Gravura de William Blake - Behemoth e Leviatã (1)

William Blake – Behemoth and Leviathan c. 1805 – 1810

Olavo de Carvalho retrata na capa de seu livro “A Nova Era e a Revolução Cultural”, a gravura de William Blake que é a interpretação rigorosa dos princípios do simbolismo cristão.

Os dois monstros travam um combate psíquico no plano espiritual. Behemot é a força latente na alma humana e Leviatã a infranatureza diabólica, invisível sob as águas (o mundo psíquico) que agita com a língua, isto é, o espírito de negação e rebelião. Os dois monstros são forças cósmicas desproporcionalmente superiores ao homem, travando um combate no cenário do mundo, mas também dentro da alma humana.

Quanto a Leviatã, Deus pergunta para Jó: “Porventura poderás puxá-lo com o anzol e atar sua língua com uma corda?” (Jó, 40,21). A iconografia cristã mostra Jesus como o pescador que puxa o Leviatã para fora das águas, prendendo sua língua com um anzol. Quando o homem se descuida do combate interior, renegando a ajuda de Cristo, então se desencadeia a luta destrutiva entre a natureza e as forças rebeldes antinaturais, ou infranaturais. Cabe somente a Deus o subjugar o Leviatã.

Furtando-se ao combate espiritual, o homem se entrega a perigos de ordem material no cenário sangrento da História. No plano mais recente essas duas forças assumem claramente o sentido do rígido conservadorismo e da hubris revolucionária. Ou, mais simples ainda, direita e esquerda. É o que estamos vendo atualmente, um confronto ideológico, de ordem material, social, humana e política, em que duas forças antagônicas se digladiam no mundo natural.

Este peso da balança (mundo psíquico x mundo natural), que se pende cada vez mais para o mundo natural, levou o homem às revoltas, revoluções e guerras mais sangrentas da história, e se não houvesse intervenção divina por causa de fieis novamente reunidos para tal causa, não saberíamos o que seria do mundo. A história se repete. Precisamos de mais combatentes espirituais para virar a balança!


Recomendamos a leitura do livro “O Imbecil Coletivo”, de Olavo de Carvalho (1ª edição, Editora Record, 2018), na qual o autor explica pormenorizadamente este combate no “Manual do usuário de O Imbecil Coletivo”).