Estudo nº 5 da Inquietude que acredita Bergoglio:

“Quem dita o que é fazer o bem ou o mal? A consciência de cada um”

Autores: Sacerdotes Diocesanos | El Denzinger-Bergoglio: denzingerbergoglio.com

Tradução: Mãe da Salvação

Os surpreendentes aportes de Bergoglio ao Magistério bimilenar da Santa Igreja: uma antologia dos principais ensinamentos e inovações de Bergoglio confrontadas com o Magistério da Igreja para servir de uma boa ajuda para emitir um juízo acertado e formar critérios de análises nos católicos.

“Consciência! Consciência! Instinto divino, imortal e celeste voz; guia seguro de um ser ignorante e limitado, inteligente e livre; juiz infalível do bem e do mal que tem o homem semelhante a Deus.” Tal como dissera há 250 anos o filósofo Jean Jacques Rousseau, em um frutífero intercâmbio de idéias de grande alcance divulgativo entre Bergoglio e o periodista ateu e socialista Eugenio Scalfari, foi abordado com um peculiar enfoque da excitante temática da moralidade do ato humano.

Bergoglio

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Antes de mais nada, pergunta-me se o Deus dos cristãos perdoa a quem não acredita nem procura acreditar. Admitido como dado fundamental que a misericórdia de Deus não tem limites quando alguém se Lhe dirige com coração sincero e contrito, para quem não crê em Deus a questão está em obedecer à própria consciência: acontece o pecado, mesmo para aqueles que não têm fé, quando se vai contra a consciência. De fato, ouvir e obedecer a esta significa decidir-se diante do que é percebido como bem ou como mal; e é sobre esta decisão que se joga a bondade ou a maldade das nossas ações. (Carta de Bergoglio ao Diretor do Jornal Italiano “La Repubblica”, Eugenio Scalfari, em 4 de setembro de 2013)

«Cada um de nós tem uma sua visão do Bem e também do Mal. Nós devemos estimulá-lo a ir na direção daquilo que ele pensa que é o Bem». Vossa Santidade já o escreveu na carta que me enviou. A consciência é autônoma, tinha dito, e cada um deve obedecer à própria consciência. Penso que aquelas são as palavras mais corajosas ditas por um Papa. «E repito-o. Cada um tem uma sua ideia do Bem e do Mal e deve escolher se seguir o Bem ou combater o Mal como ele os concebe. Seria suficiente isto para melhorar o mundo». (Entrevista concedida pelo Papa Francisco ao fundador do jornal “La Repubblica”, Eugenio Scalfari, em 2 de outubro de 2013)

Ensinamentos do Magistério da Santa Igreja

Pio IX

Erros condenados sobre a ética natural e cristã

56º As leis morais não carecem da sanção divina, e não é necessário que as leis humanas sejam conformes ao direito natural ou recebam de Deus o poder obrigatório.

57º A ciência das coisas filosóficas e morais e as leis civis podem e devem ser livres da autoridade divina e eclesiástica.  (Denzinger-Hünermann 2956-2957. Syllabus ou compilação de erros que foram proibidos em diversas declarações de Pio IX, 8 de dezembro de 1864)

Papa João XXIII

Cristo, Centro da História, critério absoluto do Bem

O grande problema, proposto ao mundo, depois de quase dois milênios, continua o mesmo. Cristo sempre a brilhar no centro da história e da vida; os homens ou estão com ele e com a sua Igreja, e então gozam da luz, da bondade, da ordem e da paz; ou estão sem ele, ou contra ele, e deliberadamente contra a sua Igreja: tornam-se motivo de confusão, causando aspereza nas relações humanas, e perigos contínuos de guerras fratricidas. (Papa João XXIII, Discurso de Abertura Solene do Concílio Vaticano II, n.5, 11 de outubro de 1962)

Concílio Vaticano II

O dever da Igreja de predicar o único Deus verdadeiro

É por este motivo que a Igreja anuncia a mensagem de salvação aos que ainda não têm fé, para que todos os homens venham a conhecer o único Deus verdadeiro e o Seu enviado, Jesus Cristo, e se convertam dos seus caminhos pela penitência. Aos que crêem, tem o dever de pregar constantemente a fé e a penitência, de dispô-los aos Sacramentos, de ensiná-los a guardar tudo o que Cristo mandou, de estimulá-los a tudo o que seja obra de caridade, de piedade e apostolado, onde os cristãos possam mostrar que são a luz do mundo, embora não sejam deste mundo, e que glorificam o Pai diante dos homens. (Papa Paulo VI, Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, n.9, sobre a Sagrada Liturgia, 4 de dezembro de 1963)

