II seria fazer o Papa sentir que a maioria dos Bispos não estavam com ele e não o queriam. Foram criados grupos liderados por Cardeais que usariam os Bispos com idéias semelhantes para estender sua influência e visão, seriam o fermento para buscar nos demais Bispos uma assimilação progressiva de seus postulados e, por sua vez, identificar os Bispos refratários, os que teriam que combater. Estes grupos concêntricos foram formados por Bispos de confiança do Cardeal encarregado dessa missão e Bispos com debilidades e que poderiam ser dóceis para salvar sua situação. Cada um deles, obedecendo a uma estratégia, agiria: mudando as coisas em sua diocese através dos fatos, ou levantando discussões e controvérsias escrevendo a favor dos homossexuais ou da ordenação de mulheres… e mesmo que tivessem que ser descartados temporariamente, o efeito desejado já havia sido alcançado. Para alguns assuntos mais delicados, eles usariam os Bispos auxiliares (cf. Capítulo 27).

Uma das estratégias era mudar a concepção do Papado, com táticas como parar de chamar o Papa de Vigário de Cristo e usar melhor a expressão Vigário de Pedro. Isto significaria que todos os Bispos são iguais (todos são vigários dos apóstolos) e o Papado perde seu valor. A expressão “Vigário de Pedro” teria sido introduzida no novo missal em inglês, embora ainda não tivesse sido aprovado (cf. p. 270).

Casaroli, enquanto prepara a forma para forçar João Paulo II a renunciar, vai manobrando para que os Cardeais escolham o substituto proposto. Trabalha com três possíveis substitutos: Cardeal Lustiger (parece ser de descendência judaica ou convertido do judaísmo, e certamente maçom), de Paris, Cardeal Martini, jesuíta, de Milão (muito possível maçom), e Cardeal Noé do Vaticano.

No caso anterior de renúncia de um Papa, Celestino V, em 1294, diz-se na novela que “havia provas suficientes para provar que Celestino também havia sido vítima de engano e manipulação por parte de seu sucessor, o Cardeal Benedetto Caetani, os inimigos daquele Papa também decidiram confiná-lo fisicamente (“curiosamente”, como parece acontecer agora com Bento XVI, confinado no mosteiro de Mater Ecclesiae). Ele também se tornou um prisioneiro, faleceu de “uma infecção” no Castello di Fumore, em Frosinone, poucos meses depois de sua reclusão” (p. 711).

“Era imprescindível debilitar a autoridade central do papado. Não bastava se livrar do atual Sumo Pontífice. […] Os papas seriam realmente eleitos de forma democrática por todos os pastores da Igreja. O truque […] consistia em inaugurar o processo descentralizador e manter, ao mesmo tempo, um firme controle” (p. 712).

A novela revela um plano construído em torno do Papa, para forçá-lo a renunciar: primeiro dizendo à opinião pública mundial que o Papa havia renunciado e depois forçando-o internamente a assinar sua renúncia com o argumento de que já era um evento consumado e difundido a todo o mundo pelos meios de comunicação. Malachi Martin sabia que o plano era forçar João Paulo II a renunciar, mas o grande papa eslavo, forte como poucos, não cedeu. Notemos agora como a novela recria o tom de louvor que a Igreja e o mundo têm em relação à suposta renúncia de João Paulo II, justo a mesma reação ingênua que existiu após a “renúncia” de Bento XVI. Estremece ver em que medida a situação e a realidade descritas são idênticas:

“Segundo comentaristas europeus e americanos, o Papa eslavo havia renunciado por motivos de saúde. Eles transmitiram citações de importantes porta-vozes governamentais e dos secretários de muitas conferências episcopais importantes. Também houve especulações sobre o futuro conclave e a identidade do próximo papa. Em geral, o tom dos comentários foi elogioso. Alguns elogiaram o Santo Padre pela sabedoria de sua renúncia”.

E, no que parece ter uma grande semelhança com a renúncia de Bento XVI, se diz na novela como eles descreveriam o novo papel do papa renunciante:

“Para o enriquecimento da Igreja, como Maria no evangelho, o Santo Padre tem escolhido a melhor parte” (p. 683). E põe na boca de Casaroli: “A partir de agora, o ex-Santo Padre sustentará a Igreja com suas orações e seu especial assessoramento” (p. 705).

Entre os Cardeais mais perigosos (evidentemente todos maçons), de acordo com Malachi Martin: Laghi, Casaroli, Lustiger, Martini, Sodano, Noe, Silvestrini, Suenens, Bernardin, etc. Entre estes, vários teriam participado diretamente da missa negra satânica na noite de 29 de junho de 1963, de entronização de Satanás no Vaticano[25] (toda a camarilha de Casaroli, embora ele próprio não estivesse presente, exceto seu sucessor no secretário de Estado, Angelo Sodano; mas ambos – Casaroli e Sodano – seriam fundamentais no serviço ao “processo”), com o objetivo de debilitar o Papado até colocar um deles em seu lugar e a essa tarefa consagraram sua vida; em particular se menciona o antigo secretário de Estado, Cardeal Villot e os Cardeais Silvestrini, Noe e Laghi, bem como o Cardeal Bernardin, sendo sacerdote, na capela emissora dos EUA, como archpriest ou segundo na cerimônia, presidida ali pelo Bispo John Russell.

Cardeal Pio Laghi (1)

Cardeal Pio Laghi

Cardeal Agostino Casaroli (1)

Cardeal Casaroli

Cardeal Angelo Sodano (1)

Cardeal Angelo Sodano

Cardeal Achille Silvestrini (1)

Cardeal Silvestrini

Enfim, na novela João Paulo II aparece cativo no meio dos Cardeais, quase sem capacidade de movimento, com a hostilidade de muitos deles. No entanto, manteve um pequeno círculo de fiéis que o servem, como uma espécie de espiões no meio do campo inimigo, dando-lhe informações. Entre eles, seu secretário pessoal, o chefe de segurança e alguns sacerdotes a quem ele confia missões principalmente na Europa Oriental e nos EUA, sob a cobertura de outros encargos pastorais, ou que estão servindo à estrutura de poder de Casaroli e companhia, mas que permanecem fiéis ao Papa (uma espécie de agentes duplos). Um desses sacerdotes fiéis ao Papa que teria acessado todas as informações sobre a missa negra escapa de ser assassinado, mas em outra ocasião posterior o assassinam macabramente e quem está por trás da ordem de se livrar dele é o Cardeal Silvestrini, por certo, integrante, e não por acaso da Máfia de São Galo. Entre os sacerdotes satanistas meio arrependidos ou aqueles que trabalharam como informantes para revelar a rede americana (EUA), sistematicamente todos vão aparecendo assassinados ritualmente, macabramente.

Fala de uma rede de capelas satanistas nos templos católicos por todo os Estados Unidos, mas parte de uma rede mundial. A capela-mãe nos EUA seria precisamente aquela onde em 1963 se realizou a missa negra para a entronização no Vaticano do “Príncipe”, na Carolina do Sul, que teria participado como sacerdote e que mais tarde seria o Cardeal de Chicago e um dos mandantes dessa rede de clérigos satanistas, Joseph Bernardin, que controlava a Conferência Episcopal dos EUA. Essa rede estaria intimamente ligada à pedofilia, com abusos e sacrifícios rituais, e à homossexualidade. Ou seja, tudo isso não seriam casos isolados, mais ou menos abundantes, mas práticas nas quais aqueles que foram iniciados (ou aqueles que se promoviam em sua degeneração) entravam em uma rede da qual não podiam escapar. O “sumo sacerdote” dessa capela-mãe satânica era o Bispo John Russell. Um dos protagonistas se pergunta se “existe um esforço para transformar a Igreja em um santuário seguro para pedófilos conhecidos e, ao mesmo tempo, criar um campo de cultivo perfeito para os cultos satanistas […], um esforço destinado a destruir a Igreja, tanto moral como monetariamente [pela indenização milionária às vítimas de abuso infantil], uma tentativa deliberada e habilmente organizada de destruir a Igreja desde o interior” (p. 506).

“De repente, passou a ser incontestável o fato de que agora, neste papado, existia dentro da Igreja Católica a presença permanente de clérigos que adoravam a Satanás e gostavam de fazê-lo, de Bispos e sacerdotes que sodomizaram crianças e sodomizaram entre si, de freiras que celebravam os ‘ritos negros’ de Wicca e mantinham relações lésbicas dentro e fora de seus conventos. De repente, ficou claro que durante este papado a Igreja Católica havia se tornado um lugar onde todos os dias, incluindo domingos e festas de guarda, os homens chamados a ser sacerdotes cometiam atos de heresia, blasfêmia, sacrilégio e indiferença aos altares sagrados. Não apenas os atos sacrílegos foram cometidos diante dos altares, mas tiveram a cumplicidade ou pelo menos a aprovação de certos Cardeais, Arcebispos e Bispos. A lista de prelados e sacerdotes envolvidos era alarmante. No total, eram minoria, oscilando de um a dez por cento do pessoal da Igreja. No entanto, muitos deles ocupavam posições e autoridade surpreendentemente altas nas chancelarias, seminários e universidades […].Os fatos que causaram o novo sofrimento do Papa foram essencialmente dois: laços sistemáticos e organizados, ou, em outras palavras, a rede estabelecida entre certos grupos clericais homossexuais e conselhos satanistas, e o incrível poder e influência dessa rede. Dos dois, o poder da rede, tão desproporcional à minoria que a exercia, foi o mais devastador para o Papa eslavo” (p. 556). “O poder desproporcional e a influência predominante dessa rede eram devidos a alianças com grupos seculares fora da Igreja Católica e o enorme número de professores em seminários, universidades e escolas católicas, que discordam de forma aberta e com toda naturalidade dos dogmas e ensinamentos morais do catolicismo” (p. 557).

Bergoglio (108)

Francisco, de mãos dadas com o sacerdote pró-gay D. Ciotti[26]

Bergoglio (109)

Francisco promoveu a Mons. Ricca, pró-gay, como seu delegado na IOR[27]

Bergoglio (110)

Francisco beija a mão do sacerdote pró-gay De Paolis[28]

Malachi Martin põe esta amarga reflexão na boca de João Paulo II:

(Os adversários) “vêem o cisma iminente entre o papado e os Bispos da Igreja. Não apenas veem, mas contribuem ao desmoronamento progressivo do catolicismo. Na realidade, é justo afirmar que a maioria dos católicos estão agora alienados em maior ou menor grau da verdade católica. Roma e o papado não são mais objeto de devoção obediente, mas no máximo de uma veneração vaga e romântica. Grande quantidade de muitas massas e confissões carecem de validez. Um número indeterminado de sacerdotes não tem sido ordenados, como é obrigatório. E ainda nem tentei calcular o número de Bispos que não foram devidamente consagrados ou que tem deixado de crer. Jesus Cristo não é mais honrado em nossos tabernáculos e, consequentemente, abandonou nossas igrejas, conventos, ordens religiosas, seminários e dioceses. A dizer a verdade, por que deveria Nosso Senhor permanecer onde é objeto de negligência, insulto e negação? Depois de tudo, não é Ele quem precisa de nós” (p. 566).

São citadas duas dioceses, uma dos EUA e outra do Canadá, onde os Bispos teriam administrado uma espécie de ordem sagrada a numerosas mulheres (cf. p. 658-569). Também concursos de “coroinhas” nos EUA.

No ritual de Entronização de Satanás que, de acordo com o padre Malachi Martin, foi realizado na Capela paulina do Vaticano em 29 de junho de 1963, os membros exclamaram:

“Aquele que, mediante este sanctasanctórum (‘santo dos santos’), seja designado e eleito como o último sucessor do trono pontifício, por seu próprio juramento se comprometerá, tanto ele como todos sob seu comando, a se tornar um instrumento submisso e colaborativo dos construtores da casa do homem na Terra e em todo o cosmos humano. Transformará a antiga inimizade em amizade, tolerância e assimilação aplicadas aos modelos de nascimento, educação, trabalho, finanças, comércio, indústria, aquisição de conhecimentos, cultura, viver e dar vida, morrer e administrar a morte. Esse será o modelo da nova era do homem”.

Pelo que foi dito no parágrafo anterior, parece claro que o último Papa, não eleito canonicamente[29], como Malachi Martin disse em uma entrevista, seria um maçom luciferiano[30]. Uma vez que a renúncia do Papa ocorre, a novela descreve como deve ser o Conclave subsequente, a fim de eleger seu candidato maligno, para que o conclave seja feito com plena legalidade, de modo que pareça que o novo Papa eleito após a renúncia do outro foi escolhido canonicamente. Mas, assim como Celestino V renunciou às pressões de seu sucessor Benedetto Caetani, o Papa eslavo também foi submetido à pressão dos luciferianos (a “falange romana”) para renunciar. No sínodo em que o novo será eleito papa, perguntas (as atuais Congregações) são preparadas para que um “consenso comum” dos eleitores possa sair e, assim, levar todos à eleição do papa “adequado”. Como aconteceu no conclave de 2013, em que Francisco sempre deu a entender que tenta aplicar o programa que os eleitores comentaram antes das votações[31]. Também se havia comprometido o voto dos Bispos e Cardeais necessários para que saísse o papa “adequado” (exatamente o que aconteceu no Conclave de 2013, como veremos mais adiante):

“Maestroianni sabia que, para não se desviar de seus planos, ele e seus colegas tinham que se conformar à tradição eclesiástica e à legislação da Igreja. A precisão era a característica essencial da tradição sacrossanta e da legislação detalhada. O único objetivo da tradição e da lei era garantir que o sucessor do Papa anterior fosse inequivocamente e manifestamente escolhido por Deus através do Espírito Santo. Todos os atos foram direcionados para esse fim. Cada passo deve estar em conformidade com a lei e a tradição. Caso contrário, a legalidade canônica de todo o processo seria questionada. Normalmente, apenas um novo Papa era eleito quando o anterior morrera. O complicado neste caso foi que a Igreja tinha um Papa perfeitamente vivo. Portanto, do ponto de vista canônico, a posição adotada pelo Conselho de Estado, ou melhor, a posição adotada pelo próprio Maestroianni, juntamente com os cardeais Palombo, Aureatini, Pensabene, Graziani e outros, de que o Papa vivente praticamente havia renunciado, teria uma importância fundamental”…

“Aqueles questionários que tanto havia trabalhado Gladstone para completar eram em definitiva documentos da posição dogmática e pastoral de praticamente todos os Bispos que estavam naquele momento em Roma. E posto que Maestroianni havia falado pessoalmente com cada um deles, pensei que sabia o que esperar.”

5. O Conclave de 2005: Cardeal Ratzinger versus Cardeal Martini. O terceiro homem, o Cardeal Bergoglio

Transcendeu à luz pública que no Conclave de 2005, que acabou elegendo o Cardeal Ratzinger, o principal oponente do Papa Bento XVI, foi o Cardeal jesuíta Carlo Maria Martini, herege manifesto.

Às provas nos remitimos. Em seu chamado “testamento vital”, uma entrevista concedida no limiar da morte a dois jornalistas (Georg Sporschill e Federica Fossati Confalonieri), para o Diario Corriere della Sera[32], oferecia uma visão da Igreja que queria realmente ser perturbadora, aterradora, negadora de todos os seus dogmas, que primara a consciência sobre seu magistério, que concebia os sacramentos não como disciplina, mas como alimento para os débeis, que concedera a comunhão aos adúlteros, que não julgara a sexualidade de seus fieis, que apoiara a teologia da libertação dos jesuítas tristemente assassinados em El Salvador (Ellacuría e outros), ao tempo que se remetia a outro membro da Máfia de Saint Gallen como o Cardeal Lehmann[33]. Tudo isto, infelizmente, parece ser o programa do governo do Cardeal Bergoglio, um de seus mais conspícuos epígonos, que vem aplicando sem descanso desde sua eleição papal.

Mas não foi de Martini um ataque agudo de heterodoxia na trama final de sua vida: infelizmente, professou sempre estas idéias e algumas mais (negou a existência de um Deus católico, foi abertamente contrário à profética Humanae Vitae, estava aberto a admitir o divórcio ou a sodomia e, em suma, acreditava mais em um Jesus político e sociológico que divino[34][35]).

