Estudo nº 2 da Inquietude que acredita Bergoglio:

“Uma releitura do Evangelho à luz da cultura contemporânea”

Autores: Sacerdotes Diocesanos | El Denzinger-Bergoglio: denzingerbergoglio.com

Tradução: Mãe da Salvação

Os surpreendentes aportes de Bergoglio ao Magistério bimilenar da Santa Igreja: uma antologia dos principais ensinamentos e inovações de Bergoglio confrontadas com o Magistério da Igreja para servir de uma boa ajuda para emitir um juízo acertado e formar critérios de análises nos católicos.

Um dos documentos centrais do Concílio Vaticano II ensina que “a Igreja perscruta a fundo os sinais da época e interpreta-os à luz do Evangelho”. Bergoglio, por sua vez, ensina que o Evangelho tem de ser relido à luz da cultura moderna. Deve a Igreja submeter-se aos princípios da civilização moderna ou, ou melhor, iluminá-la com o seu ensinamento?

Bergoglio

bergoglio-32

O Vaticano II foi uma releitura do Evangelho à luz da cultura contemporânea. Produziu um movimento de renovação que vem simplesmente do próprio Evangelho. Os frutos são enormes. Basta recordar a liturgia. O trabalho da reforma litúrgica foi um serviço ao povo como releitura do Evangelho a partir de uma situação histórica concreta. Sim, existem linhas de hermenêutica de continuidade e de descontinuidade. Todavia, uma coisa é clara: a dinâmica de leitura do Evangelho no hoje, que é própria do Concílio, é absolutamente irreversível. Depois existem questões particulares, como a liturgia segundo o Vetus Ordo. Penso que a escolha do Papa Bento XVI foi prudente, ligada à ajuda a algumas pessoas que têm esta sensibilidade particular. Considero, no entanto, preocupante o risco de ideologização do Vetus Ordo, a sua instrumentalização.” (Entrevista a Spadaro, 19 de agosto de 2013)

“A celebração dos 100 anos da Faculdade de Teologia da Universidade católica é um momento importante para a Igreja na Argentina. O aniversário coincide com o cinquentenário do encerramento do Concílio Vaticano II, que foi uma actualização, uma releitura do Evangelho na perspectiva da cultura contemporânea.” (Carta do Santo Padre no Grande Cancelliere da “Pontifícia Universidade Católica Argentina” por ocasião do centenário da Faculdade de Teologia, 9 de março de 2015)

Ensinamentos do Magistério da Santa Igreja

Concílio Vaticano II

A Luz do Evangelho deve iluminar a ação da Igreja na época presente

Para levar a cabo esta missão, é dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da futura, e da relação entre ambas. (Constituição Pastoral Gaudium et Spes (n.4), sobre a Igreja no mundo atual, promulgado em 7 de dezembro de 1965)

A missão da Igreja é ensinar a verdade a qual é depositária

Os fiéis, por sua vez, para formarem a sua própria consciência, devem atender diligentemente à doutrina sagrada e certa da Igreja. Pois, por vontade de Cristo, a Igreja Católica é mestra da verdade, e tem por encargo dar a conhecer e ensinar autenticamente a Verdade que é Cristo, e ao mesmo tempo declara e confirma, com a sua autoridade, os princípios de ordem moral que dimanam da natureza humana. (Declaração Dignitatis Humane sobre a liberdade religiosa, promulgado em 7 de dezembro de 1965)

Concílio de Trento

Só a Igreja pode interpretar validamente as Escrituras

Decreta também com a finalidade de conter os ingênuos insolentes, que ninguém, confiando em sua própria sabedoria, se atreva a interpretar a Sagrada Escritura em coisas pertencentes à fé e aos costumes que visam a propagação da doutrina Cristã, violando a Sagrada Escritura para apoiar suas opiniões, contra o sentido que lhe foi dado pela Santa Amada Igreja Católica, à qual é de exclusividade determinar o verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Letras; nem tampouco contra o unânime consentimento dos santos Padres, ainda que em nenhum tempo se venham dar ao conhecimento estas interpretações. (Decreto sobre a edição “Vulgata” da Bíblia e sobre o modo de interpretar a Sagrada Escritura)

CELAM

O Evangelho ilumina a esfera temporal e não o contrário

A tentação de outros grupos, pelo contrário, é considerada uma política determinada como a primeira urgência, como uma condição prévia para que a Igreja possa cumprir a sua missão. É identificar a mensagem cristã com uma ideologia e submeter a ela, evitando uma “releitura” do Evangelho a partir de uma opção política (cf. João Paulo II, Discurso inaugural I, 4. AAS LXXI p. 190). No entanto, é preciso ler a política a partir do Evangelho e não o contrário. (CELAM, Puebla 1979).

