Estudo nº 7 da Inquietude que acredita Bergoglio:

“Os jovens preferem viver juntos sem se casar. É preciso aproximar-se deles”

Autores: Sacerdotes Diocesanos | El Denzinger-Bergoglio: denzingerbergoglio.com

Tradução: Mãe da Salvação

Os surpreendentes aportes de Bergoglio ao Magistério bimilenar da Santa Igreja: uma antologia dos principais ensinamentos e inovações de Bergoglio confrontadas com o Magistério da Igreja para servir de uma boa ajuda para emitir um juízo acertado e formar critérios de análises nos católicos.

Não é nenhuma novidade que os inimigos da Santa Igreja intentem manipular as palavras da Hierarquia Eclesiástica a favor de seus espúrios interesses. Ainda em nossos dias as influências dos pastores sobre as almas é demasiada como para que aqueles que queriam um mundo sem Deus não intentem desviá-la de sua reta finalidade. Nas últimas décadas, não tem sido raro que isto se fez inclusive com os ensinamentos dos Papas, mas, com a ajuda de Deus, a verdade sempre tem triunfada.

Muito tem ajudado neste sentido as palavras claras que iluminam uma época onde a distinção entre o bem e o mal parecia ser cada vez mais difusa, palavras contracorrentes que não temem o desprezo do mundo, como as do Paulo VI, João Paulo II ou, mais recentemente, Bento XVI. E se agradece… porque os católicos necessitam de certezas firmes como rochas fundamentais da Fé Imortal da Igreja.

Um dos temas que mais necessita desta claridade é a moral familiar, tão fustigada por todos os lados. Por isso, nada melhor do que saber evitar expressões dúbias… Vejamos que exemplo nos dão a respeito, tanto Bergoglio como os Pontífices anteriores.

Bergoglio

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Se tem colocado muita ênfase sobre o tema dos divorciados. Um aspecto que, sem dúvida, será debatido. Mas, para mim, um problema também muito importante são os novos costumes atuais da juventude. A juventude não se casa. É uma cultura da época. Muitos jovens preferem viver juntos sem se casar. Que deve fazer a Igreja? Expulsá-los de seu seio? Ou, em vez disso, aproximar-se deles, segurá-los e tratar de levar-lhes a palavra de Deus? (La Nación, 5 de outubro de 2014)

Ensinamentos do Magistério da Santa Igreja

Sagradas Escrituras

Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito. (Rm 12, 2)

João Paulo II

O perigo de confundir os limites entre a Igreja e o mundo e o dever de anunciar sem ambigüidades a verdade

O interrogativo fundamental refere-se à relação entre a Igreja e o mundo. Essa relação foi fundamental para o Concílio Vaticano II e, após mais de trinta anos, continua tal para a vida da Igreja. A resposta que dermos a este interrogativo determinará a resposta que daremos a uma gama de outros importantes e concretos interrogativos. A progressiva secularização da sociedade comporta a tendência a fazer obscurecer os confins entre a Igreja e o mundo. Alguns aspectos da cultura dominante podem condicionar a comunidade cristã de uma maneira que o Evangelho não permite. Às vezes falta a vontade de enfrentar as premissas culturais, como o Evangelho exige. Isto muitas vezes é acompanhado por uma abordagem acrítica do problema do mal moral e pela relutância a reconhecer a realidade do pecado e a necessidade do perdão. Esta atitude encarna uma visão muito otimista da modernidade, juntamente com uma certa inquietação em relação à Cruz e às suas implicações para a vida dos cristãos. Com muita facilidade se esquece do passado, e o presente é de tal modo ressaltado que o sentido do sobrenatural se enfraquece. Um alterado respeito pelo pluralismo conduz a um relativismo, que põe em dúvida as verdades ensinadas pela fé e acessíveis à razão humana; isto, por sua vez, leva à confusão acerca da essência da liberdade autêntica. Tudo isto causa incerteza sobre o contributo peculiar que a Igreja é chamada a oferecer ao mundo. Ao falar do diálogo da Igreja com o mundo, o Papa Paulo VI usou a expressão colloquium salutis; não só diálogo por amor a ele, mas um diálogo que encontra a sua fonte na Verdade que liberta e salva. O colloquium salutis exige que a Igreja seja diferente precisamente por amor ao diálogo. A fonte inexaurível dessa diversidade é a força do mistério pascal, que proclamamos e comungamos. É no mistério pascal que descobrimos a verdade absoluta e universal – a verdade sobre Deus e sobre a pessoa humana – que foi confiada à Igreja a qual, por sua vez, a oferece aos homens e mulheres de todas as épocas. Nós, Bispos, nunca devemos perder a confiança no chamamento que recebemos a uma humilde e tenaz diakonia dessa verdade. A fé e a missão apostólica que recebemos impõem-nos a obrigação solene de transmitir a verdade a todos os níveis do nosso ministério. (João Paulo II. Discurso na Conferência Episcopal da Austrália em visita “ad limina”, n.3, 14 de dezembro de 1998)

