Yoga (1)

Padre Rodrigo Maria

Diversas religiões orientais têm sido introduzidas no Brasil, provocando interesse no público. O bloco mais denso provém da Índia. Traz duas notórias características: o panteísmo (tudo é divindade, e vice-versa) e o reencarnacionismo, doutrina ligada à anterior, pois se não há um Deus distinto do homem, é o homem mesmo quem se salva; se não o consegue numa encarnação, há de consegui-lo em outra, posterior.

Uma das práticas orientais mais difundidas no Brasil é a Yoga onde muitos cristãos desavisados fazem uso da mesma e coloca vossas almas em perigo.

A yoga está baseada em uma filosofia e em uma visão que não são compatíveis com a fé cristã. As seguintes chaves resumem as publicações dos especialistas Joel S. Peters e Pe. James Manjackal a respeito do tema.

A Yoga é uma disciplina espiritual hindu e não só posturas ou exercícios físicos

A palavra yoga deriva da raiz sânscrita “yuj” que significa “união”. O objetivo da yoga é unir o eu transitório (temporal), ou “jiva”, com o (eu eterno) infinito, ou “Brahman”, o conceito hindu de Deus.

Este deus não é um deus pessoal, mas uma substância impessoal espiritual que é “um só com a natureza e o cosmos”. Brahman é uma substância impessoal e divina que “impregna, envolve e subjaz em tudo”.

A yoga não é apenas um conjunto de posturas e exercícios físicos, mas uma disciplina espiritual que busca levar a alma ao “samadhi”, ou seja, aquele estado no qual o natural e o divino se transformam em um, o homem e Deus chegam a ser um sem nenhuma diferença.

É panteísta e, portanto, incompatível com o cristianismo

O panteísmo é aquela visão na qual deus e o mundo são um só. No hinduísmo existe uma realidade única e todo o resto é uma ilusão (ou Maya), ou seja, o universo é entendido como uma energia eterna, divina e espiritual, onde todos os indivíduos que existem – inclusive os humanos – são suas extensões.

A yoga é o caminho que conduz o praticante (varão=yogi, mulher=yogini) com esta energia cósmica.

Por outro lado, no cristianismo, através da revelação contida na Tradição e nas Sagradas Escrituras, conhecemos a verdadeira natureza do homem como criação única de Deus, criado a sua imagem e semelhança; onde nem o homem nem o universo criado são divinos.

No hinduísmo, o bem e o mal são ilusórios (Maya) e, portanto, inexistentes; enquanto no cristianismo, o pecado é uma transgressão da lei de Deus e o rechaço de nosso verdadeiro bem. Além disso, é inseparável para nossa fé porque é a razão pela qual necessitamos um Salvador. A Encarnação, a Vida, a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus são meios de salvação para os cristãos, ou seja, para nos libertar do pecado e de suas consequências.

Não é possível separar a espiritualidade hindu da prática da yoga

É um erro acreditar que praticando yoga só conseguirão benefícios corporais sem ser afetado pelo seu fundamento espiritual.

Isto acontece porque a yoga não trata essencialmente do relaxamento ou da flexibilidade, mas de utilizar os meios físicos para um fim espiritual.

Como explica o apologista Michael Gleghorn, há especialistas em yoga, como Georg Feuerstein e Jeanine Miller, que ao falar sobre as posturas desta prática (asana) e dos exercícios de respiração (pranayama) assinalam-nas como algo mais que simplesmente outra forma de exercício: são “exercícios psicossomáticos”, isto é, que o processo de origem psíquica também influencia no corpo.

O reconhecido investigador sobre yoga, Dave Fetcho, também assinala que a filosofia oriental é interdependente com a prática da yoga:

“A yoga física, segundo sua definição clássica, é intrínseca e funcionalmente incapaz de ser separada da metafísica das religiões orientais. O praticante ocidental que tentar fazer isto está fazendo com ignorância e em perigo, tanto do ponto de vista do iogue como do ponto de vista cristão. (Ioga; 725:2)

A igreja explica que a noção de que os seres humanos se unam “com uma consciência cósmica divina” contradiz os ensinos da Igreja:

“Para aproximar-se daquele mistério da união com Deus, que os Padres gregos chamavam divinização do homem, e para compreender com precisão as modalidades segundo as quais ela se realiza, é necessário ter presente, em primeiro lugar, que o homem é essencialmente criatura e tal permanece para sempre, de modo que jamais será possível uma absorção do eu humano pelo Eu divino, nem sequer nos mais elevados graus de graça”.