Martini, muito possível maçom[36], líder da Máfia de Saint Gallen, pediu a seus eleitores que os votos que teria passaria para o Cardeal Bergoglio[37]. Isto aponta para Bergoglio, também jesuíta, como sucessor do partido herege, que aspira subverter a Igreja. Os martinianos, de fato, votaram em Bergoglio em 2005 e depois em 2013[38]. O Cardeal Bergoglio elogiou publicamente o Cardeal Martini[39].

Cardeal Carlo Maria Martini (1)

Cardeal Martini e Francisco

6. A oposição a Bento XVI durante seu pontificado

O pobre Bento XVI teve que lidar em todo o seu pontificado com a dura batalha que, de fora e de dentro da Igreja, fez seus inimigos. Do lado de fora, porque o mundo não suportava sua posição clara contra o ateísmo, o aborto, a eutanásia, a contracepção, o adultério, enquanto proclamava sem ambiguidade os dogmas da Igreja. Em suma, suas palavras e escritos fizeram doer os ouvidos dos meios de comunicação seculares e profanos.

Mas também de dentro, por oponentes íntimos, como o sacerdote Hans Küng, os teólogos da libertação, a companhia de Jesus quase completa … e, entre eles, o próprio Cardeal Carlo Maria Martini. Essa falange interna também estava entre os membros modernistas, marxistas e maçônicos da Cúria. Oposição interna que o levou a dizer alguma vez que “minha autoridade acaba passando essa porta[40]”, referindo-se à porta de seus aposentos papais no Vaticano, que falava claramente da hostilidade que sofria todos os dias entre seus supostos colaboradores e a desobediência que fizeram de suas indicações e mandatos.

O próprio Paolo Gabriele, seu mordomo, um homem de sua total confiança, dizia sempre que havia dado a conhecer seus papéis para que as pessoas pudessem ver a oposição que sofria Bento dentro do Vaticano e para tentar fazer a Igreja retornar “ao seu lugar”. Possivelmente, agiu de boa fé, mas mal assessorado, fazendo um mal para conseguir um bem, o que acaba sempre redundando em um mal maior[41].

O que a Maçonaria eclesiástica nunca pôde perdoar ao Cardeal Ratzinger foi que ele havia servido por quase um quarto de século, impecavelmente, o cargo de guardião da ortodoxia, a Prefeitura da Doutrina da Fé. Em particular, o Cardeal Ratzinger fechou o caminho para a comunhão dos adúlteros (ou, como são eufemisticamente chamados de “divorciados novamente casados”) com aquela famosa CARTA AOS BISPOS DA IGREJA CATÓLICA SOBRE A RECEPÇÃO DA COMUNHÃO EUCARÍSTICA POR PARTE DOS FIÉIS DIVORCIADOS QUE VOLTARAM A SE CASAR (1994)[42]. Recorda um axioma fundamental da fé católica: que a verdadeira misericórdia nunca é separada da Verdade[43]. Em alguns parágrafos antológicos, as razões sentimentais oferecidas pela Alemanha e outros países em favor da comunhão dos divorciados e casados novamente são rejeitadas, exatamente as mesmas razões que Francisco mais tarde assumiu com sua Amoris Laetitia. Recordemos estes parágrafos por sua inegável atualidade[44].

Esta ideia foi desenvolvida plenamente em sua excelente Encíclica Caritas in Veritate (2009), onde, de mil maneiras maravilhosas, enraizada na Palavra de Deus e no magistério da Igreja, o Papa recorda que somente na Verdade está a autêntica caridade e a autêntica misericórdia que libertam o homem do pecado. Como vemos, a verdade e a misericórdia não se opõem, nunca o fizeram: estavam unidas em Cristo e no magistério da Igreja. É, portanto, uma falácia querer opor-se misericórdia e justiça, caridade e verdade, pois Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida[45] e a verdade nos liberta[46], não uma falsa misericórdia que abençoa os pecados do homem[47].

Anos antes, em 2005, ele escreve a Encíclica Deus charitas est, onde desmonta os erros que pretendem fazer da caridade uma arma ou de ideologia política, ao tempo que proclama a necessidade de focar o amor nos pobres como um reflexo do amor do homem a Deus, desterrando a interpretação marxista da justiça social[48].

Também vale lembrar a ameaça de cisma que, em setembro de 2011, se dirigiram a Bento XVI com total desfaçatez da Áustria um grupo muito significativo de 329 sacerdotes, liderados pelo presbítero Helmut Schüller, que pedia, nada menos que matrimônios dentro do clero, ordenação de mulheres e de homens casados, comunhão para divorciados, casados em segundas núpcias ou membros de outras religiões, entre outras coisas. Uma avaliação recente levada a cabo pelo instituto de pesquisa Ökonsult neste país tradicionalmente considerado católico, revelou que três quartos dos 2,6 milhões de fiéis apoiavam o manifesto “Chamada à desobediência”, publicado na internet[49]. Em muito parecido sentido foi apresentado na Espanha, pelo grupo herético, que se proclama católico sem ser “Somos Igreja”[50].

Também ajudou o Cardeal Ratzinger a João Paulo II a escrever essa maravilha que é a Encíclica Ecclesia de Eucharistia, de 2003, onde é reafirmada a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja e se recorda a Real Presença de Cristo nela. O que lhe valeu muitas críticas da Alemanha.

Bento XVI também expressou seu desejo de não comparecer à comemoração do 500º aniversário do cisma luterano[51] e não promoveu reuniões de falso ecumenismo.

Todo este discurso ganhou constantemente Bento XVI toda a inimizade do mundo e dos apóstatas disfarçados de cordeiros dentro da Igreja. E é que o mundo não escuta os de Deus e sim os que são do mundo[52].

7. Alguns encontros do Cardeal Bergoglio com o Vaticano, na época de Bento XVI

O Cardeal Bergoglio enfrentou um par de vezes o Vaticano, por dois assuntos menores.

A primeira e mais sonora, quando o porta-voz do Cardeal Bergoglio em Buenos Aires (o padre Guillermo Marcó) criticou duramente a Bento quando ele fez aquela suave alusão crítica ao Islã na Universidade de Ratisbona (setembro de 2006). O padre Marcó baseou seu discurso no fato de o Islã ter trazido muitos bons valores à história e à sociedade (!!!)[53]. Parece evidente que um mero porta-voz não arrogou uma capacidade tão forte de crítica sem que o Cardeal não concordasse. De fato, Francisco fez o mesmo discurso muitas vezes, elogiando o Islã em seu pontificado[54]. O Cardeal Bergoglio levou três meses em remover o porta-voz, diante do mal-estar do Vaticano[55].

O padre Marcó é famoso por sua heterodoxia e passou a pedir liberdade sexual aos católicos e a mudar a prática sacramental da confissão, que deve ser substituída pela primazia da consciência[56]. Se nos perguntamos se Francisco o corrigiu, diremos que não apenas ele não o fez, mas também confirmou que o primado da consciência se diferenciava das normas morais e acima delas (um dos pilares do luteranismo) na Amoris Laetitia. E ele tem premiado o escândalo no vídeo do Apostolado da Oração de janeiro de 2016, em um exercício de sincretismo realmente perturbador[57].

Padre Guilherme Marcó (2)

Padre Guillermo Marcó

A segunda vez foi por ocasião da nomeação do presbítero Víctor Manuel Fernández como reitor da UCA, proposta feita pelo Cardeal Bergoglio e que foi rechaçada várias vezes por Roma, a tal ponto que o Cardeal teve que viajar para a metrópole para resolver o assunto pessoalmente[58]. Francisco, uma vez Papa, recompensou a “Tucho”, como ele próprio pede para ser chamado, com o bispado. Mas o mais grave é que o autor está na sombra de partes importantes da Amoris Laetitia, que já foram escritos antes mesmo dos dois Sínodos da família (!!!)[59]. Ele é autor de livros como “Cure-me com sua boca. A arte de beijar”, é a favor das técnicas orientais de ampliação da consciência[60] e a favor da comunhão dos adúlteros impenitentes[61]. Ele espera que Amoris Laetitia seja o primeiro passo para uma maior abertura pastoral a outros assuntos de fé[62].

Mons. Víctor Manuel Fernández (1)

Monsenhor Víctor Manuel Fernández

8. A estratégia bem-sucedida da Máfia de São Galo e da “Equipe Bergoglio” no Conclave de 2013

Em setembro de 2015, o cardeal Danneels confirmou, na apresentação de sua biografia oficial, algo que já era conhecido como segredo aberto em alguns corrilhos vaticanos: que o Cardeal Carlo Maria Martini havia liderado uma “máfia” (sic) para impedir que o Cardeal Ratzinger fosse eleito no Conclave de 2005 e para que, uma vez eleito, tivesse toda a oposição possível em seu pontificado. E, posteriormente, pressionar ilegalmente pela eleição de um Papa de acordo com seus gostos, diríamos, de adaptar a Igreja ao mundo, um falso profeta, um falso professor.

Cardeal Danneels (1)

Cardeal Danneels

Cardeal Carlo Maria Martini (2)

Cardeal Martini, fazendo gesto maçônico

Se reuniram desde 1996, nada menos. Os membros desse grupo tomaram o nome de Máfia de Saint Gallen pelo nome da abadia suíça onde se reuniam, sob a proteção e conivência de seu Bispo, Ivo Fürer[63].

Bispo Ivo Fürer (1)

Bispo Ivo Fürer

Eram, além dele, que se juntou em 1999 ao Cardeal arcebispo de Milão, Carlo Mario Martini (falecido em 2012) e seu compatriota Achille Silvestrini, os Cardeais alemães Walter Kasper e Karl Lehman, o britânico Basil Hume (falecido em 1999), o Bispo holandês Adriaan Van Luyn e o inglês Cormac Murphy O’Connor.

Cardeal Cormac Murphy O'Connor (1)

Cardeal Cormac Murphy O’Connor

Mons. Adriaan Van Luyn (1)

Mons. Adriaan Van Luyn

O vaticanista Paul Baade confirmou que três dias após a morte de João Paulo II se reuniram em Villa Nazareth, em Roma, os Cardeais Martini, Murphy O’Connor, Silvestrini, Van Luyn, Bakis e Danneels, para impedir a eleição do Cardeal Ratzinger no Conclave seguinte. Felizmente eles não tiveram sucesso. O amigo íntimo de Ratzinger, Cardeal Meisner (que, por acaso, foi um dos 4 Cardeais a apresentar as Dúbias contra Francisco por sua herética Amoris Laetitia) era o inimigo mais feroz desse grupo e poderia contar muitas coisas (se o segredo do Conclave não o impedisse) de como se realizou essa trama[64].

Villa Nazareth (1)

Villa Nazareth, Faculdade fundada pelo Cardeal Silvestrini. O símbolo é a mesma estrela de 5 pontas maçônica[65] que luzia no escudo do Cardeal Silvestrini

Em agosto de 2014, o jornalista inglês Austen Ivereigh, que foi vice-editor da revista The Tablet, diretor de relações públicas do Cardeal Cormac Murphy-O’Connor (membro principal da Máfia de Saint Gallen), arcebispo emérito de Westminster e doutorado com uma tese sobre a Igreja na política da Argentina, ele publicou uma biografia apologética do papa Francisco, The Great Reformer. Francis and the Making of a Radical Pope, onde ele fornece detalhes surpreendentes dos compromissos e pactos que ocorreram dias antes da eleição de Bergoglio em 2013.

Livro O Grande Reformador (1)

Livro The Great Reformer (O Grande Reformador)

Nele, o autor afirma que, nos dias anteriores ao conclave de 2013, quatro Cardeais, Murphy O’Connor, Kasper, Daneels (que não podiam mais participar do ato devido à sua idade) e Lehmann, garantiram o consenso do Cardeal Bergoglio para sua eventual eleição e, depois, puseram em marcha uma campanha para consegui-la[66]. Tudo isto foi desmentido posteriormente pelo padre Lombardi, é claro.

Recordemos que Silvestrini aparece como um dos principais oponentes de João Paulo II no livro acima mencionado do padre Malachi Martin e como um dos mais furiosos apóstatas do partido do Anjo caído.

Há pouco a dizer sobre Kasper, exceto que ele é o principal teólogo de Francisco, quem, em seu primeiro Angelus, já propagou seu livro, chamando-o de teólogo in gamba[67]. Francisco promoveu com entusiasmo seu discurso herético de que os adúlteros podem receber a comunhão. Lidera a união com os protestantes e o desaparecimento da Eucaristia. Preside o Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos. É um representante da Teologia do Reno, caracterizado pela negação dos milagres de Cristo, a separação entre o Cristo histórico e o Cristo da fé, promotor da comunhão dos pecadores impenitentes e a ordenação das mulheres e a interpretação histórico-crítica dos Evangelhos.

Cardeal Walter Kasper (1)

Eu não preciso de uma apresentação, certo?

Do Cardeal Lehmann poderia se dizer o mesmo. Juntamente com Martini, ele solicitou abertamente a renúncia de João Paulo II[68]. E seu grupo já apoiou Bergoglio no Conclave de 2005[69]. E mesmo antes, em 1993, os futuros Cardeais Kasper e Lehmann pediram ao Vaticano que admitisse em comunhão os casais em casamentos irregulares. No ano seguinte, a Congregação para a Doutrina da Fé, dirigida por Cardeal Ratzinger confirmou a doutrina e os ensinamentos de sempre da Igreja, proclamando que tal coisa era impossível[70].

Cardeal Karl Lehmann (1)

Cardeal Lehmann

Do Cardeal Danneels não se pode dizer nada melhor. Em 2010, ele tentou encobrir anos de abuso sexual envolvendo seu amigo e colega, Roger Vangheluwe, Bispo de Bruges, Bélgica. Na reunião com a vítima, o intimidante Cardeal Danneels ordenou que a vítima de abuso permanecesse em silêncio[71] sobre o abuso, que “pediu perdão” e “reconheceu sua própria culpa”. Danneels foi descoberto encobrindo este escândalo de abuso sexual eclesiástico quando a vítima gravou secretamente a conversa. No entanto, o poderoso Cardeal não sofreu consequências e continuou tramando e conspirando a eleição de Jorge Bergoglio como Papa. Este homem não tem medo de ninguém e não está restringido pela doutrina da Igreja, pelo ensino bíblico ou pelo Magistério, que ele jurou manter em seus votos episcopais. Apesar da votação solene, Danneels incentivou a Balduino, Rei da Bélgica, para que firmasse uma lei a favor do aborto[72] e apoiou a emenda para o matrimônio homossexual na Bélgica[73]. Na biografia, que será lançada em 29 de setembro, também é revelado que em maio de 2003, Danneels escreveu uma carta ao primeiro-ministro belga Guy Verhofstad parabenizando-o por ter introduzido o matrimônio para os homossexuais no país e terminado, desta maneira, com discriminação para os casais formados por pessoas do mesmo sexo[74]. No entanto, apesar de todos estes escândalos públicos, Francisco o escolheu como seu representante pessoal para o Sínodo da Família, quando não tinha o direito de fazer parte do mesmo! E não apenas a ele, mas a todo um grupo heterodoxo favorável à comunhão aos adúlteros[75].

A Máfia de São Galo realizou pactos para obter a eleição do Cardeal Bergoglio no Conclave de 2013. Recordemos que as maquinações e acordos entre os cardeais para eleger o Papa estão proibidos pela constituição apostólica Universi Dominici Gregis, promulgada em 1996 e cujo artigo 79 tem a seguinte redação:

“Confirmando também as prescrições dos meus Predecessores, proíbo a quem seja, mesmo que tenha a dignidade de Cardeal, enquanto vive o Pontífice, e sem consultá-lo, fazer pactos sobre a eleição de seu Sucessor, prometer votos ou tomar decisões a este respeito em reuniões privadas”.

No artigo 81, esses compromissos são puníveis com a excomunhão automática[76].

Portanto, todos os Cardeais e Bispos implicados na Máfia de São Galo estão excomungados latae sententiae e também o mesmo Bergoglio, se for confirmado, ao que parece, que ele estava ciente do complô. E há testemunhos muito confiáveis que confirmam que ele estava: Cardeal Murphy O’Connor confessou, como informa o Catholic Herald em 12 de setembro de 2013, que o Cardeal Bergoglio sabia que ele estava sendo promovido como candidato antes do Conclave. Ele também admitiu que, após o Conclave, o Cardeal Bergoglio reconheceu pessoalmente a liderança do Cardeal inglês na campanha para elegê-lo como Papa[77]. Na mesma entrevista, o Cardeal inglês confessou que Bergoglio sabia dos planos para capitanear votos a seu favor e apoiá-lo no Conclave, e manteve discrição a respeito[78].

