Anna Catharina Emmerick (1)

Vejo mais mártires, não agora, mas no futuro. Eu vi a seita secreta [maçonaria] implacavelmente minando a grande Igreja. Perto deles eu vi um monstro horrível chegar a partir do mar. Em todo o mundo, pessoas devotas e boas, especialmente o clero, foram perseguidas, oprimidas e colocados na prisão. Eu tive a impressão de que eles iriam se tornar mártires um dia. Quando a Igreja tiver sido em grande parte destruída pela seita secreta, e quando apenas o santuário e o altar estiverem de pé, eu vi os destruidores entrarem na Igreja com a Besta. Lá, eles se encontraram com uma mulher com uma nobre carruagem, que parecia estar com uma criança, porque ela caminhava lentamente. Nessa visão, os inimigos estavam aterrorizados, e a Besta não podia parar de prosseguir. E projeta seu pescoço sobre a mulher como se fosse devorá-la. Mas a mulher virou e curvou-se (para o altar), sua cabeça tocava o chão. Então eu vi a Besta, fugindo para o mar novamente e os inimigos estavam fugindo na maior confusão. Então, eu vi ao longe grandes legiões se aproximando. Em primeiro plano, vi um homem em um cavalo branco. Presos foram soltos e se juntaram. Todos os inimigos foram perseguidos. Então, eu vi que a Igreja estava sendo prontamente reconstruída, e ela era mais magnífica do que nunca. (Bem-Aventurada Anne Catherine Emmerich, 13 de maio de 1820; retirado de Hope of the Wicked by Ted Flynn. p.156)


A MONJA QUE VIVEU A BÍBLIA

Escritos de dois séculos que ainda desafiam as mentes mais céticas

Anne Catherine Emmerich nasceu na Alemanha em 1774, oriunda de família muito pobre, e fez-se monja na Ordem Agostiniana na cidade de Dulmen. Teve a vida marcada por contínuas doenças, ainda agravadas ao ficar inválida devido a um acidente. Já se valia do uso de discernimentos especiais desde seu nascimento, assim como podia compreender o latim litúrgico desde a primeira vez que fora à Missa. A freira – hoje, com milagres alcançados por seu intermédio reconhecidos pelo Vaticano – foi recentemente (03 de outubro de 2004) beatificada pelo Papa João Paulo II em Roma.

Quando criança, a própria afirmava – e o faria até sua morte – que via com frequência seu anjo da guarda, assim como tinha o Menino Jesus como colega de brincadeiras. Durante os últimos 12 anos de sua vida nada comia, exceto a Sagrada Eucaristia; nem bebia, exceto água – subsistindo totalmente por meio da Santa Comunhão. Desde 1802 até sua morte adquirira as chagas da Coroa de Espinhos – instrumento de tortura aplicado a Jesus Cristo, durante sua paixão -, e, em 1812, todos os estigmas de Cristo, inclusive uma cruz sobre seu coração, além da ferida da lança ao lado. Emmerich era vista frequentemente levitando quando em êxtase, e ainda possuía o dom impressionante da clarividência apenas ao toque de qualquer objeto que lhe fosse apresentado.

Segundo o ator e cineasta Mel Gibson, quando este estava atrás de fontes para o roteiro de A Paixão de Cristo, pesquisando à mesa, dentro de uma biblioteca, o livro com as visões da monja a respeito das últimas horas de vida de Jesus Cristo, inexplicavelmente, saltara do alto de uma estante, e caíra sobre seu colo. Resultado: praticamente cada ação do filme é uma representação fidedigna das anotações do poeta Clemens Brentano sobre as visões da monja. O livro se chama Vida, Paixão e Glorificação do Cordeiro de Deus.*

Em seus últimos anos, até sua morte em 1824, a freira recebia visões de cenas ambientadas na Pré-História, da vida de personagens do Antigo Testamento – incluindo Adão e Eva, Noé, Sansão e os profetas -, assim como de Cristo, da Virgem Maria, dos apóstolos e primeiros mártires, e da vida após a morte, bem como outras vidências de fatos que se concretizariam tempos depois, como a construção do Muro de Berlim, o Concílio Vaticano II, etc. Com as anotações de suas visões em mão, descobriu Reynolds os restos da cidade de Uhr na Caldéia. E a recém-descoberta morada da Virgem Maria em Éfeso resultara também ser, exatamente, onde e tal qual a monja havia descrito – por fora e por dentro. E também foi confirmada a presença de uma “reprodução ao natural” da via crucis, ao longo de um caminho próximo à morada, montada pela própria Mãe de Jesus – o que a monja já havia relatado por volta de 100 anos antes de tal verificação. Isto vinha sendo um dado, até então, totalmente ignorado no mundo cristão, após a antiguidade.