Explica também por que o da yoga não ajuda na oração cristã:

“Para os cristãos, a vida espiritual consiste em uma relação com Deus que vai se tornando cada vez mais profunda com a ajuda da graça, em um processo que ilumina também a relação com nossos irmãos. A espiritualidade, para a New Age, significa experimentar estados de consciência dominados por um sentido de harmonia e fusão com o Todo. Assim, ‘mística’ não se refere a um encontro com o Deus transcendente na plenitude do amor, a não ser à experiência provocada por um voltar-se sobre si mesmo, um sentimento exultante de estar em comunhão com o universo, de deixar que a própria individualidade entre no grande oceano do Ser”.

Segundo o ACI (16/05/2017), a blogueira católica Jenny Uebbing escreveu um recente artigo no qual afirmou que não é possível praticar a yoga fora da espiritualidade hinduísta, porque esta disciplina contém “potenciais perigos” que são “inerentes”.

“O Pe. Michael me perguntou se eu realmente acreditava que as minhas intenções poderiam despojar o significado inerente de alguma coisa. Fez a analogia de ir à Missa como um não crente, imitando as posições de genuflexão ou fazendo o sinal da cruz. ‘Mudaria o que está acontecendo no altar? Não existe alguma realidade espiritual, seja ou não reconhecida pelo crente? ’”, perguntou Uebbing em seu blog “Mama needs coffee” de CNA, agência em inglês do Grupo ACI.

Nesse sentido, este sacerdote lhe indicou que “não é possível alterar o significado intrínseco de algo simplesmente por querer que este seja diferente” e recordou que “não existe algo como yoga não espiritual”.

Nossos corpos físicos expressam realidades espirituais, algo que está no coração da mensagem da Teologia do Corpo de São João Paulo II”, destacou o sacerdote.

A ioga prejudicando a espiritualidade

Em seu blog, a escritora decidiu denunciar o quanto a yoga foi prejudicial depois de uma experiência que marcou a sua vida e a levou a se aproximar de Pe. Michael.

Uebbing assegurou que é necessário fazer uma advertência às pessoas que, assim como ela, “nunca tiveram a intenção de adorar falsos deuses ou colocar qualquer coisa em seus corações além de Jesus, e ainda hoje continuam sendo prejudicadas por isso”.

Yoga e hinduísmo

Uebbing explicou que, historicamente, a yoga é considerada uma disciplina espiritual hinduísta, sobretudo, porque esta religião “popularizou a prática e a considera sua, sendo expressão de culto a várias divindades”.

“Há algumas diferenças fundamentais entre o hinduísmo e o cristianismo. Vamos nos concentrar nas maiores. As diferenças básicas são o politeísmo (muitos deuses) contra o monoteísmo (um só Deus); e a aniquilação do eu para a busca da ‘unidade com a criação’ oposta a um Deus que se aniquilou a si mesmo para se entregar totalmente às suas criaturas”.

A blogueira indicou que praticar yoga, sendo católico, “não é tentar integrar uma bonita tradição cultural ou forma de arte no culto”, mas “significa a adoração de outros deuses. E existe um só Deus”.

“Ele é o Deus de Isaac e Abraão e o seu Filho unigênito é Jesus Cristo. Praticar outra forma de adoração é quebrar o Primeiro Mandamento”, acrescentou.

A postura da Igreja

Uebbing explicou que a Igreja Católica considera a yoga uma parte da espiritualidade da Nova Era ou New Age.

Do mesmo modo, recomendou um documento do Pontifício Conselho para a Cultura e do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso: “Jesus Cristo portador da água da vida”, recomendado pelo então Cardeal Ratzinger, atual Papa Emérito Bento XVI.

No documento, na secção 2.1, indica-se que “entre as tradições que confluem na Nova Era, pode-se enumerar: as antigas práticas ocultas do Egito, a cabala, o gnosticismo cristão primitivo, o sufismo, as tradições dos druídas, o cristianismo celta, a alquimia medieval, o hermetismo renascentista, o budismo zen, a yoga etc.”.

E novamente na seção 2.134, detalha que “a yoga, o zen, a meditação transcendental e os exercícios tântricos conduzem a uma experiência de plenitude do eu ou iluminação”.

Finalmente, Uebbing afirmou ter lido vários comentários (alguns mais confiáveis do que outros) atribuídos ao falecido ex-exorcista da Diocese de Roma, o Pe. Gabriele Amorth, nos quais explicitou a identificação da yoga com a atividade demoníaca.

“Eu li esse documento do Vaticano e descobri outras fontes, incluindo este documento do Vaticano de 1989: Carta aos Bispos sobre alguns aspectos da Meditação Cristã, que menciona a yoga em uma nota final”, concluiu.

Fonte: http://www.padrerodrigomaria.com.br/a-ioga-e-uma-atividade-demoniaca-pe-gabriele-amorth/

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