No capítulo IX do livro O Grande Reformador: Francisco e a criação de um Papa radical, intitulado Conclave, páginas 349-367, Austen Ivereigh detalha como se fez o complô: aprenderam com o Conclave de 2005, onde parece que Bergoglio não estava informado de que o setor herético de Martini o apoiaria frente a Bento XVI e o captaram antes do Conclave de 2013. A eles, Bergoglio respondeu que sim: “Eles primeiro se certificaram de seu assentimento, perguntando se queria, ele disse acreditar que nesse momento de crise da Igreja nenhum Cardeal poderia dizer que não se lhe proporia” (“They first secured his assent. Asked if he was willing, he said that he believed that at this time of crisis for the Church no cardinal could refuse if asked.”[79]). Com este assentimento, Bergoglio foi automaticamente excomungado, sabedor como era da pena de que a Constituição Universi Dominici Gregis lhe impunha em seu art. 81.

A partir de seu consentimento, como revela Austen Ivereigh e o The Wall Street Journal, os Cardeais Murphy O’Connor e O’Malley foram para as cenas prévias do Conclave (durante os dez dias de Congregações) promovendo Bergoglio como candidato[80]. Seu objetivo era alcançar os 25 votos comprometidos antes da primeira votação, o que mostraria mais claramente a aposta por Bergoglio, algo que eles aprenderam com o Conclave fracassado de 2005, de acordo com Ivereigh. Esses votos implicam que os Cardeais eleitores comprometidos a votar no Cardeal Bergoglio caiam também sob a excomunhão do art. 81 mencionada. O Cardeal Santos Abril e Castelló, até recentemente, Arcipreste da Basílica da Espanha em Roma, Santa María la Mayor, fez lobby pelos 19 votos dos Cardeais eleitorais hispânicos (espanhóis e latinoamericanos), com os que teve boas relações depois de ter sido Núncio na Bolívia (1985) e, atenção, na Argentina (2000-2003). Os Cardeais Schönborn, Vingt-trois e Monsengwo Pasinya também ajudaram na coleta de votos. Tudo isto foi feito de maneira muito discreta, separadamente, apenas na semana anterior ao Conclave, a das Congregações (de 4 a 12 de março de 2013), pelo que os meios de comunicação de massas não detectaram. No total, cerca de 30 Cardeais comprometeram seu voto, todos eles excomungados[81].

A cronologia sumária dos fatos pode ser vista aqui[82].

O assentimento de Bergoglio parece comprovado. Além disso, pelos próprios eventos subsequentes, em vista das boas relações que manteve e mantém com Martini, Danneels (quem inclusive estava na sacada do Vaticano no dia da apresentação de Bergoglio como Papa), Kasper, Lehmann ou Marx … Tudo parece indicar que ele foi cúmplice da conspiração para elegê-lo Papa através de pactos proibidos.

Cardeal Santos Abril e Castelló (1)

Cardeal Santos Abril e Castelló

bergoglio-31

9. O Cardeal de Palermo, Paolo Romeo, revela um complô para assassinar Bento XVI em novembro de 2012

Uma renúncia, como indica o Código de Direito Canônico, só é válida se não tem sido obtida por um medo grave injustamente provocado (Cânon 188).

Não pouca coisa parece uma ameaça de assassinato. E em fevereiro de 2012, o jornal italiano revelou uma exclusiva a nível mundial[83]..Foi anunciado que, em uma cena na China em novembro de 2011, o Cardeal de Palermo, Paolo Romeo, fez a alguém uma confidência sobre um complô que se estava preparando para assassinar o Papa dentro de um ano (novembro de 2011 a novembro de 2012[84]). A informação estava contida em um relatório preparado pelo Cardeal colombiano Darío Castrillón Hoyos, que o enviou ao Papa em janeiro do mesmo ano[85].

Cardeal Paolo Romeo (1)

Cardeal Paolo Romeo

Cardeal Darío Castrillón Hoyos (1)

Cardeal Darío Castrillón Hoyos

Deve-se dar credibilidade a esta ameaça, pois também foram feitas especulações muito sérias sobre a morte de João Paulo I (assassinado, aos olhos de muitos investigadores sérios) e sobre a mão eclesiástica por trás do ataque de Alí Agca a João Paulo II. A Maçonaria Eclesiástica, que serve a Satanás, não pára em nada para conseguir seus planos.

Não sabemos se o plano revelado pelo Cardeal Castrillón era verdadeiro ou não, ou se era uma ameaça secreta da Maçonaria para forçar a renúncia. Ameaças sutis, descartadas, são as preferidas dos amigos dos aventais.

10. Uma Carta da Alemanha em setembro de 2012

Recentemente, descobrimos que em setembro de 2012 o Papa Bento XVI recebeu uma carta da Alemanha, a raiz da qual começou a pensar em renunciar. Parece evidente que ele estava sendo ameaçado com algo muito grave e injusto: talvez uma ameaça de cisma ou uma rebelião da Igreja alemã, como a que a Igreja austríaca também defendia anos antes. Talvez essa rebelião pretendia subverter a disciplina dos sacramentos em matéria de casados voltados a casar, pois é precisamente da Alemanha onde estavam os mais protervos defensores desse sacrilégio.

Quem dá a notícia é um sacerdote que escreve com pseudônimo e promete sua veracidade. Além de Bento XVI, só teve acesso à carta, o seu secretário, Mons. Gänswein[86]. De novo, parece que a vontade de Bento XVI não foi livre para se renunciar, mas que, muito possivelmente, o grau de coação alcançado pela Alemanha foi uma causa eficiente, não necessária, de sua renúncia. Parece que justo dias antes da mesma (11 de fevereiro de 2013) ocorreu outro evento de extrema gravidade, que ainda não foi revelado, que puxou o gatilho da renúncia.

11. Últimas informações: pressões do SWIFT e do Governo Obama

Também é público e notório que, desde o início de janeiro de 2013, antes de Bento XVI renunciar ao sistema de transações bancárias mundial, chamado SWIFT[87], cortou a conexão do Vaticano com o resto do mundo, de forma que nenhum turista pudesse pagar nos Museus vaticanos, nenhum trabalhador do Vaticano poderia sacar dinheiro dos caixas eletrônicos e nenhuma transação eletrônica ou em papel (cobrança ou pagamento) poderia ser feita do Vaticano ao resto do mundo, nem para as missões ou para qualquer país. E justo no dia seguinte da renúncia do Papa Bento XVI, a conexão foi restabelecida… Parece que o Banco da Itália não concedeu autorização aos novos sistemas de pagamento eletrônico que o Vaticano havia pactado com o Deutsche Bank[88].

Além disso, se tem conhecido recentemente que o governo Obama teve a ver com a renúncia[89], através da conjunção entre um falso católico (a favor da sodomia e do aborto) como o Vice-presidente Joe Biden, quem se reuniu com Bento XVI em junho de 2012, um falso judeu, Georges Soros (ateu, globalista e luciferino) e John Podestá (amigo dos Clintons) e participante em festas satânicas[90].

É por isso que um grupo de católicos enviou ao novo presidente dos EUA, Donald Trump, uma carta pedindo-lhe que investigue o possível papel da NSA e do Governo Obama na renúncia ao Bento XVI[91].

12. Estudo Jurídico-Teológico da Renúncia de Bento XVI

Conclusão final, que antecipamos aqui

Depois de estudar os fatos anteriores e os documentos que vamos analisar mais abaixo, junto com o Direito Canônico e a teologia aplicáveis, chegamos à seguinte conclusão, que expressamos em duas hipóteses possíveis, que explicaremos nas páginas que seguem:

Primeira hipótese

1ª. Bento XVI apenas renunciou ao ministério de Bispo de Roma e a parte de seu ministério petrino (o governo ativo e ordinário da Igreja universal). Não renunciou ao ofício de Papa (officium), nem ao cargo (múnus petrino), nem ao descoberto ministério petrino. Em relação ao ministério petrino, só renunciou expressamente ao ministério episcopal como Bispo de Roma. Ao conservar também o ministério petrino, ele ainda podia ensinar ocasionalmente – como já fez[92]-, governar de outra forma – secreta ou discretamente[93] .-, e inclusive pode até nos confirmar na fé, como esperamos que muitos o façam, corrigindo Francisco em sua vontade de dar comunhão aos adúlteros sem o propósito de emenda ou, o que é ainda mais grave, como parece que pode ocorrer, se Francisco finalmente dar luz verde à aprovação de uma liturgia conjunta católica-luterana para remover a transubstanciação[94]).

Ou bem, segunda hipótese

2ª. Sua renúncia é nula, por falta de justa causa ou por medo grave injustamente provocado.

Nos dois casos, a conclusão lógica é que Bento XVI continua sendo o Papa, o único Papa válido e legítimo da Igreja. De acordo com a primeira teoria, o Cardeal Bergoglio poderia ser, neste momento, Bispo de Roma, mas não Papa, o que certamente é difícil do ponto de vista canônico, pois uma coisa segue a outra. De acordo com a segunda teoria, nem sequer isso. Deixo no ar se Francisco é ou não o falso profeta do Apocalipse. Os fatos dirão, embora todo o dano que está infligindo à Igreja e às almas aponte nessa direção. Por enquanto, ele está se comportando como um falso profeta e, como tal, é amado pelo mundo (Lucas 6, 26), ao contrário dos papas anteriores e está atacando a Eucaristia, que ele parece não amar (nunca se ajoelha na Consagração, nem diante de Jesus Eucarístico, embora fez em outras ocasiões, como diante dos mártires protestantes de Uganda ou na lavagem dos pés a transexuais e muçulmanos). Basta dizer que está promovendo uma machamartillo (significando algo que se faz com muita firmeza ou constância) – contra as palavras de Cristo e contra o magistério eterno da Igreja – para dar a Eucaristia àqueles que vivem em adultério sem propósito de emenda, desde sua chegada ao trono de Pedro.

Premissas

Distinção entre ofício, múnus e ministério

No direito canônico, o ofício (officium) é o cargo que se ocupa. Somente uma pessoa pode ser seu titular. Conforme o cânon 145.1, o Ofício eclesiástico é qualquer cargo, constituído estavelmente por disposição divina ou eclesiástica, que deve ser exercido para um fim espiritual. Cada ofício envolve uma série de competências, poderes, direito e obrigações (cânon. 145.2). É o que se chama múnus (equivalente a tarefa, obrigação, encargo, missão, função). E esse ofício, com esse múnus, se exerce mediante o ministério, ou seja, com o exercício ativo dessas funções, com o poder de governo efetivo que ele implica. É a ação de administrar.

O esquema seria então:

Ofício (cargo) —– múnus (encargo, competências) —— ministério (exercício das mesmas, governo)

O Papado não é um ofício ou cargo de Direito canônico, mas instituído por disposição divina (“E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” – Mateus 16:18). Seu múnus ou tarefa é confirmar na fé os fiéis católicos (Lucas 22,32). Seu ministério é duplo:

  • ministério papal: ensinar, governar a Igreja universal e santificar os fieis da Igreja universal;
  • ministério de Bispo de Roma ou episcopal: ao ser eleito Papa, se converte automaticamente em Bispo de Roma. Seu ministério próprio é ensinar, governar a Igreja de Roma e santificar seus fieis.

As renúncias papais na história da igreja

Muito foi discutido sobre isto. A única renúncia que se pode assegurar que foi certa e válida foi a do Papa Celestino V. Antes dela, a Enciclopédia Católica registra as renúncias do Papa Ponciano (230-235), do Papa Marcelino (296-308), do Papa Libério (352-366), e do papa João XVIII (1004-1009), que se retirou para um mosteiro para terminar sua vida como monge, embora tenha sido postulado que talvez não fosse por sua própria decisão, mas tem sido forçado por Crescêncio III, morrendo lá depois de alguns meses, em julho de 1009.

Outra que teve muitos sinais de ser certa foi a do papa Bento IX em 1045. Com o fim de livrar a Igreja do escândalo, o Papa Gregório VI deu a Bento posses valiosas ao renunciar ao Papado a seu favor. Gregório VI renunciou em 1046 devido ao acordo que havia firmado com Bento IX ter sido considerado simonia. O sucessor de Gregório VI, o Papa Clemente II, morreu em 1047, pelo que Bento IX se tornou novamente Papa.

A renúncia a um Papado mais conhecida e a única considerada incontestável é a do Papa Celestino V, em 1294. Depois de apenas cinco meses de pontificado, ele emitiu um decreto declarando solenemente permitido que um Papa renunciasse, e logo fez o mesmo. Posteriormente, ele viveu mais dois anos como eremita, mas terminou seus dias encarcerado por seu sucessor, o Papa Bonifácio VIII, que o temia como a um rival; pelo que foi canonizado. O decreto papal que emitiu terminou com algumas dúvidas entre os canonistas sobre a possibilidade de que uma renúncia de um Papa seja realmente válida.

Posteriormente, o Papa Gregório XII (1406-1415) renunciou em 1415 para por fim ao Cisma do Ocidente, onde se tinha chegado a um momento no qual havia três reclamantes ao trono papal: o Papa romano Gregório XII, o antipapa Bento XIII de Aviñón – no Papado de Aviñón -, e o antipapa Juan XXIII, fruto do Concílio de Pisa. Antes de renunciar formalmente, o já existente Concílio de Constanza o autorizou a eleger o seu sucessor.

Nos 598 anos seguintes, não houve novas renúncias papais, até que em 11 de fevereiro de 2013, o papa Bento XVI anunciou que renunciaria em 28 de fevereiro do mesmo ano.

Também houve na história da Igreja algumas renúncias condicionadas que não entraram em vigor. Assim, antes de partir para Paris para coroar Napoleão Bonaparte em 1804, o papa Pio VII (1800-1823) firmou um documento de renúncia, que só poderia surtir efeito se ele fosse preso na França. Também, durante a Segunda Guerra Mundial, o papa Pio XII elaborou um documento com instruções para que, caso fosse sequestrado pelos nazistas, deveria considerar-se que ele havia renunciado ao cargo e que se evacuasse o Colégio cardinalício para Portugal; país neutro da contenda, para ali poder escolher um sucessor.

São válidas as renúncias papais?

A maioria dos autores acreditam que sim. Celestino V assim o estabeleceu, e seu sucessor, Bonifácio VIII, regulou a instituição, incluindo-a nos Decretais. Ainda mais, acrescento, já que sabemos que nem todas as eleições dos Papas foram feitas pelo Espírito Santo, uma vez que a Igreja só garante que o Espírito Santo assista ao Conclave e inspira todos os eleitores a escolher o candidato que Deus quer, mas não pode garantir que os Cardeais eleitores rejeitem as graças recebidas e escolham seu candidato por gostos pessoais, pactos, simpatias, afinidade, nacionalidade etc. Há eleições papais, portanto, que não foram feitas por Deus, mas pelos homens. E isso não é um obstáculo para que o candidato, uma vez eleito, se aceite o cargo, para se tornar um Papa válido e legítimo. Deus já estará encarregado de ajudar e auxiliar com sua graça o Papa escolhido. A barca é levada por Ele. Assim acreditava então o Cardeal Ratzinger, que fez essas declarações em 1997: “Existem Papas que o Espírito Santo provavelmente não teria escolhido. O Espírito Santo age como um bom maestro, mas não dita o candidato”[95].

No entanto, não faltam autores que acreditam que não é válido renunciar ao Papado, pois se trata de uma instituição divina. Há os que consideram erroneamente, a meu juízo, que a escolha é divina. Nos posicionamos com a primeira posição.

A renúncia, segundo o direito canônico

A renúncia de um ofício eclesiástico é regulamentada no Código de Direito Canônico em seus cânones 187 e 188. Vejamos seu teor literal:

187 O que se encontra em sã consciência pode, com justa causa, renunciar a um ofício eclesiástico.

188 É nula em virtude da própria lei a renúncia feita por medo grave injustamente provocado, dolo, erro substancial ou simonia.

