ARCHBISHOP FULTON SHEEN

Site O Fiel Católico | Tradução: Padre Cléber Eduardo dos Santos Dias

O venerável Fulton Sheen (1895 – 1979) escreveu – em sua obra “Communism and the conscience of the West” (O comunismo e a consciência do Ocidente) – algumas linhas verdadeiramente proféticas a respeito do fim dos tempos (ou a consumação dos séculos), a grande apostasia na Igreja e a vinda do Anticristo, que foram traduzidas para o português pelo padre Cléber Eduardo dos Santos Dias. Seguem abaixo as palavras do grande Arcebispo, seguidas de breves comentários do mesmo Pe. Cléber.

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NÓS ESTAMOS VIVENDO os dias do Apocalipse – os últimos dias da nossa era. As duas grandes forças – do Corpo Místico de Cristo e do Corpo Místico do Anticristo – começam a desenhar as linhas de batalha para o embate final.

O Falso Profeta terá uma religião sem a Cruz. Uma religião sem um mundo vindouro. Uma religião para destruir as religiões. A Igreja de Cristo será uma delas. Haverá uma falsa igreja. E o falso profeta vai criar uma outra. A falsa igreja é mundana, ecumênica e global. Vai ser uma federação de igrejas.

E as religiões irão formar um tipo de associação global. Um Parlamento Mundial das Igrejas. [A Igreja verdadeira] será esvaziada de todo o conteúdo divino e será o corpo místico do Anticristo. O corpo místico hoje na Terra terá o seu Judas Iscariotes e o falso profeta. Satanás o recrutará dentre os nossos bispos.

O Anticristo não será chamado assim, porque, se o fosse, não teria seguidores. Ele não usará roupas vermelhas, nem vomitará enxofre ou usará um tridente ou terá uma cauda, como Mefistófeles em Fausto. De fato, tais coisas mascararam e ajudaram o diabo a convencer os homens de que ele não existe. Quanto mais o desconhecem como realmente é, mais poderoso ele se torna. Deus se definiu como “Eu Sou Quem Eu Sou” e o diabo como “Eu sou quem eu não sou”.

Em nenhuma passagem das Escrituras encontramos defesa para a descrição popular do diabo como um palhaço vestido de vermelho. Pelo contrário, ele é descrito como um anjo caído do Céu, como “o príncipe deste mundo”, cujo legado é nos convencer que não existe outro mundo.

Sua lógica é simples: se não há o Céu, também não há Inferno; se não há Inferno, então não há pecado; se não há pecado, então não há Juiz, e se não há nenhum Julgamento, então o mal é o bem e o bem é o mal.

Mas, acima de todas essas descrições, Nosso Senhor nos diz que o diabo será tão parecido com Ele mesmo que seria capaz de enganar até os escolhidos, e certamente nenhum diabo descrito pelas imagens humanas seria capaz de enganar os escolhidos. Então, como ele vai vir nesta nova era para ganhar seguidores para a sua religião?

A crença da Rússia pré-comunista é que ele virá disfarçado como um grande humanista; vai falar de paz, de prosperidade e de abundância; não como meios para levar-nos a Deus, mas como fins em si mesmos.

A terceira tentação, com a qual Satanás pediu a Cristo para adorá-lo em troca de todos os reinos do mundo, irá tornar-se a tentação de se ter uma nova religião sem a Cruz e sem liturgia, sem um mundo futuro, uma religião para destruir a Religião, ou uma política que é uma religião – que também dá a César até mesmo as coisas que são de Deus.

No meio de todo o seu amor aparente pela humanidade e do seu discurso simplista de liberdade e de igualdade, o Anticristo ocultará um grande segredo que não será revelado a ninguém: ele não acredita em Deus, porque a sua religião será uma fraternidade sem a paternidade de Deus, e ele vai querer enganar até os escolhidos. Ele vai estabelecer no mundo uma contra-igreja como falsa cópia da Santa Igreja, porque ele, o diabo, é o macaqueador de Deus.

Essa falsa igreja terá todos os aspectos e as características da Igreja de Cristo, mas em sentido inverso e esvaziada do seu conteúdo divino. Terá um corpo místico de Anticristo que exteriormente vai imitar o Corpo Místico de Cristo. Mas o século XX vai se juntar a esta contra-igreja com a alegação de que ela será infalível quando sua cabeça visível falar ex cathedra (…) sobre temas como economia e política e como pastor-chefe do comunismo mundial.

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Padre Cléber E. S. Dias comenta o aterrador texto de Dom Fulton Sheen:

Diante desse lúcido e profético texto e da realidade em que vivemos é que devemos nos perguntar:

Nossos padres… Nossos bispos… Nossos leigos… Não reconhecem algo?

O texto fala lucidamente, com clareza de sol de meio-dia, sobre a nossa época.

Onde estão os padres e bispos considerados “mitos”, “opressores”, “católicos tradicionais”, que nunca abrem a boca em público e em alta voz para denunciar os lobos dentro da Igreja, ou, como nos ensina Fulton Sheen, os acólitos de Satanás, do Corpo Místico do Anticristo?

É certo que se um padre denuncia o erro vai ser perseguido até mesmo pelos seus “legítimos superiores”, mas que raios de homem é esse que diz ser todo de Deus e se acovarda diante dos homens?

Um padre, penso eu, tem de ser acima de tudo um padre, sem apodos, sem apelidos, sem títulos; e, para ser padre, é necessário, antes de tudo, ser homem.

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Ref. bibliográfica:
SHEEN, Fulton J. Communism and the Conscience of the West. Bobbs-Merril Company, Indianapolis, 1948, pp. 24-25.