Do mesmo modo se descobriram em 1981 as passarelas sob o Templo de Jerusalém, que Ana vira ao contemplar o mistério da lmaculada Conceição de Maria – dogma que não seria proclamado pela Igreja até trinta anos depois da morte da vidente. Anne Catherine Emmerich soube, pelo próprio Cristo, que suas faculdades de visão mística sobre passado, presente e futuro eram as maiores já possuídas por qualquer ser humano na História.

Algumas das profecias da beata Anne Catherine Emmerich

“Vi a igreja dos apóstatas crescer enormemente. Vi as trevas que partiam dela e se espalhavam em redor, e vi muitas pessoas abandonar a Igreja legítima e dirigirem-se à outra dizendo: “Lá tudo é mais agradável, mais natural e bem acomodado”.

“Os demolidores levavam grandes pedaços; eram em grande número, sectários e apóstatas. Em seu trabalho seguiam “certas” ordens e “certas” regras; disse mais: “Vi, com horror, que entre eles havia também sacerdotes católicos… Vi o Papa em oração, rodeado de falsos amigos, que, com frequência, faziam o contrário do que ele ordenava”. – “O mundo se converterá, quando houver respeito na casa de Deus, a Igreja”.

“Formou-se um corpo, uma comunidade fora do Corpo de Jesus que é a Igreja: uma falsa Igreja sem Redentor, na qual o mistério é não ter mistério.”

“Não posso encontrar palavras para descrever a ação terrível, sinistra, mortífera, dessa igreja. Tudo o que era viçoso murchava, as árvores morriam, os jardins perdiam o seu revestimento. Vi, como se pode ver numa visão, as trevas produzir o seu efeito a uma grande distância; a todo o lado onde elas chegavam, estendiam-se como uma corda negra. Não sei o que passou com todas as pessoas que estavam dentro dessa igreja. Esta como se devorasse homens: tornava-se cada vez mais negra, semelhante ao carvão de forja e descambava horrivelmente.”

“Vi muitas abominações com grande detalhe; vi a Igreja oprimida e reconheci Roma e a sua decadência interior e exterior”.

“Eles construíam uma grande igreja, estranha e extravagante; todo o mundo tinha que entrar nela para unir-se e possuir os mesmos direitos; evangélicos, católicos, seitas de todo o tipo: o que devia ser uma verdadeira comunhão dos profanos onde não haveria mais que um pastor e um rebanho. Tinha que haver também um Papa mas que não possuísse nada e fosse um assalariado. Tudo estava preparado de ante-mão e muitas coisas estavam já realizadas: mas, no lugar do altar, não havia mais que desolação e abominação.”

“Vi diante os sacerdotes sacrílegos a santa Hóstia repousar sobre um altar como um Menino Jesus vivo que eles cortavam em pedaços com a patena e que martirizavam horrivelmente. Sua missa, ainda que realizando realmente o Santo Sacrifício, parecia-me como um assassinato horrendo.”

“A devoção ao Santíssimo Sacramento caía completamente em decadência e o mesmo sacramento ficou no esquecimento.”

“Tive ainda uma visão sobre a grande tribulação, tanto na nossa terra como em países mais afastados. Pareceu-me ver como que se exigia do clero uma concessão que ele não podia fazer. Vi muitos velhos sacerdotes e alguns velhos franciscanos, que já não traziam o hábito da ordem, e mais marcadamente um velho eclesiástico que chorava muito amargamente. Vi ainda alguns jovens chorar com eles.”

“Tive uma visão na qual vi aos outros na falsa igreja, edifício quadrado, sem campanário, negro e sujo, com uma cúpula elevada. Eles estavam em grande comunhão com o espírito que aí reinava. Esta igreja estava cheia de imundices, de vanidades, de insanidade e obscuridade. Quase ninguém nela conhecia as trevas no meio das quais trabalhava. Tudo era puro em aparência: mas não era mais que um vazio.”

“Vi quase todos os Bispos do mundo, pelo que julgo, mas apenas um pequeno número estava são”.

