Revolução cultural (1)

A Revolução Cultural comunista visou desmoralizar e extinguir as elites cultas e religiosas

pesadelochines.blogspot.com, 24/02/2015 | Luis Eduardo Dufaur*

Mao Tsé Tung prometeu erradicar a superstição (leia-se a religião) pela raiz. Quer dizer, pela extinção das desigualdades sociais.

Na ótica marxista, o inferior olha para o seu superior e imagina que esse superior tem por sua vez um superior, e que este tem um outro, até chegar ao Superior Supremo que é Deus.

Assim ele chacinou uma centena de milhões de chineses, segundo o Livro Negro do Comunismo. Mandarins, intelectuais, artistas, mestres, tudo o que era superior ia para a fossa comum.

Seus sucessores puseram-se a construir o sonho de Mao sobre um imenso cemitério: a sociedade sem classes e sem superstições. Nasceu assim a China de hoje.

E no que deu?

Os chineses se interessam muito mais pelo cristianismo do que pelo tedioso e criminoso maoísmo!

Essa tendência tem um desdobramento nas universidades: os jovens procuram o pensamento de Santo Tomás de Aquino, o teólogo supremo das desigualdades harmônicas e proporcionada do Universo, e, portanto, o maior arauto filosófico e teológico de Deus!

“O fato de existir há quase vinte anos um Centro de Estudos Tomás numa das principais universidades chinesas pode surpreender a muitos”, adverte William E. Carroll, professor na faculdade de Teologia e Religião da Universidade de Oxford, Grã-Bretanha, informou o site Religión em Libertad.

A causa do fenômeno, diz Carroll, é que “o número, a profundidade e a rapidez das mudanças na sociedade chinesa ao longo da última década talvez encubram uma mudança inusual no âmbito acadêmico: um interesse notavelmente crescente pelo pensamento de Tomás de Aquino”.

No artigo The Public Discourse, publicado pelo Instituto Whiterspoon de New Jersey, o professor Carroll conta suas experiências sobre o inacreditável tema.

“Os universitários chineses de hoje acham que o pensamento de Tomás não só é fascinante, mas de uma relevância imperecível.

Universidade de Wuhan (1)

Estudantes e professores da Universidade de Wuhan. Há muito interesse pelo pensamento tomista.

“Acabo de passar um mês em quatro universidades chinesas falando sobre como o pensamento tomista e sua relação com a filosofia, a teologia e as ciências naturais pode servir para destrinchar a confusão contemporânea diante das implicações filosóficas e teológicas da biologia e da cosmologia evolutivas. Em Xangai, Pequim e Wuhan encontrei auditórios receptivos e entusiastas”, narrou.

Em Pequim, Carroll debateu com estudantes num seminário sobre o comentário de Santo Tomás de Aquino ao tratado Da Alma, de Aristóteles.

Um estudante da Universidade Fudan, em Xangai, trabalha numa comparação entre o fundamento metafísico da ética do Aquinatense e o de alguns pensadores chineses. Um outro, em Wuhan, estuda os diversos sentidos do conceito de ciência nas obras de Santo Tomás…

“Na Universidade de Wuhan, participei de um congresso de três dias sobre Santo Tomás de Aquino e a filosofia medieval”. Foram apresentadas 24 posições, 7 de ocidentais e 17 de chineses.

Deu-se um fato curioso: “Os ocidentais insistíamos em assuntos filosóficos, mas os chineses falavam da imago Dei [imagem de Deus], da doutrina sobre a Trindade e sobre as aplicações teológicas da teoria tomista na linguagem. Houve interesse particularmente intenso pela filosofia moral e pela teologia moral de Tomás, pois o estudo da ética tem uma importância primordial na filosofia chinesa. Todos os oradores chineses, salvo um, falaram em chinês, sinal da penetração do pensamento tomista no mundo acadêmico chinês hodierno”.

O Centro de Estudos Tomás, de Wuhan, concluiu recentemente a tradução da Suma Teológica para o chinês e agora está patrocinando a tradução do Tradado De Ente et Essentia do Doutor Angélico.

O trabalho da Universidade de Wuhan está sendo complementado por estudos similares sobre o tomismo nas universidades de Pequim, Tsinghua, Fudan, Shangai e Shandong, além de Hong Kong.

Imaginar que no Ocidente ainda se tenta entupir o cérebro dos estudantes com as teorias antinaturais e enferrujadas de Karl Marx, ou da anciã, mas subversiva Teologia da Libertação!


* Sobre o autor desse artigo, Luis Eduardo Dufaur: Escritor, jornalista, conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs.

Fonte: https://pesadelochines.blogspot.com/2015/02/universitarios-chineses-querem-santo.html

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