Papa Bento XVI

O grande risco de ler o Evangelho sem a luz da fé

Outro grande tema surgido durante o Sínodo, sobre o qual quero debruçar-me agora, é a interpretação da Sagrada Escritura na Igreja. E precisamente a ligação intrínseca entre Palavra e fé põe em evidência que a autêntica hermenêutica da Bíblia só pode ser feita na fé eclesial, que tem o seu paradigma no sim de Maria. A este respeito, São Boaventura afirma que, sem a fé, não há chave de acesso ao texto sagrado: «Esta é o conhecimento de Jesus Cristo, do qual têm origem, como de uma fonte, a segurança e a inteligência de toda a Sagrada Escritura. Por isso é impossível que alguém possa entrar para a conhecer, se antes não tiver a fé infusa de Cristo que é lanterna, porta e também fundamento de toda a Escritura». E São Tomás de Aquino, mencionando Santo Agostinho, insiste vigorosamente: «A letra do Evangelho também mata, se faltar a graça interior da fé que cura». (Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini, n.29, sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, 30 de setembro de 2010)

As Escrituras iluminam a existência humana

A Palavra divina ilumina a existência humana e leva as consciências a reverem em profundidade a própria vida. (Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini, n.99, sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, 30 de setembro de 2010)

A Palavra de Deus tem de ser a inspiração das autoridades temporais

À luz das palavras do Senhor, reconheçamos pois os «sinais dos tempos» presentes na história, não nos furtemos ao compromisso em favor de quantos sofrem e são vítimas do egoísmo. O Sínodo lembrou que o compromisso pela justiça e a transformação do mundo é constitutivo da evangelização. (…) Com este objectivo, os Padres sinodais dirigiram um pensamento particular a quantos estão empenhados na vida política e social. A evangelização e a difusão da Palavra de Deus devem inspirar a sua acção no mundo à procura do verdadeiro bem de todos, no respeito e promoção da dignidade de toda a pessoa. (Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini, n.100, sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, 30 de setembro de 2010)

Papa Gregório XVI

A Igreja não é uma instituição que deva ser renovada segundo critérios humanos

6. Constando, com efeito, como reza o testemunho dos Padres do Concílio de Trento (Sess. 13, dec. de Eucharistia in proœm.), que a Igreja recebeu sua doutrina de Jesus Cristo e dos seus Apóstolos, e que o Espírito Santo a está continuamente assistindo, ensinando-lhe toda a verdade, é por demais absurdo e altamente injurioso dizer que se faz necessária uma certa restauração ou regeneração, para fazê-la voltar à sua primitiva incolumidade, dando-lhe novo vigor, como se fosse de crer que a Igreja é passível de defeito, ignorância ou outra qualquer das imperfeições humanas; com tudo isto pretendem os ímpios que, constituída de novo a Igreja sobre fundamentos de instituição humana, venha a dar-se o que São Cipriano tanto detestou: que a Igreja, coisa divina, se torne coisa humana (Ep. 52, edit. Baluz.). (…) 18. É próprio de homens soberbos ou antes néscios querer sujeitar ao critério humano os mistérios da fé, que ultrapassam a capacidade humana, confiando unicamente em nossa razão, que por natureza é débil e fraca. (Gregório XVI, Encíclica Mirari Vos, promulgada a 15 de agosto de 1832)

Papa Pio IX

O grande perigo de buscar composições entre a Igreja e o mundo

Nestes tempos de confusão e de desordem, não é raro ver cristãos, católicos – mesmo lá no clero secular, nos claustros – que sempre tem nos lábios a palavra de término médio, de conciliação, de transação. Pois bem! Não vacilo em declarar-los: esses homens estão em um erro, e não os miro como os inimigos menos perigosos da Igreja. Vivemos em uma atmosfera corrompida, pestilencial; sabemos preservar-nos dela, não nos desejamos envenenar por falsas doutrinas, que tudo o perdem, sob o pretexto de salvar tudo. (Pio IX, palavras na visita à Igreja de Aracoeli, 17 de setembro de 1861)

Condenação de doutrina que promova uma aliança com a modernidade

O Romano Pontífice pode e deve reconciliar-se e transigir com o progresso, com o liberalismo e com a civilização moderna. (Syllabus ou compilação de erros que se proibiram em diversas declarações de Pio IX publicado em 8 de dezembro de 1864, n.80)

Papa Pio X

Condenação da doutrina que promova um ajuste da Revelação à modernidade

O progresso das ciências exige que se reformem os conceitos da doutrina cristã sobre Deus, sobre a Criação, sobre a Revelação, sobre a Pessoa do Verbo Encarnado e sobre a Redenção. (Pio X, Lamentabili sine exitu, n.64, decreto sobre os erros do “Modernismo” de Pio X, promulgado em 3 de julho de 1907)

Papa Paulo VI

A influência do Evangelho deve iluminar todas as esferas de ação humana

Para a Igreja não se trata tanto de pregar o Evangelho a espaços geográficos cada vez mais vastos ou populações maiores em dimensões de massa, mas de chegar a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação. (Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, n.19, sobre a evangelização no mundo contemporâneo, 8 de dezembro de 1975)

O Evangelho é capaz de iluminar, regenerar e enriquecer qualquer cultura

O Evangelho, e conseqüentemente a evangelização, não se identificam por certo com a cultura, e são independentes em relação a todas as culturas. E no entanto, o reino que o Evangelho anuncia é vivido por homens profundamente ligados a uma determinada cultura, e a edificação do reino não pode deixar de servir-se de elementos da civilização e das culturas humanas. O Evangelho e a evangelização independentes em relação às culturas, não são necessariamente incompatíveis com elas, mas suscetíveis de as impregnar a todas sem se escravizar a nenhuma delas. A ruptura entre o Evangelho e a cultura é sem dúvida o drama da nossa época, como o foi também de outras épocas. Assim, importa envidar todos os esforços no sentido de uma generosa evangelização da cultura, ou mais exatamente das culturas. Estas devem ser regeneradas mediante o impacto da Boa Nova. Mas um tal encontro não virá a dar-se se a Boa Nova não for proclamada. (Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, n.20, sobre a evangelização no mundo contemporâneo, 8 de dezembro de 1975)