Socialista (1)

“O socialismo, como já vimos em capítulos anteriores, veio ao mundo através de Karl Marx, concebido como etapa necessária à implantação do comunismo. E foi Karl Marx quem disse que “a religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de uma época desalmada. A religião é o ópio do povo”.

Ademais, toda a formação ideológica da esquerda parte do pressuposto de que o homem natural não é um ser corrompido, e por isso é capaz não só de imaginar uma sociedade justa, como também de colocá-la em prática, através do comunismo.

Por outro lado, o cristianismo baseia-se justamente no fato de que a corrupção do ser humano e sua incapacidade de auto-justificação requerem uma solução que venha de fora, ou seja, da atuação direta de um agente divino, no caso o sacrifício do próprio filho de Deus, inocente, em prol de uma humanidade culpada.

Fica clara a exclusão mútua que essas duas linhas de pensamento representam: um socialista ou comunista jamais poderá ser um cristão, e um cristão jamais poderá ser um socialista ou comunista. É por isso que nem o diabo, intitulado na Bíblia cristã como o “pai da mentira”, acredita quando alguém se declara um cristão socialista. Como sempre acontece com a esquerda, existem os que se declaram assim com total consciência da mentira que estão falando, e há também os “idiotas úteis” que Lênin considera imprescindíveis na implantação do comunismo, e que continuam freqüentando suas igrejas e acreditando que é possível conciliar o cristianismo com o socialismo.

O cristianismo no Brasil sempre foi uma força de grande influência, e a Igreja Católica formou, juntamente com as Forças Armadas e o empresariado, a peça de resistência que impediu que o Brasil fosse tomado pelos comunistas em 1964. A contra-revolução, erroneamente chamada de golpe militar, garantiu aos brasileiros o livramento das mãos de um movimento que pretendia transformar o país em uma república socialista nos moldes de Cuba, plano que jamais foi abandonado e que hoje se encontra em um estágio muito mais próximo da realização do que em qualquer outra época. Mas falaremos da contra-revolução no próximo capítulo, dado que é uma das maiores mentiras que já foram contadas e perpetradas como verdade em toda a nossa história.

Voltando à Igreja Católica, após o início do período de governo militar, surge na igreja brasileira uma corrente “marxista-cristã” chamada Teologia da Libertação, com expoentes como Leonardo Boff e Hugo Assman. Se o cristianismo foi sempre uma importante base de resistência a todas as ideologias esquerdistas, a Teologia da Libertação foi a arma usada para destruir essa base desde dentro, preparando terreno para toda a revolução cultural marxista-gramsciana que viria em seguida.

É claro que alguns poucos teólogos, sozinhos, não mudariam a orientação de uma instituição do tamanho da Igreja Católica. A Teologia da Libertação contou com total apoio da ala esquerdista da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, entidade que não faz parte da hierarquia da Igreja Católica, não fala oficialmente em nome da Igreja, mas que possui grande influência sobre a mesma no Brasil. Aliás, o fato de quase ninguém saber que a CNBB não é órgão oficial da Igreja Católica resulta diretamente da manipulação promovida pela mídia brasileira, que procura sempre mostrar a CNBB como órgão máximo da Igreja Católica brasileira, quando não passa de um ajuntamento de bispos, cuja cúpula é formada por esquerdistas, sem nenhuma representatividade real perante a Igreja de Roma. Enfim, foi através da CNBB que o marxismo se infiltrou no catolicismo, tornando o Brasil um caso muito peculiar entre todos os países majoritariamente católicos: não há em outro lugar do mundo mais católicos esquerdistas do que aqui. Enfim, impregnar uma das estruturas sociais de maior influência que tínhamos com o vermelho do comunismo foi um golpe muito bem aplicado na resistência democrática conservadora de direita.

Enfim, todo esquerdista estrategista, participante da causa revolucionária, sabe que a substituição da adoração ao divino pela adoração ao partido é essencial para os planos comunistas, pois na sociedade idealizada por Marx não há religião e nem Deus, há somente o povo e o partido, este ocupando na vida de cada um o papel que caberia à figura divina, através do Estado Todo-Poderoso. Assim, o Estado é o cuidador, a família, o juiz, o provedor, o médico, o defensor etc. Destruir a religião, que no ocidente é majoritariamente cristã, é portanto essencial aos planos da esquerda.