A Igreja jamais deve esconder a verdade moral

A doutrina da Igreja, e particularmente a sua firmeza em defender a validade universal e permanente dos preceitos que proíbem os atos intrinsecamente maus, é julgada frequentemente como sinal de uma intransigência intolerável, sobretudo nas situações extremamente complexas e conflituosas da vida moral do homem e da sociedade de hoje: uma intransigência que estaria em contraste com o sentido materno da Igreja. Nesta, dizem, escasseiam a compreensão e a compaixão. Mas, na verdade, a maternidade da Igreja nunca pode ser separada da missão de ensinar que ela deve cumprir sempre como Esposa fiel de Cristo, a Verdade em pessoa: «Como Mestra, ela não se cansa de proclamar a norma moral (…) De tal norma, a Igreja não é, certamente, nem a autora nem o juiz. Em obediência à verdade que é Cristo, cuja imagem se reflecte na natureza e na dignidade da pessoa humana, a Igreja interpreta a norma moral e propõe-na a todos os homens de boa vontade, sem esconder as suas exigências de radicalidade e de perfeição». Na realidade, a verdadeira compreensão e a genuína compaixão devem significar amor pela pessoa, pelo seu verdadeiro bem, pela sua liberdade autêntica. E isto, certamente, não acontece escondendo ou enfraquecendo a verdade moral, mas sim propondo-a no seu íntimo significado de irradiação da Sabedoria eterna de Deus, que nos veio por Cristo, e de serviço ao homem, ao crescimento da sua liberdade e à consecução da sua felicidade. (João Paulo II. Carta Encíclica Veritatis Splendor, n.95, 6 de agosto de 1993)

A solução contra o relativismo moral se encontra na integridade da mensagem de Jesus Cristo

A força poderosa dos meios de comunicação social e da indústria da diversão visa em grande medida os jovens, que passam a ser o objetivo de ideologias contrárias que procuram condicionar e influenciar as suas atitudes e as suas ações. Quando os jovens são assediados pelo relativismo moral e pela indiferença religiosa, cria-se uma grande confusão. Como é que eles podem lutar com a interrogação da verdade e as exigências de coerência no comportamento moral, quando a cultura moderna lhes ensina a viver como se não existissem valores absolutos, ou quando lhes pede que se contentem com uma religiosidade vaga? A difundida perda do significado transcendente da existência humana leva à falência na vida moral e social. Queridos Irmãos, a vossa tarefa consiste em mostrar aos homens e mulheres contemporâneos e às gerações mais jovens a enorme importância de Jesus e do seu Evangelho: porque é aqui que as aspirações e as exigências mais profundas encontram a sua plena realização. A mensagem salvífica de Jesus Cristo deve ser novamente escutada em todo o seu vigor e em toda a sua força, a fim de poder ser plenamente experimentada e saboreada! (João Paulo II. Discurso na Conferência Episcopal da Escócia em visita “ad limina”, n.5, 4 de março de 2003)

A melhor pastoral familiar exige claridade doutrinal e não conformar-se com as opiniões populares