A renúncia ao Papado (renuntiatio muneri suo/rinunciare al suo ufficio/renoncer á sa charge/resign his office) está incluída no cânon 322.2. Diz assim:

“Se o Romano Pontífice renunciasse a seu ofício, se requer para a sua validez que a renúncia seja livre e se manifeste formalmente, mas que não seja aceita por ninguém”.

Vejamos a continuação das provas e elementos de juízo de que disporemos, comentadas uma por uma. Em seguida, tiraremos uma conclusão final, que é a que antecipamos acima.

A. O texto da renúncia[96]

Renúncia do Papa Bento XVI (3)

Este texto foi lido por Bento XVI no dia 11 de fevereiro de 2013, segunda-feira, dia da aparição da Virgem Imaculada em Lourdes (detalhe no menor, como guia do Céu protegendo sua Igreja). Possivelmente Bento XVI consultara durante o fim de semana o assunto com seus colaboradores mais confiáveis, dada a extrema gravidade de uma circunstância acontecida poucos dias antes. Sublinho os elementos importantes em negrito e ponho em maiúsculos alguns especialmente relevantes. Diz assim:

“Queridíssimos irmãos,

Os tenho convocado a este Consistório, não apenas pelas três causas da canonização, mas também para lhes comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de haver examinado reiteradamente ante Deus a minha consciência, cheguei à certeza de que, devido à minha idade avançada, não tenho mais forças para exercer ADEQUADAMENTE o ministério petrino. Estou muito ciente de que este ministério, por sua natureza espiritual, deve ser levado a cabo não unicamente com obras e palavras, mas também e no menor grau sofrendo e rezando. No entanto, no mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevância para a vida de fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que, nos últimos meses, tem diminuído em mim de tal forma que tenho que reconhecer minha incapacidade para exercer BEM o ministério que me foi encomendado. Por isto, sendo muito consciente da seriedade deste ato, com plena liberdade, declaro que RENUNCIO AO MINISTÉRIO DE BISPO DE ROMA, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pelos Cardeais em 19 de abril de 2005, de forma que, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20 horas, a Sede de Roma, a Sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por meio de quem tem competências, o conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Queridíssimos irmãos, os dou as graças de coração por todo o amor e o trabalho com que haveis levado comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora, confiamos a Igreja aos cuidados de seu Sumo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e suplicamos a Maria, sua Santa Mãe, que assista com sua materna bondade os Padres Cardeais na escolha do novo Sumo Pontífice. No que me diz respeito, também no futuro, gostaria de servir de todo o coração a Santa Igreja de Deus com uma vida dedicada à oração”.

Vaticano, 10 de fevereiro de 2013.

Comentário

1. Vemos que Bento XVI enfatiza que está em plena posse de suas capacidades mentais, uma condição necessária para que a renúncia seja válida. Necessário, mas não o suficiente. Pode considerar-se “causa justa” a diminuição de seu vigor físico e espiritual? A meu juízo, é muito discutível. Por causa justa, devemos entender uma razão objetiva que impeça seguir sendo Papa. E não parece uma razão convincente, porque as faculdades mentais de Bento XVI estavam intactas. Ter menos força impediria o Papa de ir, por exemplo, à JMJ no Brasil, mas nada o impediria de enviar um delegado ou emitir uma mensagem televisiva de Roma. Nos parece, portanto, absurda, e não deixa de ser uma forma de chamar a atenção para outras possíveis causas reais de sua renúncia, que Bento XVI dissera em uma entrevista ao Diario La Repubblica que renunciou porque não tinha forças para participar da JMJ do Rio de Janeiro[97]. Igualmente absurda é a razão que Bento XVI deu quando lhe perguntaram por que, depois de renunciar, ele não usa uma batina preta, preferindo a branca que apenas os Papas podem usar, ao que ele respondeu que não havia batinas pretas no armário nesse momento[98]. Novamente, por trás desta resposta absurda (como não haverá batinas negras no Vaticano?) parece que Bento XVI está querendo chamar a atenção sobre as razões graves de sua renúncia. Essas respostas absurdas parecem apontar para uma reserva mental realizada por Bento XVI para não descobrir-se, mas, ao mesmo tempo, apontam para algo muito mais grave…

Em fim, a maioria dos Papas que o precederam morreram de velhice e nunca foi a norma na Igreja que a decrepitude física ou espiritual justificasse a renúncia ao cargo. Não cabe interpretar, pois, justa causa, como “motivadamente”; não basta dar qualquer motivo; não basta o mero voluntarismo (porque o sujeito o deseja ou quer). Tenhamos em conta que é algo muito sério ser Papa e que, igualmente, por uma causa muito séria deveria poder renunciar um deles. Não se dá, pois, a meu juízo, o pressuposto de fato da renúncia e isso a invalida.

2. Mas imaginemos, não obstante, que a causa é justa, a fim de continuar elucidando: Bento XVI apenas renuncia ao seu Ministério como Bispo de Roma. Como dissemos, para ser Bispo de Roma, tem que ser primeiro o Papa. O primeiro é ser Papa e, logo, como conseqüência, se é automaticamente Bispo de Roma. Ser Bispo de Roma faz parte do seu ministério como Papa, mas não o único: há um ministério petrino como Pastor universal e um ministério episcopal, como Bispo de Roma. Parece que ele renuncia ao ministério episcopal romano, não ao completo ministério petrino (que é inerente à condição papal), nem, por suposição, ao múnus.

3. Bento XVI não diz em nenhum momento que não pode exercer de nenhum modo o seu ministério petrino. Ele diz apenas que não pode exercer “adequadamente” ou “bem”. Isto é, continua dizendo que o exercerá de outra forma, capitidisminuida (diminuída), debilitada, sim, mas a exerce. Como é essa nova forma de exercê-lo? Deixando de exercer o ministério episcopal, ao qual ele renuncia, e exercendo-o mediante a oração e a penitência.

4. Apesar disso, ele diz que, desde sua renúncia a sede está vacante e que um novo Papa deve ser nomeado: esta frase é certamente contrária ao que foi dito acima nos dois pontos anteriores. Neste caso, cremos que tem feito uma reserva mental. Ademais, como vimos acima neste documento, cremos firmemente que existiam circunstâncias que o pressionaram de modo irresistível para renunciar (mas alguma extremamente grave que ocorreu poucos dias ou horas antes da renúncia em si), o que torna a renúncia nula por medo grave injustamente provocado.

Sobre o medo grave, recordemos que o próprio Bento XVI disse a Peter Seewald que não deveria se renunciar por medo. Para começar, ele mesmo deve estar prevendo problemas graves com a Maçonaria (os lobos em pele de cordeiro, porque conhecia a infiltração maçônica na Igreja por décadas, que sofreu), e porque justo depois de sua eleição, na Missa de sua Entronização, Bento XVI pede aos fiéis para rezar por ele, “para que não fuja por medo diante dos lobos”[99].

Como se tem recordado, no livro Luz do mundo, ele diz que um Papa nunca deveria renunciar em ocasiões de perigo, mas ficar para lutar:

“Quando um Papa tem a clara consciência de não ser capaz espiritualmente, mentalmente ou fisicamente, de levar a cabo a tarefa que lhe foi confiado, então ele tem o direito, em determinadas circunstâncias, e também o dever, de renunciar” (Luz do mundo, Libreria Editrice Vaticana, 2010, p. 53).

Neste parágrafo anterior, ele parece antecipar, com três anos de diferença, sua própria renúncia, pelas causas expressadas. Mas diz algo mais, que parece não acontecer nesta ocasião…

“Quando o perigo é grande não se pode escapar. É por isso que este definitivamente não é o momento de renunciar. É precisamente em momentos como este que temos que resistir e superar a situação difícil. Este é o meu pensamento. Pode-se renunciar em um momento de paz, ou nas que simplesmente não pode mais fazê-lo. Mas não se pode fugir no momento do perigo e dizer: Que outro se ocupe” (Luz do Mundo, Libreria Editrice Vaticana, 2010, p. 53).

Uma das duas, ou a pressão maçônica foi muito grande e essa pressão é a causa da renúncia, com o que esta é nula por medo grave provocado injustamente (e tão injustamente); ou realmente não foge, mas fica junto ao rebanho, como pastor, escondido para poder defendê-lo quando chegar o momento, já que não renunciou ao papado, mas ao ministério episcopal.

B. Homilia de Bento de 27 de fevereiro de 2013: deixa cair que segue sendo Papa, pois renunciou apenas ao exercício ativo do Papado

Se trata da última homilia pronunciada por Bento XVI antes de sua renúncia ser efetivada (no dia seguinte, 28 de fevereiro, às 20:00)[100]. Sublinho as partes mais relevantes em negrito: ele expressa que sua aceitação do Papado em 2005 é irrevogável, para sempre, e que mantém o ministério petrino, tendo renunciado apenas a seu exercício ativo. O sublinhado é nosso, e colocamos em maiúsculas as palavras mais marcantes:

“Permita-me aqui voltar novamente a 19 de abril de 2005. A seriedade da decisão reside precisamente no fato de que, a partir daquele momento me comprometia sempre E PARA SEMPRE com o Senhor. Sempre – quem assume o ministério petrino não tem mais privacidade. Pertence sempre e totalmente a todos, a toda a Igreja. Sua vida, por assim dizer, vem despojada da dimensão privada. Eu pude experimentar, e eu experimento precisamente agora, que alguém recebe a vida exatamente quando a dá. Eu já disse antes que muitas pessoas que amam o Senhor também amam o SUCESSOR DE SÃO PEDRO e têm um grande carinho por ele; que o PAPA tem verdadeiramente irmãos e irmãs, filhos e filhas em todo o mundo, e que ele se sente seguro no abraço de vossa comunhão; porque ele não pertence mais a si mesmo, ele pertence a todos e todos pertencem a ele.

O “sempre” é também um “para sempre” – já não existe uma volta ao privado. MINHA DECISÃO DE RENUNCIAR AO EXERCÍCIO ATIVO DO MINISTÉRIO NÃO REVOGA ISTO. Não volto à vida privada, a uma vida de viagens, encontros, recepções, conferências, etc. Não abandono a cruz, mas permaneço de uma nova maneira com o Senhor Crucificado. EU NÃO TENHO MAIS O PODER DO OFÍCIO PARA O GOVERNO DA IGREJA, mas no serviço da oração eu PERMANEÇO, por assim dizer, NO RECINTO DE SÃO PEDRO. São Bento, cujo nome tenho como Papa, será um grande exemplo disto. Ele nos mostrou o caminho para uma vida que, ativa ou passiva, pertence totalmente à obra de Deus.”

Como vemos, o Papa diz que a aceitação do Papado é para sempre. Que quer dizer “é para sempre”? Essa frase é compatível com sua renúncia ao Papado, como foi entendido, como se ele tivesse deixado de ser Papa? Certamente que não. Sendo assistido pelo Espírito Santo em sua condição de Papa, sendo um intelectual completo, um teólogo extraordinário e um homem de palavras precisas, uma frase ambígua não cabe em sua mente nem em seus discursos. A menos que ele quisesse indicar algo, e fazê-lo, justamente, em sua última homilia antes que sua renúncia fosse efetiva, para que quem quisesse e soubesse vê-lo realmente entenderia o alcance real de sua renúncia, mantendo este discurso em seu coração (como Maria), enfrentando os tempos difíceis de apostasia e erro que viriam a partir de então. Recordemos que Bento XVI conhece perfeitamente as mensagens escatológicas dadas pela Virgem em Garabandal e em Akita e leu o texto completo do Terceiro Segredo de Fátima. Ele sabe, então, o que vem a nós: o fim dos tempos e a ascensão do falso profeta e do Anticristo, como um passo prévio para a Parusia. É por isso que foi deixado de lado. E a mensagem criptografada é este: sigo sendo Papa!

Pois bem, se a aceitação do ofício e do múnus petrino é para sempre, o corolário evidente é que não há retorno à vida privada (como tentado por seu antecessor, Celestino V, que realmente renunciou ao Papado). E essa alusão a entregar a vida parece uma clara referência ao sacrifício de Cristo, que dá sua vida por nós, por sua Igreja, como Bento XVI também parece fazer nesse momento supremo de renúncia, pois ficar no recinto de Pedro nos momentos em que a Maçonaria usurpará o Papado é firmar a própria sentença de morte.

Desde logo, as frases-chave, absolutamente transcendentais para entender o que aconteceu em 11 de fevereiro de 2013 (Dia da Imaculada de Lourdes) na história da Igreja, é categórica: “O ‘sempre’ é também um ‘para sempre’ – não há retorno ao privado. Minha decisão de renunciar ao exercício ativo do ministério não revoga isto”. Aqui, Bento XVI proclama sem ambiguidade, a todos, à Igreja e ao mundo, aos quatro ventos, que renuncia apenas ao exercício ativo do ministério. Ele não diz que renuncia ao ministério, mas apenas a seu “exercício ativo”, a parte de seu ministério, como vimos acima no texto da renúncia.

Como um teólogo superlativo que é Bento XVI, ele sabe que não cabem dois Papas simultâneos e válidos: se trata de um ministério de uma pessoa, que em latim chamamos de officium (para diferenciá-lo de um collegium ou órgão colegiado). Ao querer distinguir entre ministério ativo e passivo do Papado, fica claro que Bento XVI quer nos dizer que ele segue sendo Papa, e que quem ocupará o ministério ativo não o será, será o mero Bispo de Roma, ou nem sequer isso, um lobo com pele de cordeiro que parece ter usurpado o Papado. Em outro caso, eu não teria feito essa disquisição, impossível em termos jurídicos e teológicos. Recordemos o que disse Cristo:

João 10, 1-5: “Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobre por outra parte, é ladrão e salteador. Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem. Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz. Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”.

E é que… não parece que tem entrado alguém pulando a cerca do redil e que as ovelhas não reconhecem nela a voz do pastor, mas a de um lobo?

Esta é a interpretação correta da renúncia de Bento XVI. E isso porque a outra interpretação é absurda: ninguém pode pretender que tenha dois Papas, um ativo e outro passivo. Só pode haver um, o que retém o ofício e o cargo.

Bento XVI expressa sua renúncia apenas ao exercício ativo do ministério, de modo que seu Papado NÃO É REVOGADO pela dita renúncia, portanto, ainda é seu titular. Vamos ver que essa frase remite a uma que pronuncia anteriormente em sua homilia, especificamente a esta:

“Quando, em 19 de abril, quase oito anos atrás, aceitei assumir o ministério petrino, tive esta firme certeza que sempre me acompanhou: a certeza da vida da Igreja pela Palavra de Deus”.

Logo, quando ele diz que sua renúncia NÃO REVOGA ISTO, se refere que NÃO REVOGA SEU MINISTÉRIO PETRINO, ISTO É, SEGUE SENDO PEDRO, RENUNCIANDO SOMENTE AO EXERCÍCIO ATIVO DO MESMO, NÃO AO MINISTÉRIO OU MÚNUS.

Finalmente, em sua homilia, ele continua se referindo a si mesmo como “SUCESSOR DE SÃO PEDRO” e como “Papa”, algo estranho estando a apenas algumas horas de deixar de sê-lo, aparentemente…

Papa Bento XVI (17)

C. Explosivas declarações de Mons. Gänswein em que ele diz que Bento XVI continua sendo o único Papa

Monsenhor Georg Gänswein, Secretário pessoal de Bento XVI e Prefeito da Casa Pontifícia da Santa Sé com Francisco, participou em 21 de maio de 2016 da apresentação no Vaticano deste livro de Roberto Regoli, Diretor do Departamento de História da Igreja na Pontifícia Universidade Gregoriana.

Monsenhor Georg Gänswein (1)

Monsenhor Georg Gänswein

Na apresentação deste livro, Mons. Gänswein fez umas declarações escandalosas por sua clareza, denunciando a Máfia de São Galo e deixando cair, a meu juízo, que Bento XVI seguia sendo o único Papa legítimo: confirmou que no ano de 2005, durante o conclave em que foi eleito papa Joseph Ratzinger, houve uma luta de poder entre o “Partido do Sal da Terra” (“Salt of Earth Party”) em torno dos cardeais López Trujillo, Ruini, Herranz, Rouco Varela ou Medina e o assim chamado “Grupo de São Galo” em torno dos cardeais Danneels, Martini, Silvestrini ou Murphy-O’Connor.