“Vi ainda, na Alemanha, eclesiásticos mundanos e protestantes manifestar desejos e elaborarem um plano para a fusão das confissões religiosas e para a supressão da autoridade papal.”

“Vi que, quarenta ou cinquenta anos, se não me engano, antes do ano 2000, Lúcifer deveria sair do abismo durante um período de tempo.” (o tempo do “pós-Concílio”….).

Agora, vamos ler alguns dos relatos mais impressionantes das visões de Anne

Vê as abominações da Franco Maçonaria

Esta igreja maldita é pura imundícia, é com origem nas trevas. Quase nenhum dos seus conhece as trevas nas quais trabalha. Tudo é nela vã escuridão; seus escarpados muros nada contêm; o altar que usam, é uma cadeira. Numa mesa há uma caveira coberta, entre duas luzes; às vezes a descobrem. Em suas “consagrações” usam de mulheres nuas. Aqui está o mal sem mistura de bem; esta é a comunhão da gente não santa. Eu não posso declarar com palavras quão abomináveis são, e quão perniciosos e vãos as tentativas desta associação, desconhecidos em grande parte por seus mesmos adeptos.

Realmente hoje se sabe que são bem poucos os maçons e sabem, com toda profundidade, dos reais objetivos de sua entidade. Milhões de incautos são cooptados para a maçonaria, mas desconhecem o que está por trás disso, coisa somente permitida aos altos iniciados. É por isso que tantas pessoas defendem a maçonaria e pertencendo a ela se julgam no direito de permanecer católicos. São verdadeiros “bois de piranha”, pois no final o projeto prevê a eliminação destes, depois que a fera tiver alcançado o poder. Serão então mortos ou exilados.

Querem fazer-se todos um só corpo com algo que não é Jesus Cristo. Tendo eu apartado a um deles, encheram-se de furor contra mim. Quando a ciência se divorciou da fé, surgiu esta igreja sem Salvador, sem crença; esta comunhão de santos sem fé; esta anti-igreja, cujo centro é a maldade, o erro, a mentira, a hipocrisia, a fraqueza e a astúcia. Nasceu assim um corpo, uma comunidade fora do corpo de Jesus Cristo, ou seja, fora da Igreja; uma igreja falsa sem Salvador, cujo mistério é não ter mistério algum.

O Papa Pio VII condenou a seita secreta dos Carbonários, nome com que se designavam os maçons “it alia” em setembro de 1821. (Permanece, pois em vigor a condenação dos católicos que se filiarem à maçonaria, e isso em todos os lugares do mundo).

Diferente em cada lugar, temporal, infinita, cortesã, egoísta, danosa e que apesar das obras boas de que se aprecia, conduz finalmente ao abismo da miséria. O maior perigo que oferece em sua aparente inocuidade. Em todas partes fazem e desejam coisas diferentes; em muitas fazem discretamente; em outras preparam ruínas sem que sejam conhecidos, senão de poucos, seus malvados planos. Assim coincidem todos com suas obras num centro que é o mau, e fazem e trabalham fora de Cristo, porque nele unicamente é santificada toda vida.

Os trabalhos das seitas (Festa da Candelária)

Nestes dias vi muitas maravilhas da Igreja. A Igreja de São Pedro estava quase destruída pelas seitas; mas os trabalhos destas foram aniquilados e todos seus pertences, mantos e utensílios, queimados num lugar imundo pela mão do verdugo. Tinha ali cabelo de cavalo que exalava tal fedor, que me causou muito dano. Nesta visão se me apresentou a Mãe de Deus exercitando seu poder a favor da Igreja. Desde então minha devoção a Maria é cada vez maior.

Este ato de queimar as nossas imagens e objetos sagrados de culto, está também relatada no livro O Eclipse do Sol. Quando tais fogueiras forem acesas, o cheiro de fumo atingirá aos céus, e isso acenderá o fogo da divina Ira. Neste momento acredito que mais de metade da humanidade irá perder a vida, e isso em poucos minutos.

Visão da época do Anticristo

Depois de ter visto a cessação do santo sacrifício da Missa, na época do Anticristo, continuou narrando o seguinte:

Vi um grande quadro eclesiástico, mas não sou capaz de reproduzir todo o conjunto. Vi a Igreja de São Pedro e em torno dela muitos campos, jardins, vizinhanças e bosques. Vi muitas pessoas contemporâneas nossas de todas as partes do mundo e muitíssimas outras que conheço pessoalmente ou por meio das visões, que entravam na Igreja, e parte delas passeavam com indiferença indo a outros postos diversos. Tinha dentro uma grande solenidade e sobre ela se via uma nuvem luminosa da qual desciam apóstolos e bispos santos, que se reuniam em coro sobre o altar. Entre eles vi a Agustinho e Ambrosio e a todos aqueles que fizeram muito pela exaltação da Igreja. Tinha uma grande solenidade e se celebrou a Missa.