Papa Paulo VI

A consciência não é a última instância para julgar a bondade do ato humano. Obrigação de educar a consciência à luz de Cristo

Frequentemente se escuta como um aforismo indiscutível, que toda a moralidade do homem deve consistir em seguir sua própria consciência; e isto se diz para emancipá-lo tanto das necessidades de uma norma extrínseca, como do respeito a uma autoridade que intenta ditar leis à livre e espontânea atividade do homem, que deverá ser uma lei em si mesmo, sem a limitação de outras intervenções em suas operações. Não diremos nada novo quando perguntamos a quantos encerram em tal critério do âmbito da vida moral que tem que ter por guia a própria consciência não é apenas bom, mas obrigatório. Os que agem contra a consciência não estão no caminho reto (cf. Rom 14, 23).

Mas, em primeiro lugar, tem que ensinar que a consciência, em si mesma, não é o árbitro do valor moral das ações que ela sugere. A consciência é intérprete de uma norma interior e superior; não a cria por si mesma. Ela é iluminada pela intuição de certos princípios normativos, natural para a razão humana (cfr S.TH, I, q.79, a12-13; I-II, q.94, a.1); a consciência não é a fonte do bem e do mal; é a advertência, é a auscultação de uma voz, que se chama simplesmente da voz da consciência, é a chamada à conformidade que uma ação deve ter com uma exigência intrínseca ao homem e, pela qual, o homem é homem verdadeiro e perfeito. Quer dizer, é o aviso subjetivo e imediato de uma lei que devemos chamar natural, apesar de que muitas pessoas hoje em dia não querem ouvir falar de a lei natural.

Não é em relação com esta lei, entendida em seu verdadeiro significado, que surge o sentido de responsabilidade do homem? E com o sentido da responsabilidade, o de boa consciência e o mérito, o bem, o do remorso e a culpa? Consciência e responsabilidade são dois termos relacionados entre si.

Em segundo lugar, devemos observar que a consciência, para ser norma válida da atividade humana, deve ser reta, ou seja, deve ser verdadeira, não incerta, nem culpavelmente errônea. O qual, por desgraça, é facilíssimo que suceda, dada a debilidade da razão humana, quando se deixa a si mesma, quando não se educa.

A consciência necessita ser educada. A pedagogia da consciência é necessária, como o é para todo o homem, este ser em desenvolvimento interno que leva a cabo sua vida em um marco externo muito complexo e exigente. A consciência não é a única voz que pode guiar a atividade humana, sua voz é clara e se fortalece quando é da lei e, portanto, da autoridade legítima, se une à sua. Quer dizer, a voz da consciência não é sempre infalível, nem objetivamente suprema. E isto é especialmente certo no campo do sobrenatural, onde a razão não serve por si mesma para interpretar o caminho do bem, e tem que recorrer à fé de ditar o homem da norma de justiça querida por Deus através da revelação: “O justo, disse São Paulo, viverá pela fé (Gal 3, 11). Para caminhar retamente à noite, como ocorre no mistério da vida cristã, não basta os olhos, é preciso a lâmpada, é preciso a luz. E este “lumen Christi” não deforma, não mortifica, não contradiz a luz de nossa consciência, mas que a aclara e lhe dá o poder para seguir a Cristo no caminho adequado de nossa peregrinação rumo à visão eterna. Portanto, procuremos atuar sempre com a consciência reta e forte, iluminada pela sabedoria de Cristo. (Paulo VI, Audiência Geral, 12 de fevereiro de 1969)

Papa João Paulo II

A liberdade não é fonte de valores

Em algumas correntes do pensamento moderno, chegou-se a exaltar a liberdade até ao ponto de se tornar um absoluto, que seria a fonte dos valores. Nesta direção, movem-se as doutrinas que perderam o sentido da transcendência ou as que são explicitamente ateias. Atribuíram-se à consciência individual as prerrogativas de instância suprema do juízo moral, que decide categórica e infalivelmente o bem e o mal. À afirmação do dever de seguir a própria consciência foi indevidamente acrescentada aqueloutra de que o juízo moral é verdadeiro pelo próprio fato de provir da consciência. Deste modo, porém, a imprescindível exigência de verdade desapareceu em prol de um critério de sinceridade, de autenticidade, de «acordo consigo próprio», a ponto de se ter chegado a uma concepção radicalmente subjetivista do juízo moral.