Como mencionado acima, as declarações do Mons. Gänswein faziam referência à confissão do Cardeal Godfried Danneels, que há alguns meses, na apresentação de sua biografia, reconheceu a existência de um grupo de cardeais da Europa Central que desde 1996 conspiravam para controlar a sucessão de João Paulo II e impedir o Cardeal Joseph Ratzinger[101] de acessar a Cadeira de Pedro.

Vejamos as declarações de Mons. Gänswein. A citação, embora longa, é necessária. Cito a tradução completa, por sua importância capital, realizada pela web Benedictogaenswein.com[102], e também deixo aqui as declarações originais em italiano[103]:

“Em uma das últimas conversas que o biógrafo do Papa, Peter Seewald (Munique, Baviera), conseguiu ter com Bento XVI, quando se despediu, perguntou: “Você é o fim do antigo e o início do novo?”. A resposta do Papa foi breve e segura: “Um e outro”, respondeu.

O gravador já estava desligado; é por isso que esta última parte da conversa não é encontrada em nenhum dos livros de entrevistas de Peter Seewald, tampouco no famoso Luz do mundo. Se encontra sozinho em uma entrevista que concedeu ao Corriere della Sera, depois da Declaração de renúncia de Bento XVI, na qual o biógrafo recordou aquelas palavras-chaves que figuram, em certo modo, como máxima no livro de Roberto Regoli.

De fato, devo admitir que talvez seja impossível resumir mais concisamente o pontificado de Bento XVI. E o afirma quem em todos estes anos teve o privilégio de viver uma experiência íntima a este Papa como um clássico “homo historicus”, o homem ocidental por excelência, que encarnou a riqueza da tradição católica como nenhum outro; e que – ao mesmo tempo – foi tão ousado que abriu as portas para uma nova fase, para aquela virada histórica que ninguém poderia imaginar há cinco anos. Desde então, vivemos uma era histórica que na bimilenária história da Igreja não tem precedentes.

Como nos tempos de Pedro, também hoje a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica continua tendo um único Papa legítimo. E ainda assim, por três anos, temos dois sucessores de Pedro vivendo entre nós – que não se encontram em um relacionamento competitivo entre eles – e ainda ambos, com uma presença extraordinária! Poderíamos acrescentar que o espírito de Joseph Ratzinger marcou previamente e de forma decisiva o longo pontificado de São João Paulo II, no qual ele serviu fielmente por quase um quarto de século como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Muitos percebem ainda hoje esta nova situação como uma espécie de estado de exceção querido pelo Céu.

Mas chegou o momento de fazer um balanço do pontificado de Bento XVI? Em geral, na história da Igreja, apenas ex post dos papas podem ser julgados e avaliados corretamente. E como prova disso, o mesmo Regoli menciona o caso de Gregório VII, o grande Papa reformador medieval, que no final de sua vida morreu no exílio, em Salerno – fracassado, a juízo de tantos de seus contemporâneos. E, no entanto, foi precisamente Gregório VII, no centro das controvérsias de seu tempo, quem moldou decisivamente a face da Igreja para as gerações seguintes. Tanto mais audaz parece ser hoje o professor Regoli, tratando de fazer, neste momento, um balanço do pontificado de Bento XVI, ainda vivo (…)

E assim, esta obra de Regoli não carece de notas de rodapé, há muitas recordações que me despertam. Porque eu estava presente quando Bento XVI, no final de seu mandato, depôs o anel de pescador, como ocorre na morte de um Papa, embora neste caso ele ainda estivesse vivo! Eu estava presente quando ele, por outro lado, decidiu não renunciar ao nome que havia escolhido, assim como fez o Papa Celestino V quando, em 13 de dezembro de 1294, a poucos meses do início de seu ministério, se converteu de novo em Pietro dal Morrone.

Por isso, desde 11 de fevereiro de 2013, o ministério papal já não é como tem sido até agora. É e continua sendo o fundamento da Igreja Católica; e, no entanto, é um fundamento que Bento XVI tem transformado profundamente e de forma duradoura em seu pontificado de exceção (Ausnahmepontifikat), com relação ao qual o sóbrio Cardeal Sodano, reagindo com imediatismo e simplicidade depois da surpreendente Declaração de Renúncia, profundamente emocionado e preso de desconcerto, exclamou que aquela notícia ressoou entre os cardeais presentes “como um raio no céu despejado”. Era a manhã daquele mesmo dia em que, à noite, um raio quilométrico com um ruído estrondoso atingiu a ponta da cúpula de São Pedro, situada sobre a tumba do Príncipe dos apóstolos. Rara vez o cosmos tem acompanhado mais dramaticamente um ponto de inflexão histórico. Mas, na manhã daquele 11 de fevereiro, o decano do Colégio cardinalício, Angelo Sodano, concluiu sua réplica à Declaração de Bento XVI com uma primeira e analogamente cósmica avaliação do pontificado, quando ao final disse: “É verdade que as estrelas do céu continuarão sempre brilhando e assim a estrela de seu pontificado brilhará sempre entre nós”.

Raio Igreja Vaticano (2)

Igualmente brilhante e esclarecedora é a exposição profunda e bem documentada de Dom Regoli sobre as diversas fases do pontificado. Sobretudo a relativa ao início, o conclave de abril de 2005, do qual Joseph Ratzinger, depois de uma das eleições mais breves da história da Igreja, foi eleito após apenas quatro votações que se seguiram a uma dramática luta entre os chamados “Partido Sal da Terra” em torno dos cardeais López Trujíllo, Ruini, Herranz, Rouco Varela e Medina e o denominado “Grupo de São Galo” em torno dos cardeais Danneels, Martini, Silvestrini e Murphy-O’Connor; grupo que recentemente, o mesmo Cardeal Danneels de Bruxelas, de uma maneira divertida tem definido como “uma espécie de máfia-clube”. A eleição foi certamente o resultado de um confronto, a chave havia proporcionado o mesmo Ratzinger como cardeal decano, na histórica homilia de 18 de abril de 2005 em São Pedro; precisamente ali, onde “Uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida apenas o eu e seus próprios desejos” contrastava outra medida: “O Filho de Deus e verdadeiro homem” como “a medida de verdadeiro humanismo”. Esta parte de inteligente análise de Regoli, hoje parece quase como uma obra de suspense há pouco tempo; enquanto, em vez disso, a “ditadura do relativismo” há muito tempo se expressa de maneira esmagadora através dos muitos canais de novas mídias que, em 2005, apenas podíamos imaginar.

O nome que o novo Papa adotou após sua eleição foi, portanto, um programa. Joseph Ratzinger não se converte em João Paulo III, como talvez muitos houvessem desejado. No entanto, Bento XVI está ligado ao grande Papa da paz, incompreendido e desafortunado nos terríveis anos da Primeira Guerra Mundial – e a São Bento de Norcia, patriarca do monasticismo e patrono da Europa. Pude comparecer como testemunha para testemunhar que, nos anos anteriores, o cardeal Ratzinger nunca havia pressionado para obter o mais alto posto na Igreja Católica.

Em vez disso, ele sonhava vividamente com uma posição que lhe permitiria escrever alguns últimos livros em paz e tranquilidade. Todos sabemos que as coisas não foram assim. Durante a eleição, depois, na Capela Sistina, eu testemunhei que ele viveu a eleição como um “verdadeiro choque” e se sentia “perturbado”, sentiu “vertigem” assim que percebeu que “o machado” da eleição recaia sobre ele. Não revelo nenhum segredo porque foi o próprio Bento XVI o primeiro a confessar tudo isto publicamente por ocasião da primeira audiência concedida aos peregrinos que chegavam da Alemanha. Desta forma, não surpreende que Bento XVI tenha sido o primeiro Papa que, logo após sua eleição, convidou os fiéis a rezar por ele, fato que ele mais uma vez se recorda deste livro.

Não é necessário que aqui me detenha sobre como ele, que foi tão duramente golpeado pela repentina morte de Manuela Camagni, mais tarde também sofreu com a traição de Paolo Gabriele, um membro da mesma “Família Pontifícia”. E, no entanto, é bom que eu diga de um bom tempo e com toda claridade que Bento não renunciou por causa do pobre e mal guiado assistente de câmera, nem tampouco por causa das “ghiottonerie” provenientes de seu apartamento que, no chamado de “affaire Vatileaks”, circulavam por Roma como moeda falsa mas foram comercializados no resto do mundo como autênticas barras de ouro. Nenhum traidor ou “toupeira” ou qualquer jornalista poderia ter empurrado essa decisão. Esse escândalo era demasiado pequeno para a magnitude do passo bem ponderado de importância milenar histórica que realizou Bento XVI.

A exposição desse fato por parte de Regoli merece consideração, pois ele não pretende sondar e explicar completamente este último, passo misterioso; não promove esse enxame de lendas com mais suposições que pouco ou nada têm a ver com a realidade. E eu também, testemunha imediata daquele passo espetacular e inesperado de Bento XVI, tenho que admitir que por isso me vem de novo à mente o notável e genial axioma com a qual na Idade Média, Giovanni Duns Scoto justificou o divino decreto da Imaculada concepção da Mãe de Deus: “Decuit, potuit, fecit”.

A saber: era conveniente, porque era razoável. Deus podia, e por isso o fazia. Eu aplico o axioma à decisão da renúncia do seguinte modo: era conveniente, porque Bento XVI sabia que suas forças estavam diminuindo, tão necessárias para um trabalho de tal magnitude. Podia fazê-lo, porque refletia desde há muito tempo, do ponto de vista teológico, sobre a possibilidade de Papas eméritos no futuro. Assim o fez.

A renúncia transcendental do Papa teólogo representou um passo para encaminhar essencialmente pelo fato de que em 11 de fevereiro de 2013, falando em latim diante dos surpreendidos Cardeais, ele introduziu a nova instituição do “Papa emérito” na Igreja Católica, declarando que sua forças não eram suficientes “para exercer adequadamente o ministério petrino”. A palavra-chave daquela declaração é munus petrinum, traduzido como ocorre na maioria das vezes, como “ministério petrino”. No entanto, munus, em latim, tem uma grande variedade de significados: pode significar serviço, encargo, guia ou dom, até prodígio. Antes e depois de sua renúncia, Bento XVI tem entendido e entende sua tarefa como a participação no tal “ministério petrino”. Ele deixou a cadeira pontifícia e, no entanto, com a passagem de 11 de fevereiro de 2013, não tem abandonado de fato este ministério. Por outro lado, ele integrou o cargo pessoal em uma dimensão colegial e sinodal, quase um ministério em comum, como se com isto quisesse confirmar mais uma vez o convite contido naquele lema que o então Joseph Ratzinger escolheu como arcebispo de Munique e Freising, e que logo naturalmente manteve como Bispo de Roma: “cooperatores veritatis”, que significa concretamente “cooperador da verdade”. De fato, não está no singular, mas no plural, traduzido da terceira carta de João, na qual está escrito no versículo 8: “Temos que acolher estas pessoas para convertê-las em cooperadores da verdade”.

Desde a eleição de seu sucessor, Francisco, em 13 de março de 2013, não há portanto dois papas, mas, de fato, o ministério se expandiu – com um membro ativo e um membro contemplativo. Por isto, Bento XVI não tem renunciado nem ao seu nome nem à batina branca. Por isto, o apelativo correto para se dirigir a ele ainda hoje é de “Santidade”; e por isto, tampouco se tem retirado a um monastério isolado, mas dentro do Vaticano – como se apenas tivesse dado um passo ao lado para dar espaço a seu sucessor e a uma nova etapa na história do Papado que ele, com esse passo, tem enriquecido com o “eixo” de sua oração e de sua compaixão posta nos jardins vaticanos.

Foi “o passo menos esperado do catolicismo contemporâneo”, escreve Regoli e, pelo contrário, uma possibilidade sobre a qual o Cardeal Ratzinger já havia refletido publicamente em 10 de agosto de 1978 em Munique, em uma homilia por ocasião da morte de Paulo VI. 35 ANOS DEPOIS, ELE NÃO TEM ABANDONADO O ENCARGO DE PEDRO, COISA QUE TERIA SIDO IMPOSSÍVEL COMO CONSEQUÊNCIA DE SUA ACEITAÇÃO IRREVOGÁVEL DO ENCARGO EM ABRIL DE 2005. Com um ato de extraordinária audácia, ele, por outro lado, renovou este encargo (também contra as opiniões de consultores bem-intencionados e, sem dúvida, competentes) e, com um último esforço, ele o aprimorou (como espero). Isto certamente pode ser demonstrado unicamente pela história. Mas na história da Igreja permanecerá que naquele ano 2013, o célebre teólogo sobre a Cadeira de Pedro se tornou o primeiro “Papa emérito” da história. Desde então, seu papel – eu gostaria de repetir mais uma vez – é completamente diferente daquele, por exemplo, do Santo Papa Celestino V, que depois de sua renúncia em 1294 queria ser um eremita novamente, tornando-se, em vez disso, em prisioneiro de seu sucessor Bonifácio VIII (à qual devemos hoje na Igreja a instituição dos anos do jubileu). Um passo como o de Bento XVI até agora nunca havia acontecido. Por isso, não surpreende que, para alguns, tenha sido percebido como um ato revolucionário ou, pelo contrário, absolutamente conforme com o Evangelho; enquanto outros ainda o vêem como o Papado secularizado como nunca antes e, portanto, mais coletivo e funcional ou simplesmente mais humano e menos sagrado. E outros são da opinião de que Bento XVI, com este passo, falando em termos teológicos e histórico-críticos – quase desmistificou o Papado.

Em sua visão panorâmica do pontificado, Regoli expõe tudo isto claramente, como ninguém havia feito antes. Talvez a parte mais comovente de sua leitura tenha sido para mim o passo em que, em uma larga citação, ele se lembra da última audiência geral de Bento XVI, em 27 de fevereiro de 2013, quando, sob um inesquecível céu claro e limpo, o Papa que fazia pouco havia renunciado, resume seu pontificado desta maneira:

“Tem sido um trecho do caminho da Igreja, que teve momentos de alegria e de luz, mas também momentos não fáceis; eu me senti como São Pedro com os apóstolos no barco no lago da Galiléia: o Senhor nos deu muitos dias de sol e de brisa suave, dias em que a pesca tem sido abundante; houve também momentos em que as águas se agitaram e o vento era contrário, como em toda a história da Igreja, e o Senhor parecia dormir. Mas eu sempre soube que nessa barca estava o Senhor e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas que é Sua. E o Senhor não deixa que se afunda; É Ele quem a conduz, certamente também através dos homens que tenha escolhido, pois assim o tem querido. Isto tem sido e é uma certeza de que nada pode manchar”.

Devo admitir que, ao reler estas palavras, agora quase me voltam as lágrimas aos meus olhos, tanto por ter visto pessoalmente, de perto e de forma incondicional, como ele mesmo e seu ministério, que se traduz na adesão do Papa Bento às palavras de São Bento, segundo as quais “nada deve acontecer antes do amor de Cristo”, nihil amori Christi praeponere, conforme se diz na regra ditada pelo papa Gregório Magno. Eu era então testemunha, mas ainda estou fascinado com a precisão dessa última análise na Praça de São Pedro, que parecia tão poética, mas que não era mais do que profética. De fato, são palavras que até hoje Francisco firmaria de imediato e sem dúvida se inscreveria. Não aos papas, mas a Cristo, ao Senhor mesmo e a ninguém mais pertence a nave de Pedro, batida pelas ondas em um mar de tempestade, quando uma e outra vez tememos que o Senhor durma e que não se preocupe de nossas necessidades, enquanto lhe basta uma só palavra para cessar todas as tormentas; quando, em vez disso, o que nos faz entrar continuamente em pânico, mais do que as altas ondas e o uivo do vento, é a nossa descrença, nossa pouca fé e nossa impaciência.

Assim, este livro lança de novo um olhar reconfortante sobre a pacífica imperturbabilidade e serenidade de Bento XVI, no comando da barca de Pedro nos dramáticos anos 2005-2013[104]”.

Depois de várias leituras pausadas e meditadas sobre as palavras de Mons. Gänswein, creio que podemos resumir nos seguintes pontos o que Mons. Gänswein nos tem querido dizer, que vim a confirmar o que temos tomado mais acima do texto da renúncia de Bento XVI e de sua última homilia, em 27 de fevereiro de 2013:

1.     Desde a renúncia de Bento XVI, vivemos um estado de exceção, querido pelo Céu. Se Bento XVI não fosse Papa por haver renunciado, não se entende por que existe um estado de exceção, que, no Direito, pode ser declarado quando existe um golpe de estado ou ameaça de tal (!!!)