E eu vi no meio da igreja um grande Cristo aberto de cujo lado mais longo pendiam três selos; de cada um dos mais estreitos dois sós estava aberto mais bem para a parte anterior da igreja, que no centro da mesma. Vi também em cima ao evangelista João e soube que eram as revelações que teve na ilha de Patmos. Aquele livro estava apoiado sobre um átrio no coro. Alguma coisa tinha tido lugar antes que este livro tivesse sido aberto, mas esqueci o que foi. É uma verdade, lástima que aqui tenha um aviso em minha visão. O Papa não estava na igreja. Estava escondido. Creio que aquelas gentes que tinha na igreja não sabiam onde estava ele. Não sei já se ele estava em oração, ou tivesse morto.

“Vi na mão direita do que estava sentado no trono, um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos”. (Ap. 5, 1)”

Este acontecimento, que lamenta não recordar, tivesse-nos dado uma pauta para interpretar alguns capítulos do Apocalipse.

Vi pelos demais que todas aquelas gentes tinham que pôr a mão sobre certa passagem no livro dos evangelhos, estes eram eclesiásticos ou leigos, e que entre muitos deles desceu uma luz, como um sinal que os santos apóstolos e bispos lhes participavam. Vi também que muitos faziam este ato superficialmente.

Fora da igreja vi aproximar-se a muitos judeus que queriam entrar, mas não o podiam fazer ainda. Ao fim chegou toda inteira a multidão que ao princípio não tinha podido entrar adentro. Era um povo inumerável. Então vi de improviso aquele livro ser tocado por um contato sobrenatural e fechar-se em seguida. Isto me fez lembrar como uma vez no convento, de noite, o demônio me apagou a luz e me fechou o livro.

Isso aponta para a conversão do povo judeu que finalmente aceitará a Jesus como Messias, entretanto isso acontecerá somente depois daquele esperado episódio do encontro do cálice e da Missa do Calvário.

Em torno de ali, mas na distância vi uma horrível e sangrenta batalha e vi uma gigantesca luta do lado do Setentrião e do lado do Ocidente. Este foi um quadro grande e muito sério. Sinto ter esquecido aquele lugar do livro sobre o qual os homens deviam pôr os dedos.

Vê os estragos que causam os inimigos à Igreja e à futura restauração por meio de Maria (Páscoa de 1820)

Quando Ana Catarina teve esta visão, o guia lhe disse que abarcava sete espaços determinados de tempo; não pôde depois, ao relatar, fixar os limites de cada tempo nem dizer qual desses tempos correspondiam a ditos acontecimentos.

Vi à terra como numa superfície redonda, coberta de escuridão e trevas. Tudo estava corrompido e a ponto de perecer. Isto o vi muito detalhadamente em todas as criaturas, nas árvores, nos arbustos, nas plantas, nas flores, nos campos. Parecia como se as águas dos ribeiros das fontes, rios e mares fossem sorvidas e voltassem a sua origem. Fui pela terra desolada e vi aos rios como linhas delgadas, aos mares como negros abismos no meio dos quais só tinha algumas grotas com água.

Este fato é realmente espantoso e está relatado no artigo “O Caos”, que já está no site. Num determinado momento todos os elementos que compõe a natureza se irão desagregar, descumprindo a ordem natural. Isso virá para esmagar a ciência arrogante, para que entenda finalmente que existe um Senhor e Criador de tudo. Então sim, se verá sim, a água como que espirrando para fora da terra e subindo para as nuvens. E rios e lagos inteiros serão sugados num abrir e fechar de olhos. Um horror!

Tudo o demais era lodo espesso e escuro onde via toda sorte de animal monstruoso e peixes lutando com a morte. Vi tanta distância ao redor que pude distinguir com toda clareza as orlas do mar onde em outra ocasião eu tinha visto que São Clemente foi submerso. Vi também lugares e multidão de gentes tristes e turvadas e muitas ruínas.