Uma proposta pastoral para a família em crise supõe, como exigência preliminar, uma clareza doutrinária, efetivamente ensinada no campo da Teologia Moral, sobre a sexualidade e a valorização da vida. As opiniões contrastantes de teólogos, sacerdotes e religiosos, divulgadas inclusive pela imprensa escrita e falada, sobre as relações pré-matrimoniais, o controle da natalidade, a admissão dos divorciados aos sacramentos, a homossexualidade e o lesbianismo, a fecundação artificial, o uso de práticas abortivas ou a eutanásia mostram o grau de incerteza e a confusão que perturbam e chegam a anestesiar a consciência de muitos fiéis. Na base da crise, percebe-se a ruptura entre a antropologia e a ética, marcada por um relativismo moral segundo o qual valoriza-se o ato humano, não com referência a princípios permanentes e objetivos, próprios da natureza criada por Deus, mas conforme a uma ponderação meramente subjetiva acerca do que é mais conveniente ao projeto pessoal de vida. Produz-se então uma evolução semântica em que o homicídio se chama morte induzida, o infanticídio, aborto terapêutico e o adultério passa a ser uma simples aventura extramatrimonial. Não havendo mais certeza absoluta nas questões morais, a lei divina torna-se uma proposta facultativa na oferta variegada das opiniões mais em voga. (João Paulo II. Discurso aos Bispos do Regional Leste II do Brasil em visita “ad limina”, n.6, 16 de novembro de 2002)

Diante das uniões livres de fato, a urgência de uma pastoral que busque a regularização

Trata-se de uniões sem nenhum vínculo institucional, civil ou religioso, publicamente reconhecido. Este fenômeno – cada vez mais frequente – não deixará de chamar a atenção dos pastores, exatamente porque existindo na sua base elementos muito diversos, será possível atuar sobre eles e limitar-lhes as consequências. Alguns, com efeito, consideram-se quase constrangidos a tais uniões por situações difíceis de caráter econômico, cultural e religioso, já que contraindo um matrimônio regular, seriam expostos a um dano, à perda de vantagens econômicas, à discriminação, etc. Outras, pelo contrário, fazem-no numa atitude de desprezo, de contestação ou de rejeição da sociedade, do instituto familiar, do ordenamento sócio-político, ou numa busca única de prazer. Outros, enfim, são obrigados pela extrema ignorância e pobreza, às vezes por condicionamentos verificados por situações de verdadeira injustiça, ou também de uma certa imaturidade psicológica, que os torna incertos e duvidosos na contração de um vínculo estável e definitivo. Em alguns países os costumes tradicionais prevêem o matrimônio verdadeiro e próprio só depois de um período de coabitação e depois do nascimento do primeiro filho. Cada um destes elementos põe à Igreja árduos problemas pastorais, pelas graves consequências quer religiosas e morais (perda do sentido religioso do matrimônio à luz da Aliança de Deus com o seu Povo; privação da graça do sacramento; escândalo grave), quer também sociais (destruição do conceito de família; enfraquecimento do sentido de fidelidade mesmo para com a sociedade; possíveis traumas psicológicos nos filhos; afirmação do egoísmo). Os pastores e a comunidade eclesial serão diligentes em conhecer tais situações e as suas causas concretas, caso por caso; em aproximar-se dos conviventes com discrição e respeito; em esforçar-se com uma ação de esclarecimento paciente, de caridosa correção, de testemunho familiar cristão, que lhes possa aplanar o caminho para regularizar a situação. Faça-se, sobretudo, obra de prevenção, cultivando o sentido da fidelidade na educação moral e religiosa dos jovens, instruindo-os acerca das condições e das estruturas que favorecem tal fidelidade, sem a qual não há verdadeira liberdade, ajudando-os a amadurecer espiritualmente e fazendo-lhes compreender a riqueza da realidade humana e sobrenatural do matrimônio-sacramento. (João Paulo II. Exortação apostólica Familiaris consortio, n.81, 22 de novembro de 1981)

Bento XVI

A misericórdia não muda a natureza do pecado e exige correspondência

Evitando equívocos, deve-se observar que a misericórdia de Jesus não se expressa pondo entre parêntesis a lei moral. Para Jesus, o bem é bem, o mal é mal. A misericórdia não muda os aspectos do pecado, mas queima-os num fogo de amor. Este afeto purificante e restabelecedor realiza-se se há no homem uma correspondência de amor, que implica o reconhecimento da lei de Deus, o arrependimento sincero, o propósito de uma vida nova. À pecadora do Evangelho muito é perdoado, porque muito amou. Em Jesus Deus vem dar-nos o amor e pedir-nos o amor. (Bento XVI. Homilia na visita pastoral a Assis na ocasião do VII centenário da conversão de São Francisco, 17 de junho de 2007)