2.     Esta época foi inédita na história da Igreja: a renúncia de Bento XVI é diferenciada por Mons. Gänswein, portanto, da renúncia conhecida de Celestino V, quem renunciou verdadeiramente ao Papado e passou a ser simplesmente “Pietro de Morrone”. À diferença desse antecedente, algo distinto acontece com Bento XVI, porque após sua renúncia ele continua sendo chamado de Bento XVI.

3.     Desde sua renúncia, Bento XVI tem transformado seu Pontificado (que iniciou em 2005) em um Pontificado de exceção: parece significar que seu pontificado continua, embora transformado.

4.     Desde o dia 11 de fevereiro, o Pontificado já não é como havia sido até agora: se ele considerasse Francisco o Papa legítimo e único, não haveria lugar para essa frase, já que desde a renúncia de Bento XVI todos acreditam que Francisco é Papa, como tem sido todos os 266 Papas que o precederam. Essa frase implica que há algo novo que transformou o Papado e não pode (por redução ao absurdo), mas se refere ao fato de que há um Papa que permanece legítimo, em um estado de exceção, mesmo que haja alguém vestido como Papa (Francisco), que parece governar sem ser Papa. É por isso que Gänswein diz: “Bento XVI tem transformado profundamente e de forma duradoura em seu pontificado de exceção (Ausnahmepontifikat), do que antes disse que era querido assim pelo Céu, como se Deus tivesse inspirado Bento a transformar seu pontificado normal em um Pontificado distinto por gravíssimas razões, permanecendo como Papa em Roma, sem aparência de sê-lo.

5.     No Direito Constitucional, a declaração de um “Estado de exceção”, uma idéia teorizada por Carl Schmitt na Alemanha (seguida por outras como Tingsten ou Carl Friedrich), exige a existência de causas de excepcional gravidade (externas – como guerras externas, mas também internas – como uma revolução interna, golpe de estado, uma guerra civil ou sublevações. Mons. Gänswein parece querer aludir com esta expressão a um golpe de Estado ou sublevação da Maçonaria contra o Papa legítimo, Bento XVI) que impliquem uma situação em que os poderes do Poder Legislativo passam exclusivamente ao Executivo (mutatis mutandi, que Bento XVI mantém todo o poder do Papado, do ofício e do múnus, sem exercê-lo). Em suma, nestes casos, está permitido o estabelecimento de uma ditadura à maneira romana ou Führerprinzip, onde o executivo (aqui Bento XVI) exerce o poder, de forma excepcional, talvez de maneira discreta e privada, como poderia estar fazendo discretamente (ou até não) de sua residência no mosteiro Mater Ecclesiae, e com a finalidade legítima de proteger o Estado (aqui a Igreja), de um inimigo externo ou interno, embora também possa passar ao ataque. Além disso, no estado de exceção, as comunicações são frequentemente suspensas (por isso Bento XVI apenas faz declarações). Implica um estado de necessidade, onde as normas, as leis, são suspensas[105].

6.     Que estamos diante de um estado de exceção tem sido também revelado por Deus, que fez cair um raio sobre a Cúpula do Vaticano no mesmo dia da renúncia, acompanhando esse dramático momento da história da Igreja (às 19h30).

7.     De forma profética, o Cardeal Sodano, talvez inconscientemente, diz que a estrela do Pontificado de Ratzinger continuará brilhando (reinando como Papa).

8.     No Conclave de 2005, houve uma luta entre o setor católico e o setor apóstata da Máfia de São Galo, que Gänswein diz personificar a ditadura do relativismo e do próprio ego, e o desejo de poder, no que constitui uma “obra de suspense”.

9.     Ele diz que Bento XVI escolheu o nome de Bento por Bento XV, que teve que reinar em uma Guerra Mundial. E por São Bento (acrescento que São Bento teve que sofrer o confronto de seus irmãos na abadia, que queriam um relaxamento das regras, a ponto de tentarem envenená-lo, que, pela graça de Deus, não acabou acontecendo depois de cuja tentativa de envenenamento, ele renunciou[106]).

10.  Bento XVI não renunciou devido ao escândalo do Corvo do Vaticano ou por outras informações saídas de seu apartamento no Vaticano. Tudo isto, diz ele, era um escândalo pequeno demais para fazê-lo renunciar. Com isto, está começando a dizer que a causa de sua missão devia ser muito mais grave.

11.  A renúncia foi inesperada, mas bem ponderada por Bento XVI.

12.  Embora Gänswein diga que Bento XVI há muito tempo havia levantado a hipótese sobre a possibilidade da renúncia e a existência de Papas Eméritos, esquece-se de mencionar que, em “Luz do Mundo”, quando o faz, ele explica que não se deve renunciar quando há graves perigos que ameaçam a Igreja, como parecia evidente que os sabia.

13.  Para Gänswein, Bento XVI, em sua renúncia, diz que não pode mais exercer seu ministério petrino adequadamente. Logo poderia exercê-lo, mas de outra forma. E é por isso que ele diz que Bento XVI continua a exercê-lo, mesmo após sua renúncia, mantendo seu ministério petrino. Seu cargo pessoal, diz, foi integrado em uma dimensão colegial, quase um ministério em comum. Estas palavras certamente descolocam, pois sabe perfeitamente Mons. Gänswein que o Papado é um ministério de uma pessoa, logo, com essa afirmação assombrosa, uma de duas: ou está dizendo uma heresia, isto é, que cabe um Papado duplo e simultâneo (na linha da interpretação que fizemos na nota de rodapé como pouco provável), que é impossível do ponto de vista teológico e jurídico-canônico; ou, o que é mais grave, com esta afirmação bizarra, ele nos queria dizer de uma maneira enigmática, por redução ao absurdo, que Bento XVI segue sendo Papa, por seguir mantendo o ofício e o múnus petrino após sua renúncia, embora de outra forma, menos adequada, sem exercê-lo. Não cabe um tertium aliud.

14.  “Desde a eleição de seu sucessor, Francisco, em 13 de março de 2013, não há, portanto, dois Papas, mas, de fato, o ministério se expandiu, com um membro ativo e um membro contemplativo. Aqui está a chave de toda a sua declaração: Bento XVI renunciou apenas parte de seu ministério (ao exercício ativo), mas mantém uma espécie de “ministério petrino descoberto”, que, por enquanto, só pode ser exercido com oração. Por isto, Bento XVI não renunciou ao seu nome e nem à batina branca”. Diz que a continuação é por esta razão, ou seja, porque Bento XVI segue mantendo o múnus petrino, pelo que decidiu ficar no Vaticano com aparência de Papa, usando uma batina branca e mantendo seu nome (como dito anteriormente) e o tratamento de “Santidade” e – isto é importante – não renunciando realmente a seu ministério, como fez Celestino V (que renunciou ao Papado e, portanto, ao múnus e ao ministério), quem, como Pietro de Morrone, se retirou a uma abadia para rezar. Ao contrário dele, Bento XVI decide ficar no Vaticano, dando um mero “passo ao lado”, exercendo de outro modo (rezando) o múnus e o ministério petrino.

15.  Resumindo: é patente e claríssimo, porque o diz muitas vezes que, segundo Mons. Gänswein, Bento XVI conserva ainda o múnus petrino, mas de outra forma, não exercendo o governo, mas rezando. E isso é impossível, a menos que siga sendo Papa. E se é Papa, Francisco não é, porque o múnus petrino não é divisível nem compartilhável, salvo que se pretenda que o Cardeal Bergoglio seja apenas Bispo de Roma. Na minha opinião, parece claro que Gänswein, amigo pessoal e secretário de Bento XVI (que o ordenou Bispo um mês antes da renúncia!), nos quer dizer nesta larga alocução que Bento XVI segue sendo o único Papa legítimo, e é muito preciso e claro nesta frase, que cito textualmente: “… ELE NÃO TEM ABANDONADO O ENCARGO DE PEDRO, COISA QUE TERIA SIDO IMPOSSÍVEL COMO CONSEQUÊNCIA DE SUA ACEITAÇÃO IRREVOGÁVEL DO ENCARGO EM ABRIL DE 2005”. O Papado, ele diz, é irrevogável; portanto, após sua renúncia, segue sendo Papa. Aqui Mons. Gänswein chega a coincidir com Bento XVI, que já disse em sua homilia em 27 de fevereiro de 2013 que “sempre é para sempre”[107].

16.  A renúncia significou apenas uma renovação de sua aceitação, diz ele. E por isso seu rol, após sua renúncia, é distinto ao de Celestino V, quem realmente renunciou de seu múnus e se retirou. E aqui vem uma afirmação extremamente grave e reveladora, porque é uma informação que não era necessária nem relevante no discurso de Gänswein: ele diz que Pietro de Morrone foi feito prisioneiro de seu sucessor, Bonifácio VIII (talvez como está Bento XVI de Francisco e sua máfia maçônica?). Era necessário adicionar essa informação? De Verdade?

Não é preciso dizer que Mons. Gänswein não ousaria fazer estas gravíssimas declarações sem contar com o apoio do próprio Bento XVI, quem tirou as mesmas conclusões em sua última homilia no Vaticano, já renunciado, em 27 de fevereiro de 2013. Se trata de um homem discreto que fala pouco, por isso surpreendeu tanto a longa apresentação, deixando cair tantas coisas e tão graves…

D. Mais outra prova de que Bento XVI não renunciou ao ofício nem ao múnus petrino: não usou a fórmula da renúncia estabelecida por Bonifácio VIII

A norma expressa que regula a disciplina sobre a renúncia papal se encontra na Constituição Apostólica Quoniam aliqui, que foi recebida no Código de Direito Canônico de 1917, e atualmente no cânon já citado do CDC de 1983, 322.2.

Vejamos o texto desse decreto de Bonifácio VIII:

“Quoniam aliqui curiosi disceptantes de his, quae non multum expediunt, et plura sapere, quam opporteat, contra doctrinam Apostoli, temere appetentes, in dubitationem sollicitam, an Romanus Pontifex (maxime cum se insufficientem agnoscit ad regendam universalem Ecclesiam, et summi Pontificatus onera supportanda) renunciare valeat Papatui, eiusque oneri, et honori, deducere minus provide videbantur: Caelestinus Papa quintus praedecessor noster, dum eiusdem ecclesiae regimini praesidebat, volens super hoc haesitationis cuiuslibet materiam amputare, deliberatione habita cum suis fratribus Ecclesiae Romanae Cardinalibus (de quorum numero tunc eramus) de nostro, et ipsorum omnium concordi consilio et assensu, auctoritate Apostolica statuit, et decrevit: Romanum Pontificem posse libere resignare. Nos igitur ne statutum huiusmodi per temporis cursum oblivioni dari, aut dubitationem eandem in recidiuam disceptationem ulterius deduci contingat: ipsum inter constitutiones alias, ad perpetuam rei memoriam, de fratrum nostrorum consilio duximus redigendum” (Decreto de Bonifacio VIII (em 6°), 1.1, T.7, cap. 1, De Renunciatione).

Parece claro que na Declaração de renúncia lida por Bento XVI em 11 de fevereiro de 2013, datada do dia anterior, não há alusão alguma ao cânon 332.2 do CDC, o que parece estranhíssimo, vindo de alguém tão minucioso e formal em tudo. Tampouco se usa a fórmula do Decreto de Bonifácio VIII (“renundure Papatui”) nem a fórmula empregada por Celestino V em sua renúncia (“cedere Papatui”[108]). Pelo contrário, ele usa a fórmula “ministerio Episcopi Romae… commisso renuntiare” (renuncio ao ministério do Bispo de Roma). E igualmente, para esclarecer ainda mais, em sua homilia de 27 de fevereiro usa a expressão “renunciar ao exercício ativo do ministério … Já não tenho mais o poder do ofício para o governo da Igreja”.

O Papa Bento XVI, para deixar clara a Vontade de Deus sobre sua renúncia como Papa legítimo, teria que ter manifestado que renunciava ao ministério petrino, não ao ministério episcopal. Tal erro é impróprio em alguém tão conhecedor da história da Igreja e do Direito canônico como Bento XVI. Não pode ser, portanto, mero Papa Emérito, já que o Papado implica sempre ter unidos em si o Primado de Honra e o Primado de Jurisdição. O CDC de 1917 expressou isso muito bem:

«O Pontífice Romano, sucessor do primado de São Pedro, tem não somente um Primado de Honra, mas também o supremo e pleno Poder de Jurisdição sobre a Igreja universal, concernente à fé e aos costumes, e concernente à disciplina e ao governo da Igreja dispersa por todo o globo».

O Conclave, portanto, que elegeu o Cardeal Bergoglio como Papa não é válido, pois o Papa seguia sendo o Cardeal Ratzinger: se tratou de uma eleição, portanto, feita sem a assistência do Espírito Santo e na que se elegeu somente, por puros meios humanos, o Bispo de Roma. E até isto é discutível.

É por isso que em uma resposta a Peter Seewald, em seu recente livro Últimas Conversações, quando este lhe pergunta sobre a Profecia dos Papas de São Malaquias, e sobre se ele pode ser o último Papa, responde Bento XVI, de forma surpreendente e enigmática: “Tudo pode ser”[109].

CONCLUSÃO FINAL

Bento XVI não tem renunciado ao Papado. Ele reconhece expressamente que apenas renunciou ao ministério petrino, e não a todo ele, apenas ao ministério como Bispo de Roma, ao seu exercício ativo. Ele mantém, portanto, seu ofício papal e seu múnus petrino. Por isso, está vestido de branco, no Vaticano, com solideo e peitoral, ainda é chamado de “Bento XVI” e seu tratamento é “Santidade”, como é exclusivo dos Papas. Ou isso, ou sua renúncia é inválida, por carecer de justa causa ou por ter sido arrancada por um medo grave injustamente provocado, como cremos haver demonstrado neste com as muitas ameaças, pressões e conspirações armadas ao seu redor, desde o princípio de seu Pontificado, intensificados nos últimos meses antes de sua renúncia.

A Maçonaria eclesiástica, que por muitos anos tenta colocar a um dos seus na Cadeira de Pedro, parece ter conseguido com Bergoglio. Temos provas de sua pertença à Maçonaria, há décadas, que não mostraremos aqui. Além disso, ele faz gestos maçônicos diários, conhecidos por aqueles que estudaram a seita satânica. E desde aí, sob a bandeira da obediência, está atacando a Eucaristia e demolindo todos os dogmas da Igreja, fulminando os fiéis católicos em suas homilias em Santa Marta, um dia sim e outro também (com toda sorte de qualificativos pouco misericordiosos), perseguindo congregações e sacerdotes ortodoxos, levando à total confusão do rebanho sagrado com um magistério tenebroso que dilui a sã doutrina da Igreja na consciência pessoal de cada um (ao modo protestante), promovendo o indiferentismo religioso e advogando pela comunhão de adúlteros sem propósito de emenda.

A situação em que Bento XVI permanece é inquietantemente parecida ao que viu a Beata Ana Katalina Emmerick em uma de suas visões dos últimos tempos (os parênteses explicativos são nossos):

“Eu vi o Santo Padre muito aflito. Ele mora em outro palácio (Mater Ecllesiae?) e só é visto por muito poucos amigos de confiança. Se o partido mau conhecesse de sua própria força, a revolução teria explodido. Temo que o Papa tenha que sofrer muito antes de morrer. Eu vejo a igreja negra de Satanás prosperar e exercer sua influência perniciosa (a falsa Igreja de Bergoglio?). A situação angustiante da Igreja e do Papa é tão triste que devemos constantemente pedir a Deus que venha em seu auxílio. Eu recebi um encargo de orar muito pela Igreja e pelo Papa. Esta noite fui conduzida a Roma, onde o Papa ainda vive escondido com o fim de evitar exigências injustas. Está muito fraco e consumido por causa da tristeza, da inquietação e da contínua oração. Ele se escondeu sobre tudo porque não pode confiar em muitos dos que o rodeiam. Junto a ele está um sacerdote ancião muito simples e piedoso, seu amigo (seu irmão Georg), a quem eles não consideraram necessário se afastar do seu lado. Este homem tem muita graça e favor de Deus. Mira e vê muitas coisas e tudo diz fielmente ao Papa. A ele descobri em oração muitas coisas sobre alguns traidores e pessoas mal intencionadas que tem entre os altos funcionários com quem o Papa tem mais confiança; tudo o qual ele devia comunicar ao próprio Pontífice. Assim está prevenido e se guardará daquele que até agora fazia tudo e agora já não poderá fazer nada. O Papa está tão fraco que não pode andar sozinho (Bento XVI caminha com um andador)”.