À medida que cresciam a secura e a desolação da terra, aumentavam-se as obras tenebrosas dos homens. Vi muitas maldades, em particular reconheci a Roma e vi a opressão que padecia a igreja e sua decadência no interno e no externo. Vi grandes exércitos que se dirigiam a um mesmo ponto desde várias regiões e todos estavam empenhados em lutas e batalhas. No meio deles vi uma grande mancha negra a maneira de um enorme buraco e em torno dele os combatentes eram cada vez menos, como se caíssem naquele abismo como se ninguém os visse cair.

É um fato admitido que os judeus, constituídos já em nação reconhecerão finalmente que Jesus Cristo é finalmente Messias ao que desconheceram por tanto tempo e entrarão nas igrejas católicas. Alguns colocam este fato durante o tempo da pregação de Elias e Enoc. Entre outros muitos textos sobre a conversa dos judeus veja-se especialmente no Cap. 11 da Epístola de São Paulo aos Romanos.

São Clemente I, romano, governou as igrejas por nove anos; foi martirizado no Quersoneso Taurico, precipitando-se no Mar Morto o ano 100.

Durante essa luta vi no meio de tanta ruína e corrupção a doze homens, em diferentes comarcas. Sem conhecer nem ter notícias os uns dos outros, receber como torrentes de água viva que deriva da vida eterna. Vi que todos eles trabalhavam no mesmo, em diferentes lugares e que não sabiam de onde lhes vinham os dons necessários, pois quando acabavam uma missão lhes encomendavam outra.

Eram doze e nenhum deles passava dos quarenta anos. Três eram sacerdotes e algum outro queria sê-lo. Vi também que algumas vezes eu tinha contato com algum deles, como se lhe conhecesse ou estivesse cerca dele. Em seus trajes não tinha nada de particular; cada um deles vestia segundo o uso atual de seu país. Vi que obtivessem de Deus o que se tinha perdido e como em todas as partes faziam o bem. Todos eram católicos.

No meio da tenebrosa corrupção vi falsos profetas e outras pessoas que trabalham contra os escritos destes doze apóstolos, os quais desapareciam com frequência no meio do tumulto e depois saíam outra vez mais resplandecentes que antes. Vi umas mulheres que estavam como em êxtases e junto a elas homens que as magnetizavam. Elas prediziam o futuro; mas a mim me causava aversão e horror, pareceu-me ver aquela mulher de Münster e pensei dentro de mim, com inquietude que ao menos o pai Limberg, não estaria junto a elas.

Quando as filas dos que combatiam em torno daquele negro abismo se aclararam mais e mais, e no meio do combate desapareceu toda uma cidade, aqueles doze homens apóstolos aumentaram muito o número dos que brigavam a seu lado e desde a outra cidade (a verdadeira cidade de Deus, Roma) saiu um cone de luz que penetrou no escuro disco. Vi por acima da igreja, humilhada e menoscabada, uma formosíssima Senhora com um manto azul celeste muito estendido e com uma coroa de estrelas na cabeça.

Dela procedia a luz que penetrava cada vez mais na escuridão, e ali onde chegava essa luz, tudo era renovado e tudo voltava a prosperar. Os novos apóstolos entraram todos naquela luz. Eu cria ter visto a mim mesma com outros a quem conhecia, que estávamos diante, no alto. Numa grande cidade vi uma igreja, a menor entre outras, que chegava a ser a primeira. Os novos apóstolos foram alumiados pela luz. Creio ter visto com eles à cabeça, a outros que não conheço.

Tudo voltou a florescer de novo. Vi um novo Papa muito severo. O abismo se fazia cada vez mais estreito: fez-se tão pequeno que podia ser coberto com um balde de água. Finalmente vi três exércitos ou comunidades que se uniam à luz. Tinha entre eles pessoas boas e ilustradas, as quais entraram na igreja. Tudo se tinha renovado e estava florescente. Vi que se edificaram igrejas e mosteiros.

Para mim isso significa finalmente a união das três grandes Igrejas, a Católica a Ortodoxa e a Protestante, que se vergarão unidas diante de Jesus que chega, para for um só rebanho e um só pastor.

Durante aquela tenebrosa aridez, fui transportada a um prado cheio de verdor e de cândidas flores que outras vezes tinha tido que recordar depois. Encontrei um valado de espinhas, com o qual me tinha lacerado e arranhado muito durante aqueles tempos ocorridos. Agora estava tudo florido e penetrei nele alegremente.