Hitler (1)

“Toda e qualquer pessoa que já tenha se declarado como “de direita”, e cuja declaração tenha atingido os ouvidos degenerados de um esquerdista, com certeza já ouviu em retorno algum xingamento com a palavra “nazista” no meio. Como já foi explicado no capítulo anterior, para uma pessoa que não possua fatos e argumentos que possam, de forma lógica, justificar sua ideologia – caso de todos os esquerdistas – a ofensa injustificada é a única saída, e não há maior nível de ofensa injustificada do que atribuir a alguém inocente a cumplicidade na morte de mais de vinte milhões de pessoas e a associação ao regime mais repudiado da história do mundo. Isso é o que, na gíria, se chama de “apelar”. O mais incrível é que o discurso esquerdista a respeito do nazismo é algo que colou muito bem, a ponto da maioria das pessoas acreditar que o nazismo foi fruto da extrema-direita fascista. Essa crença absurda é mais um fruto de nossa mídia esquerdista e de nossas escolas, verdadeiros criadouros de comunistas. O nazismo jamais poderia ser considerado de direita, e nem de extrema-direita, pois para isso precisaria necessariamente ser a favor do liberalismo econômico, do capitalismo e do Estado reduzido, e isso nunca aconteceu. Muito pelo contrário, basta ler o discurso de Hitler de 1º de maio de 1927:

“Nós somos socialistas, somos inimigos do sistema econômico capitalista vigente, que explora os economicamente fracos com seus salários injustos, com sua divisão indecorosa dos seres humanos com base em sua riqueza ou pobreza, em vez de sua responsabilidade e performance, e estamos determinados a destruir esse sistema sob quaisquer condições”.

 Não é necessária nenhuma capacitação especial, tampouco uma elevada formação intelectual para ler o texto acima e compreender a clareza das palavras de Hitler: ele estava determinado a destruir o capitalismo, e assim se intitulava um socialista. E todo socialista é, por definição, de esquerda. Ora, como fomos capazes de deixar que a mídia passasse uma mentira tão mal contada, por tantos anos, e para tanta gente? Para que não restem dúvidas sobre a clara orientação de esquerda do nazismo, vamos analisar o Programa de 25 Pontos do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, proclamado publicamente pelo próprio Adolf Hitler em 24 de fevereiro de 1920. O conteúdo deste programa é essencialmente esquerdista, semelhante inclusive ao conteúdo programático de diversos partidos brasileiros tais como PT, PSB, PSOL e PCdoB, entre outros:

  • Ponto 13: nós exigimos a nacionalização de todas as indústrias associadas – nacionalização de indústrias é e sempre foi uma bandeira da esquerda, nenhuma dúvida aqui;
  • Ponto 14: nós exigimos uma divisão nos lucros das indústrias pesadas – divisão compulsória de lucros também é coisa de esquerdista;
  • Ponto 15: nós exigimos a expansão em larga escala dos benefícios sociais para a velhice – benefícios sociais de qualquer tipo, em larga escala, são típicos da ideologia esquerdista, que prega um Estado enorme e “cuidador” do povo;
  • Ponto 25: para a execução de tudo isso nós exigimos a formação de um poder central forte no Reino. Autoridade ilimitada do parlamento central sobre todo o Reino e sobre suas organizações em geral – Estado forte e centralizado com poder ilimitado é sinônimo de esquerda totalitária.

Fora isso ainda há diversas outras características do nazismo deixam muito claras suas inclinações esquerdistas:

  • A política econômica nazista sempre foi Keynesiana, com o uso de programas governamentais para reduzir o desemprego e a administração de déficits gigantescos, coisas que não podem ser associadas de forma alguma à escola Austríaca, esta sim tipicamente de direita;
  • O “capitalismo” nazista era controlado pelo governo (muito semelhante ao que a China possui hoje), ao contrário do capitalismo de livre mercado. O governo nazista controlava as corporações, preços e salários, fazendo exatamente o oposto do que pregavam os expoentes intelectuais do capitalismo;
  • Enquanto queimavam e massacravam judeus em seus campos de concentração os nazistas se “preocupavam” com o direito dos animais, como mostra a declaração de Hermann Göring, um dos líderes do partido nazista: “Banir de forma absoluta e permanente a dissecação de animais é não só uma lei necessária para proteger os animais e para mostrar simpatia por sua dor, mas é também uma lei para a humanidade mesma”. Qualquer semelhança com os movimentos esquerdistas que querem banir testes médicos com animais, mas que defendem políticas contra a vida humana, não é mera coincidência.

Não resta dúvidas de que o nazismo foi um movimento de extrema-esquerda, e como tal contou com o assassinato em massa como instrumento de propagação do medo. Os mais de vinte milhões de mortos assassinados pelo regime nazista somam-se a outras dezenas de milhões de inocentes assassinados em nome da revolução comunista para formar o maior contingente de mortos em toda a história da humanidade. A esquerda é sempre assim: onde chega e toma o poder o pior sempre acontece. O preço que a revolução cobra das populações a ela submetidas é uma quantidade absurda de sangue e sofrimento. Não existe um caso sequer de nação que tenha caminhado em direção ao comunismo e que não tenha pago com muitas vidas. Aposto que muita gente vai argumentar aqui que nem toda esquerda tem como objetivo o comunismo, e vai tentar se convencer de que existe uma esquerda “legal”. Mas isso será tratado no próximo capítulo. Vamos tirar a pele de cordeiro de cima do lobo e deixá-lo nu e exposto.”

QUINTELA, Flavio. Mentiram (e muito) para mim. Capítulo VII.

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