Retirado de Visões e Revelações Completas de Ana Catalina Emmerick. Edição de Ciudadela, tomo 1, página 285.

Papa Bento XVI com andador (17)

Nossa hipótese é esta: antes da ameaça de um golpe de Estado, antes da manada de lobos que rodeavam a Bento para acabar com ele, ameaçando-o com a morte, ou com o cisma, com a rebelião aberta, etc. o Papa decide fugir. Mas não é uma fuga definitiva: assim como Pedro fugiu do medo quando Judas chegou a consumar sua traição, quando o guarda judeu prendeu Cristo no Jardim das Oliveiras, mas ficou perto dele, então esse penúltimo parece ter agido também. Pedro, Bento XVI[110]. Fica perto, perto da cruz, em um jardim próximo ao rebanho, esperando o momento decisivo para poder defendê-lo, no devido tempo, embora talvez no momento esteja passando pelas mesmas negações do primeiro Pedro, por medo, não denunciando os excessos, a tirania do governo e os grandes danos que Bergoglio está infligindo à Igreja.

Bento não foi ameaçado por um único lobo, mas por muitos, e dada a possibilidade de morrer em combate, sabendo que não tinha chance de ganhar, decidiu renunciar, mas sem renunciar. A Maçonaria, cujo plano, que temos contado, foi revelado pelo padre Malachi Martin em seu livro O Último Papa, levou o mundo e a ingênua Igreja a acreditar que Bento XVI havia renunciado ao Papado, como Celestino V.

Papa Bento XVI (19)

Mas não foi assim: ele apenas renunciou ao exercício ativo do Ministério do Bispo de Roma, como o próprio Bento XVI expressou em sua renúncia e em sua homilia em 27 de fevereiro de 2013. Ele se esconde momentaneamente, até que seja a hora de lutar contra os lobos e dar a vida pela Igreja. Enquanto Pedro segue a Cristo de longe, outros apóstolos fiéis enfrentam o rebanho infernal (talvez os 4 cardeais das Dúbias?), Como São João ao pé da cruz …

Oremos todos, irmãos da Igreja fiel, primeiro, pela conversão de Francisco, para que ele não consuma o que parece querer (ninguém está condenado de antemão e nenhum pecado, por maior que seja, pode deixar de ser perdoado, quando houver arrependimento. Até Judas poderia ter se arrependido se não tivesse persistido em seu desespero). Em segundo lugar, para que, se Francisco consome sua traição, para que Deus dê força a Bento XVI para levantar a voz quando quiserem eliminar a Eucaristia, o coração da Igreja, nessa liturgia conjunta católica-luterana que parece estar preparando Francisco em segredo, na qual não haverá transubstanciação. Seria a abolição do sacrifício perpétuo que profetiza Daniel 9, 27, e do qual tantas aparições marianas também nos advertiram. Quem faz isso, é claro, será o falso profeta de Apocalipse 13, 11-18. Ou, falando agora, quando Francisco deixou claro por sua própria boca (ele disse no avião de volta de Lesbos) e por pessoas interpostas que está a favor de dar a Eucaristia a pecadores públicos[111], em um momento crítico da história da Igreja em que Conferências episcopais de países inteiros apostam alegremente a essa mesma heresia, enquanto outras permanecem caladas, cúmplices…

Mas a serpente não triunfará. Maria Santíssima pisará em sua cabeça com seu resto fiel, esses que não tem de dobrar o joelho, por pura graça, diante de Baal. A grande parte da Igreja defecará, apostatará e cairá na grande apostasia profetizada por São Paulo e no Catecismo (n. 675), de modo que a falsa Igreja ecumênica que se prepara aparentará triunfar no Vaticano (a parte visível, para os fieis, da Igreja). Mas a Igreja fiel estará nas catacumbas e somente nela a promessa de Cristo será cumprida (as portas do Inferno não prevalecerão contra ela).

Muito poucos despediram de Cristo quando ele subiu ao céu e pouquíssimos estarão esperando por Ele quando Ele voltar. Haverá fé na terra quando o Filho do Homem vier? Sim, no remanescente fiel que ama o Senhor e seus mandamentos, pela mão de Maria.

12

À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus.

Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades,

mas livrai-nos sempre de todos os perigos,

ó virgem gloriosa e bendita!

Amém


Notas

[1] BXVI leyó el texto de su renuncia el 11 de febrero de 2013, si bien el texto estaba firmado el día anterior: http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/es/speeches/2013/fevereiro/documents/hf_benxvi_spe_20130211_declaratio.html

[2] Y yo también te digo, que tú eres Pedro, y sobre esta roca edificaré mi iglesia; y las puertas del Infierno no prevalecerán contra ella” (Mateo 16,18). Como se ve, la Iglesia de Cristo, la única fundada por él, es la católica. Pero la promesa de que el Infierno no la derrotaría no es óbice para saber que, en estos últimos tiempos que vivimos, la masonería lograría infiltrar a uno de los suyos en la Silla de Pedro para, desde ahí, destruirla desde dentro. La Iglesia católica, la fiel, sin embargo, no caerá en la apostasía, y, oponiéndose a los errores, herejías y apostasía de la masonería eclesiástica, entonces en el poder, pasará a las catacumbas y será perseguida por el mundo y por esa falsa Iglesia católica que aparentará triunfar, que no será más que la falsa Iglesia ecuménica mundial del falso profeta, una Iglesia puramente humana, donde las doctrinas humanas de los fariseos triunfarán, aboliendo el sacrificio perpetuo (no habrá transubstanciación ni eucaristía) al modo protestante y desviando el magisterio de la Iglesia hacia la adoración del hombre y de sus pecados.

[3] http://www.mercaba.org/Sectas/la_iglesia_frente_ala_masoneria.htm

[4] Véase aquí: http://fundacionsanvicenteferrer.blogspot.com.es/2013/06/el-gran-oriente-dela-masoneria-sin_13.html

[5] http://santotomasdeaquino.verboencarnado.net/la-virtud-de-la-obediencia-en-santo-tomassu-naturaleza-volitiva-e-intelectual-p-carlos-pereira-ive/

[6] Hechos, 5, 29.

[7] Vid. Numeral 891 del Catecismo.

[8] http://infocatolica.com/blog/reforma.php/1604211247-374-amoris-latitia-el-capitul

[9] http://www.padrepiomexico.org/2014/11/la-carta-secreta-del-padre-pio.html

[10] A la muerte del Papa León XIII, todos daban por segura la elección del cardenal Mariano Rampolla, Secretario de Estado, como sucesor al trono pontificio. Sin embargo, durante el cónclave, el cardenal metropolitano de Cracovia marcó el alto mediante un telegrama de Su Majestad Franz Josef, del imperio Austro-Húngaro vetando esa nominación. Años después se supo que la objeción se debió a la notificación de que Rampolla pertenecía a la Gran Logia del Ordo Templis Orienti (aún hoy existente, cada vez más pujante y muy en boga), en la que había sido iniciado en Suiza, llegando a escalar hasta el grado de Gran Maestro. http://adelantelafe.com/canonizaciones-dos-papas-santos-ii/ Puede leerse el excepcional artículo de C. Heimbrichner aquí.

[11] http://www.catholic-hierarchy.org/bishop/bbergj.html

[12] https://fromrome.wordpress.com/2015/02/10/team-bergoglio-is-a-heretical-conspiracy-tooverthrow-the-church-of-christ/

[13] https://fromrome.wordpress.com/2015/01/10/team-bergoglio-and-the-legacy-of-cardinalmariano-rampolla-del-tindaro/

[14] http://adelantelafe.com/iglesia-y-comunismo/

[15] https://forocatolico.wordpress.com/2016/06/02/alice-von-hildebrand-denuncio-a-la-neoiglesia-y-bergogliole-dio-un-reconocimiento/

16 http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/international/newsid_4305000/4305207.stm

http://www.eluniverso.com/2005/02/09/0001/14/BB41B237F0404D1291E4C8482176FD7 E.html

http://www.lanacion.com.ar/1012-un-obispo-aleman-sostuvo-que-juan-pablo-ii-deberiaretirarse http://www.cardinalrating.com/cardinal_129__article_725.htm

http://www.eluniverso.com/2002/03/27/0001/257/54CA2DBD9A9340E9B50B8EC938E8C 762.html

http://www.emol.com/noticias/internacional/2005/02/18/173387/peruanos-creen-quejuan-pablo-ii-debe-renunciar.html

[17] http://www.elmundo.es/elmundo/2005/04/12/blog02/1113332036.html

[18] http://es.catholic.net/op/articulos/9267/puede-el-papa-dimitir.html

Sin embargo, ha subrayado que no dimitiría a pesar de las dificultades de su Pontificado porque “cuando el peligro es grande no se puede huir” sino que es necesario “resistir y superar la situación difícil”.

[19] Alias Behayim, criptojudío y masón.

[20] Como muy inteligentemente dejó escritas Sor Lucía en su cuarta Memoria (1941), dando a entender que así comenzaban las palabras de la Virgen explicando la visión del Tercer secreto.

[21] Así lo dijeron los Cardenales Ciappi y Oddi, que leyeron el Tercer Secreto completo. El mismo Malachi Martin habló en muchas ocasiones del tercer secreto. No podía revelar su contenido, porque estaba bajo juramento, pero sí podía decir sí o no cuando alguien le proponía alguna intuición sobre el mismo. Llegó a confirmar que dentro del tercer secreto se hablaba de un Papa que estaría controlado por el Diablo. https://www.youtube.com/watch?v=qPSWwm3TAKA http://www.fatima.org/span/crusader/cr107/cr107pg23.pdf

[22] https://gloria.tv/article/LAFqvu2XjgxN28fzdHfijMLWq

[23] https://bibliaytradicion.files.wordpress.com/2012/05/el-ultimo-papa-rp-malachimartin.pdf

[24] http://www.traditio.com/tradlib/wind.txt

[25] El padre Malachi Martin siempre declaró que esa Misa negra se produjo efectivamente. Que una de las promesas de Satanás era que, cuando el papa reinante se llamara Pablo, pronto, uno de los suyos, ocuparía el Trono de Pedro. Hay autores que señalan que ese “pronto” se refería al plazo de 50 años.

[26] http://www.ncsanjuanbautista.com.ar/2014/03/vaticano-gay-por-augusto-torchson.html

[27] https://infovaticana.com/2013/07/19/el-delegado-del-papa-para-el-ior-y-su-oscuro-pasado/

[28] https://gloria.tv/article/yDa7iLWo8jeF4gCS4sPRrzjsp

[29] En esto, recordemos la Profecía escalofriante de San Francisco de Asís, que narra igual hecho: “Los demonios tendrá un poder inusual; la pureza inmaculada de nuestra Orden y de otras, se oscurecerá en demasía, ya que habrá muy pocos cristianos que obedecerán al verdadero Sumo Pontífice y a la Iglesia Romana con corazones leales y caridad perfecta. En el momento de esta tribulación un hombre, elegido no canónicamente, se elevará al Pontificado, y con su astucia se esforzará por llevar a muchos al error y a la muerte. Entonces, los escándalos se multiplicarán, nuestra Orden se dividirá, y muchas otras serán destruidas por completo, porque se aceptará el error en lugar de oponerse a él. Habrá tal diversidad de opiniones y cismas entre la gente, entre los religiosos y entre el clero, que, si esos días no se acortaren, según las palabras del Evangelio, aun los escogidos serían inducidos a error, si no fuere que serán especialmente guiados, en medio de tan grande confusión, por la inmensa misericordia de Dios..” http://wwwapostoladoeucaristico.blogspot.com.es/2013/03/una-profecia-casi-desconocidade-san.html

[30] https://www.youtube.com/watch?v=qPSWwm3TAKA

[31] Antes del Cónclave de 2013, las Congregaciones comenzaron el 4 de marzo y duraron una semana. Después de deliberar durante esta semana, en la cual se esperó la llegada de los 115 cardenales electores, se tocaron los temas de administración y finanzas vaticanas y el perfil del nuevo pontífice, entre otros. De ese perfil ya prefabricado, que se impuso a los electorales, salió el Card. Bergoglio. Junto a ese perfil “deseable” de Papa, se habla de las necesidades y problemas de la Iglesia. Todo conspiraba para la elección de Bergoglio… La Congregación general estaba dirigida por el Card. Angelo Sodano, por aquel entonces Decano del Colegio de Cardenales, uno de los miembros de la “falange vaticana”. El perfil del nuevo Papa se trató en el tercer día de las Congregaciones, como explicó el padre Lombardi (http://www.vidanueva.es/2013/03/06/tercer-dia-de-congregaciones-los-cardenalesdiscuten-el-perfil-del-nuevo-papa/) y también en la última de las Congregaciones, la décima, el día 12 de marzo (http://www.europapress.es/sociedad/noticia-conclave-perfil-nuevo-papabanco-vaticano-centran-ultimas-intervenciones-antes-eleccion-20130311172131.html). Ha trascendido, incluso, el bosquejo del discurso que hizo el Card. Bergoglio en estas Congregaciones generales, el 9 de marzo, uno de los últimos en intervenir (https://www.aciprensa.com/noticias/cardenal-ortega-revela-lo-que-francisco-queria-delnuevo-papa-32126/ y http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1350484?sp=y). Y también se conocen algunas palabras de los electores sobre ese “perfil”: http://www.24horas.cl/noticiasbbc/que-debe-tener-el-curriculo-del-nuevo-papa-551277

[32] http://www.religionenlibertad.com/viva-el-cardenal-martini-texto-autentico-de-sutestamento-espiritual-24633.htm

[33] http://www.religionenlibertad.com/viva-el-cardenal-martini-texto-autentico-de-sutestamento-espiritual-24633.htm

[34] http://adelantelafe.com/papa-martini-las-parejas-hecho-tienen-la-misma-graciamatrimonio-real/

[35] http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/209322?sp=y

[36] http://freemasonry-cg.com/italian-masonic-lodge-stated-cardinal-martini-was-one-oftheir-own/ http://www.traditioninaction.org/ProgressivistDoc/A_163_MartiniI.html

 

[37] https://infovaticana.com/2013/08/13/secretos-del-conclave-de-2005/

[38] http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1350623?sp=y

[39] http://statveritasblog.blogspot.com.es/2013/09/el-papa-francisco-sobre-cardenalcarlo.html http://www.news.va/es/news/el-papa-francisco-recordar-al-cardenal-martini-es

40 https://bibliaytradicion.wordpress.com/2013/02/23/el-papa-ha-abdicado-algo-malignose-desencadenara/

[41] http://www.eluniversal.com/internacional/120927/el-mayordomo-creia-ayudar-al-paparevelando-los-escandalos-del-vatican http://www.religionenlibertad.com/paolo-gabriele-solo-queria-ayudar-al-papa-y-le-dueleque-24079.htm

[42] http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_140 91994_rec-holy-comm-by-divorced_sp.html

[43] En Cristo, Verdad y Misericordia se han dado la mano: Salmo 85, 10-12: “El amor y la verdad se encontrarán, se besarán la paz y la justicia.”

[44] “Conscientes sin embargo de que la auténtica comprensión y la genuina misericordia no se encuentran separadas de la verdad (4), los pastores tienen el deber de recordar a estos fieles la doctrina de la Iglesia acerca de la celebración de los sacramentos y especialmente de la recepción de la Eucaristía. Sobre este punto, durante los últimos años, en varias regiones se han propuesto diversas soluciones pastorales según las cuales ciertamente no sería posible una admisión general de los divorciados vueltos a casar a la Comunión eucarística, pero podrían acceder a ella en determinados casos, cuando según su conciencia se consideraran autorizados a hacerlo. Así, por ejemplo, cuando hubieran sido abandonados del todo injustamente, a pesar de haberse esforzado sinceramente por salvar el anterior matrimonio, o bien cuando estuvieran convencidos de la nulidad del anterior matrimonio, sin poder demostrarla en el foro externo, o cuando ya hubieran recorrido un largo camino de reflexión y de penitencia, o incluso cuando por motivos moralmente válidos no pudieran satisfacer la obligación de separarse. En algunas partes se ha propuesto también que, para examinar objetivamente su situación efectiva, los divorciados vueltos a casar deberían entrevistarse con un sacerdote prudente y experto. Su eventual decisión de conciencia de acceder a la Eucaristía, sin embargo, debería ser respetada por ese sacerdote, sin que ello implicase una autorización oficial. En estos casos y otros similares se trataría de una solución pastoral, tolerante y benévola, para poder hacer justicia a las diversas situaciones de los divorciados vueltos a casar.”