Como facilmente se compreende, não é alheia a esta evolução, a crise em torno da verdade. Perdida a ideia de uma verdade universal sobre o bem, cognoscível pela razão humana, mudou também inevitavelmente a concepção da consciência: esta deixa de ser considerada na sua realidade original, ou seja, como um ato da inteligência da pessoa, a quem cabe aplicar o conhecimento universal do bem numa determinada situação e exprimir assim um juízo sobre a conduta justa a eleger, aqui e agora; tende-se a conceder à consciência do indivíduo o privilégio de estabelecer autonomamente os critérios do bem e do mal e agir em consequência. Esta visão identifica-se com uma ética individualista, na qual cada um se vê confrontado com a sua verdade, diferente da verdade dos outros. Levado às últimas consequências, o individualismo desemboca na negação da ideia mesma de natureza humana.

Estas diversas concepções estão na origem das orientações de pensamento que sustentam a antinomia entre lei moral e consciência, entre natureza e liberdade. (Papa João Paulo II, Carta Encíclica Veritatis Splendor, n.32, sobre algumas questões fundamentais do ensinamento moral da Igreja, 6 de agosto de 1993)

O Decálogo está inscrito na natureza humana

A mesma lei que Deus revelou por meio de Moisés e que Cristo confirmou no evangelho (cf. Mt 5, 17-19), tem sido inscrita pelo Criador na natureza humana. Isto é o que lemos na carta de São Paulo aos Romanos: “Quando os gentios, que não tem lei, cumprem naturalmente as prescrições da lei, sem ter lei, para si mesmos são lei” (Rom 2, 14). Desta forma, portanto, os princípios morais que Deus manifestou ao povo eleito por meio de Moisés são os mesmos que Ele tem inscrito na natureza do ser humano. Por esta razão, todo homem, seguindo o que desde o princípio forma parte de sua natureza, sabe que deve honrar a seu pai e a sua mãe e respeitar a vida; é consciente de que não deve cometer adultério, nem roubar, nem dar falso testemunho; em uma palavra, sabe que não deve fazer aos demais o que não quer que lhe faça.

São Paulo, ainda na carta aos Romanos: “Eles mostram que a realidade dessa lei está escrita em seus corações, como testemunham sua consciência” (Rom 2, 15). A consciência se apresenta como a testemunha que acusa o homem quando viola a lei inscrita em seu coração, ou o justifica quando é fiel a ela. Por conseguinte, segundo o ensinamento do Apóstolo, existe uma lei ligada intimamente na natureza do homem como ser inteligente e livre, e esta lei ressoa em sua consciência: para o homem viver segundo sua consciência, quer dizer, viver segundo a lei de sua natureza e, vice-versa, viver segundo essa lei significa viver segundo a consciência, desde logo, segundo a consciência verdadeira e reta, ou seja, segundo a consciência que lê corretamente o conteúdo da lei inscrita pelo Criador na natureza humana. (João Paulo II, Angelus, 12 de junho de 1994)

Obrigação de formar a própria consciência à luz da Igreja

Não é suficiente dizer ao homem: “segue sempre a tua consciência”. É necessário acrescentar logo e sempre: “pergunta-te se a tua consciência diz o que é verdadeiro ou o que é falso, e procura com denodo conhecer a verdade”. Se não se fizesse esta necessária precisação, o homem correria o perigo de encontrar na sua consciência uma força destruidora da sua verdadeira humanidade, em vez de um lugar santo onde Deus lhe revela o seu verdadeiro bem.

É necessário “formar” a própria consciência. Neste empenho, o crente sabe que tem um particular auxílio da doutrina da Igreja. “Com efeito, por vontade de Cristo, a igreja Católica é a Mestra, da verdade, e a sua missão é anunciar e ensinar autenticamente a Verdade que é Cristo, e ao mesmo tempo declarar e confirmar, com a sua autoridade, os princípios da ordem moral que fluem da própria natureza humana (Dignitatis humanae, 14). (Papa João Paulo II, Audiência Geral, n.3, 17 de agosto de 1983)

Catecismo da Igreja Católica

1786. Perante a necessidade de decidir moralmente, a consciência pode emitir um juízo reto, de acordo com a razão e a lei de Deus, ou, pelo contrário, um juízo errôneo, que se afaste delas.

1790. O ser humano deve obedecer sempre ao juízo certo da sua consciência. Agindo deliberadamente contra ele, condenar-se-ia a si mesmo. Mas pode acontecer que a consciência moral esteja na ignorância e faça juízos errôneos sobre atos a praticar ou já praticados. (Catecismo da Igreja Católica, 1786. 1790)

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