O cristão que se diz socialista e que defende a esquerda trabalha em favor do maior inimigo de sua fé, servindo como um agente corruptor interno, na maioria das vezes sem ter idéia do trabalho sujo do qual está sendo cúmplice e, como tal, co-responsável pela degradação moral decorrente da esquerdização da Igreja. Se soubesse – e se estiver lendo este livro passará a saber agora – do nível de planejamento estratégico que a esquerda dispende com o objetivo de solapar o cristianismo, jamais, em todo o restante de sua vida, diria que é socialista, que apoia a esquerda ou que nutre qualquer tipo de simpatia por essas ideologias.

Para se ter uma idéia do peso com que os esquerdistas consideram a religião, Antonio Gramsci, um dos mais influentes pensadores da esquerda, e criador dos métodos de subversão cultural tão utilizados pela esquerda, dizia que o governo e a sociedade se perpetuam através das igrejas, porque elas estabelecem padrões que moldam as vidas das pessoas, suas regras e o modo de estruturação das famílias. Preste atenção nisso: quem está admitindo a importância das igrejas é um dos pensadores esquerdistas mais seguidos e reverenciados de todos os tempos, e sua constatação nunca foi com intenções de preservação, mas sim para se utilizar das igrejas em favor da causa revolucionária, num plano de mudança da sociedade a longo prazo, e que também envolve as instituições de ensino e a mídia. Assim, dominando a igreja, que tem papel fundamental na formação moral do indivíduo, a escola, com a formação intelectual, e a mídia, a esquerda conseguiu, ao longo das últimas quatro décadas, conduzir a sociedade brasileira para a direção exata que planejou. E o planejamento é tão diluído no tempo que acaba escapando aos olhos das pessoas, as quais aceitam as mais profundas mudanças nos padrões morais e culturais como sendo mero acaso da história.

Para que você, leitor, não ache que esse planejamento do qual estou falando é apenas uma teoria da conspiração ou uma mera invenção, gostaria de elencar abaixo alguns pontos extraídos do livro O Comunista Nu, de Cleon Skousen, ex-agente do FBI que se infiltrou em grupos comunistas na década de 1950 para depois descrever os conteúdos das reuniões estratégicas. Esses pontos são parte de uma lista de quarenta e cinco metas documentadas que os maiores estrategistas dos partidos comunistas de todo mundo usaram para direcionar sua agenda de destruição da sociedade ocidental judaico-cristã:

  • Meta 17: controlar as escolas, usá-las como centro transmissor para o socialismo, amolecendo o currículo de ensino e ganhando o controle das associações de professores;
  • Metas 20 e 21: infiltrar a imprensa e ganhar controle das posições principais no rádio, na televisão e nas produtoras de cinema;
  • Meta 25: quebrar os padrões culturais de moralidade através da promoção da pornografia em livros, revistas, filmes e televisão;
  • Meta 26: apresentar a homossexualidade, a degeneração e a promiscuidade como “normal, natural, saudável”;
  • Meta 27: infiltrar as igrejas e substituir a religião revelada pela religião “social”, desacreditando a Bíblia;
  • Meta 40: desacreditar a família como instituição, encorajando a promiscuidade e facilitando o divórcio.

Essas metas, reveladas em 1958, têm sido a base para toda a ação militante da esquerda, e podem ser facilmente reconhecidas nas agendas de políticos ligados ao Foro de São Paulo e a diversos partidos de semelhante orientação. Apoiar a esquerda e suas iniciativas é o mesmo que endossar cada uma dessas metas. Apoiar a esquerda é sabotar a sociedade.

Resumindo, declarar-se cristão socialista equivale a declarar-se um pacifista assassino, ou um vegetariano carnívoro, ou ainda um palmeirense corintiano. O verdadeiro cristão, que conhece os ensinamentos de seu mestre e a história de sua fé, não admite a esquerda como ideologia compatível com seus princípios. Se a admite, é por mau-caratismo ou por ignorância. No primeiro caso a fé não vai lhe ajudar em nada mesmo; já no segundo há a esperança de mudança através da disseminação da verdade. Para o leitor que conhece algum “cristão-socialista” fica a dica: para o próximo aniversário, dia dos pais, natal ou qualquer outra data comemorativa, presenteie seu conhecido com um exemplar deste livro.”

QUINTELA, Flavio. Mentiram (e muito) para mim. Capítulo XII.

Anúncios