Estudo nº 6 da Inquietude que acredita Bergoglio:

“A consciência é livre”

Autores: Sacerdotes Diocesanos | El Denzinger-Bergoglio: denzingerbergoglio.com

Tradução: Mãe da Salvação

Os surpreendentes aportes de Bergoglio ao Magistério bimilenar da Santa Igreja: uma antologia dos principais ensinamentos e inovações de Bergoglio confrontadas com o Magistério da Igreja para servir de uma boa ajuda para emitir um juízo acertado e formar critérios de análises nos católicos.

Incluso no fundo da alma do homem mais perverso brilha uma centelha inextinguível que a recorda a cada momento a obrigação de fazer o bem e evitar o mal. Assim, ninguém consegue cometer atrocidades sem antes desculpá-las diante de sua consciência. Bergoglio abre novos horizontes da Teologia Moral ao ensinar que Deus olha com agrado este procedimento tão tristemente comum na natureza humana decaída.

Bergoglio

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A consciência é livre. Se escolhe o mal porque está seguro que dele se derivará um bem, no céu estas boas intenções e suas conseqüências serão avaliadas. (Entrevista com Scalfari, 13 de julho de 2014).

Ensinamentos do Magistério da Santa Igreja

Papa Gregório XVI

Os perigos da liberdade de consciência

Dessa fonte lodosa do indiferentismo promana aquela sentença absurda e errônea, digo melhor disparate, que afirma e defende a liberdade de consciência. Este erro corrupto abre alas, escudado na imoderada liberdade de opiniões que, para confusão das coisas sagradas e civis, se estendo por toda parte, chegando a imprudência de alguém se asseverar que dela resulta grande proveito para a causa da religião. Que morte pior há para a alma, do que a liberdade do erro! dizia Santo Agostinho (Ep. 166). Certamente, roto o freio que mantém os homens nos caminhos da verdade, e inclinando-se precipitadamente ao mal pela natureza corrompida, consideramos já escancarado aquele abismo (Apoc 9,3) do qual, segundo foi dado ver a São João, subia fumaça que entenebrecia o sol e arrojava gafanhotos que devastavam a terra. Daqui provém a efervescência de ânimo, a corrupção da juventude, o desprezo das coisas sagradas e profanas no meio do povo; em uma palavra, a maior e mais poderosa peste da república, porque, segundo a experiência que remonta aos tempos primitivos, as cidades que mais floresceram por sua opulência, extensão e poderio sucumbiram, somente pelo mal da desbragada liberdade de opiniões, liberdade de ensino e ânsia de inovações. (Gregório XVI, Encíclica Mirari Vos, sobre os principais erros de seu tempo, 15 de agosto de 1832)

Concílio Vaticano II

O dever da Igreja de predicar o único Deus verdadeiro

É por este motivo que a Igreja anuncia a mensagem de salvação aos que ainda não têm fé, para que todos os homens venham a conhecer o único Deus verdadeiro e o Seu enviado, Jesus Cristo, e se convertam dos seus caminhos pela penitência. Aos que crêem, tem o dever de pregar constantemente a fé e a penitência, de dispô-los aos Sacramentos, de ensiná-los a guardar tudo o que Cristo mandou, de estimulá-los a tudo o que seja obra de caridade, de piedade e apostolado, onde os cristãos possam mostrar que são a luz do mundo, embora não sejam deste mundo, e que glorificam o Pai diante dos homens. (Papa Paulo VI, Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, n.9, sobre a Sagrada Liturgia, 4 de dezembro de 1963)

O cristão tem elementos suficientes para adequar sua vida à Lei Divina

O cristão, tornado conforme à imagem do Filho que é o primogênito entre a multidão dos irmãos, recebe «as primícias do Espírito» (Rom. 8,23), que o tornam capaz de cumprir a lei nova do amor. (Constituição Pastoral Gaudium et Spes, sobre a Igreja no mundo atual, 7 de dezembro de 1965)

Santo Agostinho

Tem ignorância invencível os que foram enganados por outros, mas buscam diligentemente a verdade