Pio X

A neutralidade diante das acometidas do mundo é covarde

A vós, veneráveis irmãos, a quem a divina providência tem constituído pastores e guias do povo cristão, incumbe a obrigação de procurar resistir com todo empenho a esta funestíssima tendência da moderna sociedade, de adormecer-se em uma vergonhosa inércia, enquanto recrudesce a guerra contra a religião, procurando uma covarde neutralidade, por meio de rodeios e convênios, em detrimento do justo e homesto, e sem acordar-se daquela categórica sentença de Cristo: “Quem não está comigo está contra mim” (Mt 12, 30). (Pio X. Encíclica Communium rerum, 21 de abril de 1909)

Concílio Vaticano II

A necessidade ineludível de formar os jovens segundo a verdadeira moral conjugal

Os jovens devem ser conveniente e oportunamente instruídos, sobretudo no seio da própria família, acerca da dignidade, missão e exercício do amor conjugal. Deste modo, educados na castidade, poderão, chegada a idade conveniente, entrar no casamento depois dum noivado puro. (Concílio Vaticano II. Constituição pastoral Gaudium et spes, n.49, 7 de dezembro de 1965)

Leão XIII

Obrigação pastoral de preservar a santidade do matrimônio

Cristo, por conseguinte, havendo renovado o matrimônio, com tal e tão grande excelência, confiou e encomendou toda a disciplina do mesmo à Igreja. A qual exerceu em todo o tempo e lugar seu poder sobre os matrimônios dos cristãos, e a exerceu de tal maneira que esse poder apareceu como o seu próprio, e não obtida por concessão dos homens, mas recebida de Deus por vontade de seu fundador. É de sobra conhecido por todos, para que se faça necessário demonstrá-lo, quantos e que vigilantes cuidados tenha posto para conservar a santidade do matrimônio a fim de que este se mantivera incólume. Sabemos, em efeito, com toda certeza, que os amores dissolutos e livres foram condenados por sentença do concílio de Jerusalém. (Leão XIII. Carta Encíclica Arcanum Divinae Sapientiae, n.9-10, 10 de fevereiro de 1880)

Fundamento do matrimônio cristão

Tomamos o maior cuidado de que os povos abundem nos preceitos da sabedoria cristã e não olvidem jamais que o matrimônio não foi instituído por vontade dos homens, mas no princípio por autoridade e disposição de Deus, e precisamente ao abrigo desta lei, de que seja de um com uma; e que Cristo, autor da Nova Aliança, o elevou de necessidade da natureza a sacramento e que, no que interessa ao vínculo, atribuiu o poder legislativo e judicial à sua Igreja. Sobre isto terá que ter muito cuidado de que as mentes não sejam arrastadas pelas falácias conclusões dos adversários, segundo os quais este poder tem sido tirado da Igreja. Todos devem igualmente saber que, se se leva a cabo entre os fieis uma união de homem com mulher fora do sacramento, tal união carece de toda força e razão de legítimo matrimônio. (Leão XIII. Carta Encíclica Arcanum Divinae Sapientiae, n.24-25, 10 de fevereiro de 1880)

Pio IX

As uniões fora do matrimônio são concubinato

Que nenhum católico ignore ou possa ignorar que o matrimônio é verdadeiro e propriamente um dos sete sacramentos da lei evangélica, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, e que, portanto, não pode dar-se o matrimônio entre os fieis sem que seja, ao mesmo tempo, sacramento, e, conseguintemente, qualquer outra união de homem e mulher entre cristãos, fora do sacramento, seja qualquer a lei, ainda a civil, em cuja virtude é feita, não é outra coisa que torpe e pernicioso concubinato tão encarecidamente condenado pela Igreja, e, portanto, o sacramento não pode nunca separar-se do contrato conjugal. (Denzinger-Hünermann 2998. Pio IX. Alocução Acerbissimum vobiscum, 27 de setembro de 1852)

Congregação para a Doutrina da Fé

A união fora do matrimônio profana o templo do Espírito Santo

Pelo matrimônio, de fato, o amor dos esposos é assumido naquele amor com que Cristo ama irrevogavelmente a Igreja, ao passo que a união corporal na imoralidade profana o templo do Espírito Santo que o cristão se tornou. A união carnal, por conseguinte, não é legítima se entre o homem e a mulher não se tiver instaurado, primeiro e dê maneira definitiva, uma comunidade de vida. Foi isto o que a Igreja sempre entendeu e ensinou encontrando também na reflexão ponderada dos homens e nas lições da história uma concordância profunda com a sua doutrina. (Congregação para a Doutrina da Fé. Declaração Persona Humana, n.7, 29 de dezembro de 1975)

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