[45] Juan 14, 6: “Jesús le dijo: Yo soy el camino, y la verdad y la vida; nadie viene al Padre sino por mí.”.

[46] Juan 8, 31-32: “Dijo entonces Jesús a los judíos que habían creído en él: Si vosotros permaneciereis en mi palabra, seréis verdaderamente mis discípulos; y conoceréis la verdad, y la verdad os hará libres.”

[47] https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/es/encyclicals/documents/hf_benxvi_enc_20090629_caritas-in-veritate.html

[48] https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/es/encyclicals/documents/hf_benxvi_enc_20051225_deus-caritas-est.html

[49] http://www.bbc.com/mundo/noticias/2011/09/110824_llamado_desobedecer_iglesia_austri a_cr.shtml https://evangelizadorasdelosapostoles.wordpress.com/2011/09/02/sacerdotes-austriacosdesafian-a-la-iglesia-catolica/

[50] Pedían la aprobación por la Iglesia de los siguientes 5 puntos: 1.- Una mayor participación de los fieles, 2.- La plena igualdad de derechos de las mujeres para acceder a cualquier ministerio, 3.- El celibato opcional para los presbíteros, 4.- Una valoración positiva de la sexualidad, abierta a distintas formas de expresión 5.- En suma, una Iglesia acogedora, sin amenazas, y opuesta a toda forma de exclusión. http://es.catholic.net/op/articulos/16525/herejes-los-sacerdotes-rebeldes-de-austria.html

[51] http://www.periodistadigital.com/religion/otras-confesiones/2012/12/24/el-papa-no-asistira-al-500- aniversario-de-la-reforma-religion-iglesia-lutero.shtml

[52] Juan 15, 19: “9 Si fuerais del mundo, el mundo amaría lo suyo; pero porque no sois del mundo, antes yo os elegí del mundo, por eso el mundo os aborrece.”.

[53] http://edant.clarin.com/suplementos/zona/2006/10/08/z-03801.htm

[54] http://www.alertadigital.com/2016/03/22/el-islam-segun-francisco-una-religion-de-pazmatadles-dondequiera-que-los-encontreis/ http://www.religionenlibertad.com/es-el-islam-religion-de-paz-21919.htm

[55] http://www.lanacion.com.ar/867366-guillermo-marco-ya-no-sera-vocero-del-cardenalbergoglio

[56] “El problema que entreveo en este esfuerzo por subrayar su misericordia es que hasta hace 40 años y durante siglos la Iglesia amenazó a los pecadores con toda clase de castigos, en la vida presente y en la eterna, sobre todo por pecados privados y, más precisamente, ligados al ejercicio libre del placer y la sexualidad, y un gran número de gente se fue apartando porque después de mucha terapia decidió, en el mejor de los casos, que si Dios existe la había hecho libre para poder decidir por su vida sin que la Iglesia la “reprima”. En el peor, abandonó sus creencias por pensar que son anticuadas e inadaptables al tiempo de hoy. Si continuó con su fe, vivió con conciencia de culpa… Sería interesante que, en esta etapa, el Papa se animara a revisar la práctica del sacramento de la confesión y dejar más libre al creyente en su relación con Dios para que en su fuero íntimo pueda discernir lo bueno y lo malo. Y no usar la confesión como una boletería para poder comulgar, o un consultorio psicológico gratuito donde desahogarse de los pecados de los demás”. http://infocatolica.com/blog/caritas.php/1601150713-113-guillermo-marco-isacerdot

[57] https://www.youtube.com/watch?v=OlElPFJPmeY

[58] http://caminante-wanderer.blogspot.com.es/2014/11/el-teologo-del-papa-francisco.html

[59] http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1351303?sp=y

[60] http://infocatolica.com/blog/coradcor.php/1607200918-un-modo-de-ampliar-la-conscie

[61] http://adelantelafe.com/tucho-descubre-pastel/ http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=22273

[62] http://adelantelafe.com/tucho-habla-sobre-el-sinodo-esta-fue-solo-una-etapa-en-elcamino-el-papa-espera-una-mayor-apertura-pastoral/

[63] https://thewildvoice.org/cardinal-mafia-against-benedict-for-pope-francis/

[64] http://theradicalcatholic.blogspot.com.es/2015/10/vaticanist-confirms-danneels-ties-tost.html

[65] http://www.villanazareth.org/node/157

[66] http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=24945

[67] http://www.latiendadelaabadia.com/es/contenido/?iddoc=542

[68] http://elpais.com/diario/2000/01/11/sociedad/947545201_850215.html

[69] http://hemeroteca.abc.es/nav/Navigate.exe/hemeroteca/madrid/abc/2005/09/24/047.html

[70] CARTA A LOS OBISPOS DE LA IGLESIA CATÓLICA SOBRE LA RECEPCIÓN DE LA COMUNIÓN EUCARÍSTICA POR PARTE DE LOS FIELES DIVORCIADOS QUE SE HAN VUELTO A CASAR (1994), Prefecto, Card. Ratzinger: “6. El fiel que está conviviendo habitualmente «more uxorio» con una persona que no es la legítima esposa o el legítimo marido, no puede acceder a la Comunión eucarística. En el caso de que él lo juzgara posible, los pastores y los confesores, dada la gravedad de la materia y las exigencias del bien espiritual de la persona y del bien común de la Iglesia, tienen el grave deber de advertirle que dicho juicio de conciencia riñe abiertamente con la doctrina de la Iglesia. También tienen que recordar esta doctrina cuando enseñan a todos los fieles que les han sido encomendados.”.

[71] https://www.ncronline.org/news/accountability/belgium-cardinal-tried-keep-abusevictim-quiet

[72] http://rorate-caeli.blogspot.com/2015/04/cardinal-danneels-family-expert-chosen.html

[73] https://www.lifesitenews.com/news/cardinal-danneels-congratulated-belgian-gvmt-forlegalizing-gay-marriage-ne

[74] http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=24945

[75] Entre los asistentes al Sínodo por designación papal (como es su prerrogativa) se encontraban los Cardenales Godfried Danneels, Walter Kasper, Christoph Schonborn OP, Oscar Rodríguez Maradiaga SDB, John Dew, Donald Wuerl, Dionigi Tettamanzi (antiguo Arzobispo de Milan quien apoya las propuestas de Kasper) y Daniel Sturla SDB; el Arzobispo Víctor Manuel Fernández, “Tucho”, Rector de la Pontificia Universidad Católica de Argentina y uno de los consejeros y escritores más cercanos al Papa y parece que escritor “en la sombra” de amplios párrafos de Amoris Laetitia, que ya existían en textos suyos previos a los Sínodos; el Arzobispo Blase Cupich de Chicago (USA), Card. Tagle (líder conspicuo de la Escuela de Bolonia), Mons. Bruno Forte, y Monseñor Pio Vito Pinto (Decano del Tribunal de la Rota Romana que encabeza la comisión Papal para la reforma de las anulaciones e integrante de la lista Pecorelli de eclesiásticos masones). Cfr. http://adelantelafe.com/ultima-hora-kasperdaneels-schonborn-cupich-wuerl-y-maradiaga-nombrados-por-el-papa-francisco-para-elsinodo-de-2015/ La lista puede ser consultada aquí: http://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2015/09/15/0676/0146 9.html

[76] Su art. 81 dice así: “81. Los Cardenales electores se abstendrán, además, de toda forma de pactos, acuerdos, promesas u otros compromisos de cualquier género, que los puedan obligar a dar o negar el voto a uno o a algunos. Si esto sucediera en realidad, incluso bajo juramento, decreto que tal compromiso sea nulo e inválido y que nadie esté obligado a observarlo; y desde ahora impongo la excomunión latae sententiae a los transgresores de esta prohibición. Sin embargo, no pretendo prohibir que durante la Sede vacante pueda haber intercambios de ideas sobre la elección.”.

[77] https://fromrome.wordpress.com/2014/12/06/cardinal-murphy-oconner-admits-popefrancis-recognized-his-leadership-of-team-bergoglio/ http://www.catholicherald.co.uk/news/2013/09/12/pope-sent-greeting-to-queen-straightafter-his-election-says-cardinal/

[78] https://fromrome.wordpress.com/2014/12/09/the-great-reformer-francis-and-themaking-of-a-radical-pope/

[79] https://fromrome.wordpress.com/2014/12/09/the-great-reformer-francis-and-themaking-of-a-radical-pope/

[80] https://www.wsj.com/articles/SB10001424127887324240804578416550744061538

[81] https://fromrome.wordpress.com/2014/12/09/the-great-reformer-francis-and-themaking-of-a-radical-pope/

[82] https://fromrome.wordpress.com/2014/12/02/the-chronology-of-reports-on-teambergoglio/

[83] http://www.ilfattoquotidiano.it/2012/02/09/lesclusiva-fatto-quotidiano-complottouccidere-papa/190194/

[84] https://diariopregon.blogspot.com.es/2013/02/benedicto-xvi-abdica-amenazado-de.html

[85] http://www.periodistadigital.com/religion/vaticano/2012/02/10/-benedicto-xvi-moriraen-noviembre-de-2012-iglesia-papa-vaticano-religion-cardenal-romeo.shtml

[86] https://anonimidellacroce.wordpress.com/2017/02/10/esclusivo-la-mia-fonte-in-vaticanomi-ha-rivelato-la-vera-causa-delle-dimissioni-di-benedetto-xvi-di-fra-cristoforo/

[87] SWIFT es el acrónimo de Sociedad de Telecomunicaciones Financieras Interbancarias Mundiales) en teoría, es una “cámara de compensación mundial “, que interrelaciona a 10.500 bancos en 215 países.

[88] http://www.maurizioblondet.it/ratzinger-non-pote-ne-vendere-ne-comprare/ http://www.lapresse.ca/voyage/destinations/europe/italie/201301/03/01-4608053- vatican-tous-les-paiements-par-carte-bancaire-suspendus.php https://moimunanblog.com/2015/09/30/se-ejercio-chantaje-en-la-reniuncia-de-benedictoxvi/

[89] https://www.thenewamerican.com/usnews/foreign-policy/item/25256-catholics-asktrump-to-probe-soros-obama-clinton-conspiracy-at-vatican

[90] http://gaceta.es/noticias/wikileaks-filtra-invitacion-podesta-cena-tintes-satanicos04112016-1832

[91] http://www.extranotix.com/2017/02/wikileaks-clinton-obama-y-soros.html

[92] Reafirmando la presencia real en la Eucaristía: http://www.romereports.com/2016/06/28/discurso-del-papa-benedicto-al-papa-francisco Diciendo que el diálogo no puede reemplazar la misión: http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=22284

[93] Parece que envió discretamente a algún representante suyo a Irlanda para que estimulara al clero irlandés a oponerse con todas sus fuerzas al referéndum a favor de las parejas homosexuales)

[94] https://anonimidellacroce.wordpress.com/2017/02/06/spifferi-da-santa-martasullintercomunione-di-fra-cristoforo/

[95] http://www.abc.es/sociedad/20130313/abci-ratzinger-espiritu-santo-201303121931.html http://infocatolica.com/blog/espadadedoblefilo.php/1610240420-pero-ial-papa-lo-elige-elesp

[96] http://w2.vatican.va/content/benedictxvi/es/speeches/2013/february/documents/hf_ben-xvi_spe_20130211_declaratio.html

[97] http://www.huffingtonpost.es/2016/08/25/benedicto-xvi-brasil_n_11694910.html http://www.religionenlibertad.com/una-entrevista-benedicto-xvi-revela-las-razones-exactasque–51524.htm

[98] http://www.elmundo.es/internacional/2014/02/26/530dbd5f22601d6b168b456c.html

[99] https://www.youtube.com/watch?v=3R8h6HdZcyk (minuto 1:37:46)

[100] http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/es/audiences/2013/documents/hf_benxvi_aud_20130227.html

[101] https://infovaticana.com/2016/05/25/ganswein-confirma-la-lucha-los-partidariosratzinger-club-la-mafia/

[102] http://www.benedictogaenswein.com/vernoticia.php?Id=2731

[103] http://www.acistampa.com/story/bendetto-xvi-la-fine-del-vecchio-linizio-del-nuovolanalisi-di-georg-ganswein-3369

[104] http://www.benedictogaenswein.com/vernoticia.php?Id=2731

[105] Quizás Benedicto XVI pensó en renunciar al gobierno o ministerium papal, pero conservando el munus (de forma que sigue siendo el único Papa legítimo, como legítimo es el Poder legislativo aun cuando no tiene poderes, en un estado de excepción, que pasan al ejecutivo), de forma que el Cardenal salido del Cónclave sólo fuera detentador de ese ministerium, sin ser Papa legítimo, poseedor de una especie de poder ejecutivo excepcional mientras dure el asalto a la Iglesia por parte de la masonería. Terminadas las causas de ese pontificado de excepción, entonces el poder volvería a Benedicto XVI, como vuelve en los Estados de excepción desde el Ejecutivo al Legislativo. Pero esta teoría implicaría que BXVI confió en Francisco para ejercitar esos poderes extraordinarios en caso de necesidad, y que le tenía por bueno y leal (lo que podría explicar su aparente buena relación), cuando es evidente que finalmente se ha desenmascarado como el lobo que es (y masón), habiendo pactado con otros Cardenales su elección, y abusando de sus poderes de dictador para demoler la Iglesia desde dentro. No descartamos esta interpretación, aunque nos posicionamos más con las que mantenemos arriba y parece también defender Gänswein: que Benedicto XVI renunció sabiendo que el que vendría tras de él no sería Papa sino un impostor, un lobo con piel de cordero, el lobo principal de la manada, y que nos remiten a aquel momento crítico en que, en la Misa de su entronización, pidió rezar a todos para que no huyera cuando llegasen esos lobos (aunque ha acabado huyendo o, si no huyendo, escondiéndose junto al rebaño, en una rocalla, esperando el momento de contraatacar).

[106] http://www.sbenito.org/vidasb/vida01.htm

[107] Parecen posicionarse BXVI y Mons. Gänswein en la teoría teológica de que no es válido renunciar al Papado, al contrario de lo que pensaba en el libro “Luz del Mundo”. Parece haber cambiado de opinión, o, quizás, siempre pensó así…

[108] «Ego Caelestinus Papa Quintus motus ex legittimis causis, idest causa humilitatis, et melioris vitae, et coscientiae illesae, debilitate corporis, defectu scientiae, et malignitate Plebis, infirmitate personae, et ut praeteritae consolationis possim reparare quietem; sponte, ac libere cedo Papatui, et expresse renuncio loco, et Dignitati, oneri, et honori, et do plenam, et liberam ex nunc sacro caetui Cardinalium facultatem eligendi, et providendi duntaxat Canonice universali Ecclesiae de Pastore» «cedo Papatui, et expresse renuncio loco, et Dignitati, oneri, et honori»: «me retiro del Papado y, expresamente, renuncio al lugar y a la dignidad y al peso del deber y al cargo en el poder».

[109] http://www.antoniosocci.com/benedetto-xvi-ultimo-papa-puo-risponde-quello-non-videtto-sul-libro-ratzinger/

[110] Decimos penúltimo porque creemos que, a su muerte mártir (como vieron los pastorcitos en la visión del Tercer Secreto de Fátima), tomará el trono el último Papa antes de la Parusía, Pedro romano.

[111] Así lo confirmó Francisco en la carta que les envió a los obispos argentinos confirmando su interpretación favorable a la comunión de adúlteros sin propósito de enmienda con hijos en común, por boca del Card. Schönborn, de su leal escudero Antonio Spadaro, e incluso del opúsculo que ha visto la luz hace pocos días escrito por el Card. Coccopalmerio.