Na verdade, diz o Apóstolo Paulo: “Depois de uma correção, evita o herege, sabendo que ele tem cedido, peca e está condenado por si mesmo”. Mas não tem de ser temidos por hereges os que não defendem com teimosa animosidade sua sentença, ainda que ela seja perversa e falsa; especialmente se eles não a inventaram por própria e audaz presunção, mas que foram seduzidos e induzidos ao erro, porque a receberam de seus padres, e com tal de que busquem por outra parte com prudente diligência a verdade e estão dispostos a corrigir-se quando a encontrem. […] Por isso eu também escrevi a alguns líderes donatistas, não cartas de comunhão, pois fazia já tempo que não as recebem da unidade católica universal por sua perversidade, mas cartas privadas, como pudera enviá-las licitamente aos pagãos. Eles tem lido, no entanto, ou eles não quiseram ou, como parece mais credível, não puderam contestar. Ao enviá-las, me pareceu que já cumpri o meu dever de caridade. (Santo Agostinho, Sermão 43, n.1)

Papa Pio IX

Apesar da ignorância invencível, é mau investigar seus limites

Com efeito, pela fé há de sustentar-se que fora da Igreja Apostólica Romana ninguém pode salvar-se; que esta é a única arca da salvação, que quem nela não tiver entrado, perecerá no dilúvio. Entretanto, também é preciso ter por certo que aqueles que sofrem de ignorância da verdadeira religião, se aquela [ignorância] é invencível, não são eles ante os olhos do Senhor réus por isso de culpa alguma. Ora pois, quem será tão arrogante que seja capaz de assinalar os limites desta ignorância, conforme a razão e a variedade de povos, regiões, caracteres e de tantas outras e tão numerosas circunstâncias? Quando livres destes laços corpóreos, veremos a Deus tal como és, então aí entenderemos certamente o estreito e nobre vínculo que une a misericórdia e a justiça divina, mas enquanto permaneçamos na terra agravados por esta massa mortal que pesa a alma, conservemos como inabalados, segundo a doutrina católica, que existe um só Deus, uma só fé, um só batismo (Ef 4, 5). Passar além da nossa investigação, é mau. (Pio IX, Alocução Singulari Quadam, 9 de dezembro de 1854)

Papa Paulo VI

Só a Igreja pode formar adequadamente a consciência e os fieis devem cooperar nesta missão

Os fiéis, por sua vez, para formarem a sua própria consciência, devem atender diligentemente à doutrina sagrada e certa da Igreja. Pois, por vontade de Cristo, a Igreja Católica é mestra da verdade, e tem por encargo dar a conhecer e ensinar autenticamente a Verdade que é Cristo, e ao mesmo tempo declara e confirma, com a sua autoridade, os princípios de ordem moral que dimanam da natureza humana. Além disso, os cristãos, procedendo cordatamente com aqueles que estão fora da Igreja, procurem «no Espírito Santo, com uma caridade não fingida e com a palavra da verdade» (2 Cor. 6, 6-7), difundir com desassombro e fortaleza apostólica a luz da vida, até à efusão do sangue. Com efeito, o discípulo tem para com Cristo seu mestre o grave dever de conhecer cada vez mais plenamente a verdade d’Ele recebida, de a anunciar fielmente e defender corajosamente postos de parte os meios contrários ao espírito evangélico. Ao mesmo tempo, o amor de Cristo incita-o a agir com amor, prudência e paciência para com os homens que se encontram no erro ou na ignorância relativamente à fé. (Paulo VI, Declaração Dignitatis Humanae, n.14, sobre a liberdade religiosa, 7 de dezembro de 1965)

João Paulo II

A consciência errônea não se equipara ao bem moral. É o mal fruto da ignorância, não deixa de ser um mal

63. De qualquer forma, é sempre da verdade que deriva a dignidade da consciência: no caso da consciência reta, trata-se da verdade objetiva acolhida pelo homem; no da consciência errônea, trata-se daquilo que o homem errando considera subjetivamente verdadeiro. Nunca é aceitável confundir um erro «subjetivo» acerca do bem moral com a verdade «objetiva», racionalmente proposta ao homem em virtude do seu fim, nem equiparar o valor moral do ato cumprido com uma consciência verdadeira e reta, àquele realizado seguindo o juízo de uma consciência errônea. O mal cometido por causa de uma ignorância invencível ou de um erro de juízo não culpável, pode não ser imputado à pessoa que o realiza; mas, também neste caso, aquele não deixa de ser um mal, uma desordem face à verdade do bem. Além disso, o bem não reconhecido não contribui para o crescimento moral da pessoa que o cumpre: não a aperfeiçoa nem serve para encaminhá-la ao supremo bem. Assim, antes de nos sentirmos facilmente justificados em nome da nossa consciência, deveríamos meditar nas palavras do Salmo: «Quem poderá discernir todos os erros? Purificai-me das faltas escondidas» (Sal 19, 13). Existem faltas que não conseguimos ver e que, não obstante, permanecem culpáveis, porque nos recusamos a caminhar para a luz (cf. Jo 9, 39-41). […]

77. Para oferecer os critérios racionais de uma justa decisão moral, as mencionadas teorias têm em conta a intenção e asconsequências da ação humana. Certamente, num ato particular, há que tomar em grande consideração tanto a intenção — como insiste, com particular vigor, Jesus, em clara contraposição aos escribas e fariseus que prescreviam minuciosamente certas obras exteriores, sem atenderem ao coração (cf. Mc 7, 20-21; Mt 15, 19) — como os bens obtidos e os males evitados, em decorrência de um ato particular. Trata-se de uma exigência de responsabilidade. Mas a consideração destas consequências — como também das intenções — não é suficiente para avaliar a qualidade moral de uma opção concreta. A ponderação dos bens e dos males, previsíveis como consequência de uma ação, não é um método adequado para determinar se a escolha daquele comportamento concreto é «segundo a sua espécie», ou «em si mesma», moralmente boa ou má, lícita ou ilícita. As consequências previsíveis pertencem àquelas circunstâncias do ato, que, embora podendo modificar a gravidade de um ato mau, não podem, porém, mudar a sua espécie moral. (João Paulo II, Carta Encíclica Veritatis Splendor, sobre algumas questões fundamentais do ensino moral da Igreja, 6 de agosto de 1993)

Os cristãos hoje, em grande parte, se sentem extraviados, confusos, perplexos e mesmo desencantados…

Hoje, para um trabalho eficaz no campo da predicação, é necessário antes de tudo conhecer bem a realidade espiritual e psicológica dos cristãos que vivem na sociedade moderna. É necessário admitir com realismo, e com profunda e atormentada sensibilidade, que os cristãos de hoje, em grande parte, se sentem extraviados, confusos, perplexos e mesmo desencantados, se tem esparzido a mãos cheias de idéias contrastantes com a verdade revelada e ensinada desde sempre; se tem propalado verdadeiras e próprias heresias, no campo dogmático e moral, criando dúvidas, confusões, rebeliões, se tem manipulado inclusive a liturgia, imersos no “relativismo” intelectual e moral, e por isto, no permisivismo, os cristãos se vem tentados pelo ateísmo, o agnosticismo, o iluminismo vagamente moralista, por um cristianismo sociológico, sem dogmas definidos e sem moral objetiva. (João Paulo II, Discurso aos participantes do Congresso Nacional Italiano sobre o tema “Missões ao povo para ao anos 80”, n.2, 6 de fevereiro de 1981)

Catecismo da Igreja Católica

A boa intenção não justifica qualquer ato humano

É, portanto, errôneo julgar a moralidade dos atos humanos tendo em conta apenas a intenção que os inspira, ou as circunstâncias (meio, pressão social, constrangimento ou necessidade de agir, etc.) que os enquadram. Há atos que, por si e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e das intenções, são sempre gravemente ilícitos em razão do seu objeto; por exemplo, a blasfêmia e o jurar falso, o homicídio e o adultério. Não é permitido fazer o mal para que dele resulte um bem. (Catecismo da Igreja Católica, 1756)

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